Praça Castro Alves volta a esconder ruínas do Teatro São João após descoberta histórica
Estruturas do Teatro São João descobertas em 2019 sob a Praça Castro Alves foram cobertas novamente
Por Dinaldo dos Santos.
As ruínas do Teatro São João, descobertas em 2019 durante obras de requalificação da Praça Castro Alves, em Salvador, foram novamente cobertas. A área onde estavam os vestígios do antigo equipamento cultural, considerado um dos mais importantes da história da cidade, atualmente está cimentada, e o futuro do sítio arqueológico permanece sem definição pública.

A situação chama atenção porque, após a descoberta, havia a expectativa de que as estruturas fossem preservadas e integradas ao espaço urbano, permitindo algum tipo de contato da população com parte da história do teatro.
À época, a Fundação Gregório de Matos informou que as ruínas seriam recuperadas e que estudava uma solução para valorizar o achado arqueológico, com a possibilidade de incorporação ao projeto da praça.
Informações recententes dão conta que o aterramento das estruturas ocorreu por determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O órgão federal, responsável pela proteção de bens culturais, foi procurado para explicar os critérios técnicos que levaram à decisão, a situação atual das ruínas e se existe previsão de uma futura exposição do material arqueológico.
A Fundação Gregório de Matos também foi questionada sobre o projeto inicialmente anunciado após a descoberta, sua participação na decisão pelo aterramento e quais são os planos para a valorização do patrimônio encontrado. Até a publicação desta reportagem, os dois órgãos não haviam encaminhado respostas.
Sobre o Teatro São João
O Teatro São João foi inaugurado em 1812 e é apontado por historiadores como um dos maiores espaços teatrais das Américas no período. O equipamento teve papel de destaque na vida cultural de Salvador durante o século XIX, recebendo apresentações artísticas e eventos importantes.

Em 1923, um incêndio destruiu a construção. O que restou da estrutura foi aterrado e, posteriormente, a área passou a abrigar a Praça Castro Alves, um dos principais cartões-postais e espaços simbólicos da capital baiana.
Quase cem anos depois, as escavações realizadas durante a requalificação do local revelaram novamente parte dessa memória histórica, abrindo o debate sobre como Salvador poderia preservar e apresentar à população um dos seus mais relevantes patrimônios arqueológicos.
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