'Safári no mar': veja quanto custa passeio para observar baleias em Salvador
A temporada das baleias-jubarte movimenta o litoral baiano com passeios de observação em Salvador
Por Rosana Bomfim.
A temporada de reprodução das baleias-jubarte já começou no litoral baiano e, com o pico previsto para a segunda quinzena de agosto, o turismo de observação dos gigantes marinhos volta a movimentar a Baía de Todos-os-Santos. Para mostrar como é possível viver essa experiência e acompanhar de perto esse espetáculo da natureza, a equipe do Aratu On foi ao alto-mar conferir de perto a passagem dos animais.

Considerada uma das principais rotas da espécie no Brasil, a Bahia recebe milhares de baleias que migram das águas geladas da Antártida em busca de locais mais quentes para o acasalamento e o nascimento dos filhotes.
Para o vice-presidente do Projeto Baleia Jubarte, Enrico Marcovaldi, o potencial turístico e ambiental desses animais é incalculável: "Uma pessoa paga uma fortuna para ver um elefante em um safári na África. Uma baleia dessas vale mais que vinte elefantes".
Como fazer para ver os gigantes do mar?
Os passeios partem do Terminal Náutico da Bahia Marina, na Avenida da França, em Salvador, ou da Base Náutica Praia do Forte, em Mata de São João. O passeio dura cerca de quatro horas e os valores podem variar de R$ 380 a R$ 400 a inteira, a depender da agência de turismo. É necessário realizar um agendamento antecipado.
Durante a navegação, a expectativa dos passageiros é recompensada já no primeiro avistamento. O jato de vapor expelido pelas baleias ao chegarem à superfície — conhecido como "esguicho" — costuma ser o primeiro sinal da presença dos animais e marca o início de um verdadeiro espetáculo da natureza.

Antes da aproximação, a equipe do Projeto Baleia Jubarte orienta os passageiros sobre os protocolos de segurança e conservação. A velocidade da embarcação é reduzida para evitar qualquer interferência no comportamento dos animais, respeitando as normas ambientais. De acordo com os pesquisadores, as baleias-jubarte podem chegar a 15 metros de comprimento e pesam quase 40 toneladas.
Segundo o pesquisador Sergio Cipolotti, integrante do Projeto Baleia Jubarte, o intervalo entre uma subida e outra pode variar de cinco a oito minutos.
"Esse é o tempo em que a baleia mergulha em direção às áreas mais profundas e retorna para respirar. Hoje, os intervalos ficaram entre sete e oito minutos, o que demonstra que os animais estavam bastante tranquilos durante a permanência na região", explicou.
Os biólogos também destacam que o vapor observado quando a baleia emerge não é um jato de água, mas o ar quente expelido pelos pulmões que, ao entrar em contato com o ar frio, forma uma nuvem de condensação.
População de baleias cresceu após décadas de preservação
Enrico Marcovaldi destaca que a recuperação da população de baleias-jubarte é resultado de décadas de trabalho voltado à conservação da espécie.
"As primeiras estimativas apontavam cerca de duas mil baleias ao longo do litoral brasileiro. Hoje, esse número ultrapassa 35 mil indivíduos. São quase 40 anos de atuação do projeto, sendo 25 anos de trabalho na Bahia, por meio da base da Praia do Forte, acompanhando e protegendo esses animais", afirmou.
Durante os passeios, os pesquisadores também realizam o monitoramento das baleias. A identificação é feita por meio de manchas presentes na parte inferior da cauda, um padrão único para cada indivíduo, comparável à impressão digital humana.
De acordo com o Projeto Baleia Jubarte, aproximadamente 10 mil animais já foram catalogados no banco de dados da instituição, e novos registros são feitos a cada temporada de reprodução.
Baleias ajudam no combate às mudanças climáticas
Além da importância turística, as baleias desempenham um papel fundamental para o equilíbrio ambiental e o combate às mudanças climáticas.
O secretário municipal de Sustentabilidade e Resiliência de Salvador, Ivan Euler, explicou que os cetáceos ajudam a armazenar carbono e contribuem para a fertilização do fitoplâncton, organismo responsável por cerca de metade do oxigênio produzido no planeta.
"Quando a baleia cresce, ela acumula carbono em seu corpo. Após sua morte, esse carbono permanece armazenado no fundo do oceano. Além disso, as fezes das baleias fertilizam o fitoplâncton, que produz cerca de 50% do oxigênio que respiramos. Ou seja, além de impulsionar o turismo e encantar as pessoas, as baleias desempenham um papel essencial na preservação do meio ambiente e no combate às mudanças climáticas", destacou.

Patrimônio natural da Bahia
O Projeto Baleia Jubarte surgiu na década de 1980, após a identificação de uma importante área de reprodução da espécie no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Desde então, a iniciativa desenvolve ações de pesquisa, conservação e educação ambiental, contribuindo para a recuperação da população de baleias-jubarte no Brasil.
Hoje, Salvador integra a rota de observação da espécie e oferece aos visitantes a oportunidade de acompanhar de perto um dos maiores espetáculos da natureza.
Para Enrico Marcovaldi, a presença das baleias em uma área urbana como a capital baiana demonstra o sucesso das ações de preservação desenvolvidas nas últimas décadas:
"É um privilégio para os soteropolitanos poder observar um animal completamente selvagem utilizando uma região costeira urbana. Isso demonstra que as ações de preservação deram resultado e transformaram a Bahia em um dos principais refúgios das baleias-jubarte no Atlântico Sul".
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