Pai de crianças mortas em incêndio já havia pedido guarda: 'Estavam sofrendo'

Três das quatro crianças morreram carbonizadas no incêndio, que começou quando a mãe dos menores estava em uma festa

Por Bruna Castelo Branco.

Joselito de Almeida Borges, pai das quatro crianças que foram vítimas de um incêndio dentro de casa na cidade de Serrinha, na Bahia, disse, em entrevista ao repórter Diego Macedo, da TV Aratu, já havia tentado pegar a guarda dos filhos, que estava com a mãe, Cristina, em diversas ocasiões. Ele, que mora no Rio Grande do Sul, estava com viagem marcada para visitar a família na Bahia em junho.

"Tentei pegar a guarda, não consegui. Ela não queria que a gente descobrisse onde era a casa dela. Eu acredito que os meus meninos estavam sofrendo, ela estava mentindo para mim. Não cheguei a tempo. Foi uma bomba atômica que estourou em cima de mim. Só me restaram as lembranças", detalhou Joselito. O caso aconteceu em um imóvel localizado no bairro Ginásio.

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Três das quatro crianças morreram carbonizadas no incêndio, que começou quando a mãe dos menores estava em uma festa. | Foto: Reprodução/TV Aratu

Três das quatro crianças morreram carbonizadas no incêndio, que começou quando a mãe dos menores estava em uma festa. As vítimas foram identificadas como Jeremias de Jesus Borges, de 6 anos, Samuel Nascimento de Almeida, de 4, e Ismael Nascimento de Jesus. A menina mais velha, de 7 anos, Juliana Nascimento de Almeida, conseguiu sair do imóvel e sobreviveu. Cristina foi presa e passa por audiência de custódia nesta segunda-feira (4).

À TV Aratu, Joselito informou que conversou com a filha por telefone na noite do incidente. Segundo ele, a menina revelou que ela e os irmãos costumavam ficar sozinhos em casa, mas pediu para o pai não reclamar, pois a mãe poderia bater nela.

Três das quatro crianças morreram carbonizadas no incêndio, que começou quando a mãe dos menores estava em uma festa. | Foto: Redes Sociais

O homem contou que, após a ligação de vídeo com a filha, a menina mandou um áudio, pedindo para o pai não contar para a mãe sobre o telefonema. "Ela mandou um áudio: 'Mamãe falou que se alguém ligasse não era para atender o celular, não, senão ela iria me bater'". Na sequência, Juliana contou que a mãe teria um namorado, e relatou: "Eu perguntei: o que está acontecendo, filha? Sua mãe está levando alguém para casa? Ela respondeu: 'Papai, de vez em quando mamãe traz um homem, e ele estava me alisando'. Aí eu falei: 'Meu deus, não me diga isso não, Juliana'". Veja vídeo:

O que se sabe sobre o caso

Um incêndio que terminou com três crianças mortas em Serrinha foi registrado na manhã deste domingo (3). As vítimas, com idades entre 11 meses e 6 anos, foram encontradas sem vida dentro de uma residência na rua Abdon Costa, no bairro Ginásio, naquele município.

De acordo com a Polícia Militar, agentes do 16º BPM foram acionados pelo CICOM para atender à ocorrência. Ao chegarem ao local, encontraram equipes do Corpo de Bombeiros já atuando no combate às chamas. Uma criança chegou a ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada para uma unidade hospitalar.

Após o controle do incêndio, os bombeiros localizaram três vítimas dentro do imóvel, todas crianças. A área foi isolada para a realização de perícia pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Um incêndio que terminou com três crianças mortas em Serrinha foi registrado na manhã deste domingo (3). | Foto: Reprodução/TV Aratu

As investigações apontam que a mãe das crianças, uma mulher de 27 anos, saiu para uma festa na noite anterior, deixando os quatro filhos sozinhos em casa. Informações preliminares indicam que uma das crianças teria ateado fogo em um colchão, o que provocou o incêndio.

A mulher foi autuada em flagrante pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte e permanece custodiada, à disposição da Justiça.

O prefeito de Serrinha lamentou o ocorrido e decretou luto oficial de três dias no município. Em nota, afirmou que a cidade está em choque diante da tragédia e prestou solidariedade às famílias das vítimas.

As circunstâncias do incêndio seguem sendo investigadas pela Polícia Civil.

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