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Ruínas do Teatro São João são aterradas em Salvador; entenda o que motivou a decisão

Vestígios encontrados na Praça Castro Alves foram preservados por meio de aterramento arqueológico após mudança no projeto da Prefeitura; Iphan afirma que apenas aprovou tecnicamente a intervenção

Por Dinaldo dos Santos.

As ruínas do Teatro São João, descobertas em 2019 durante as obras de requalificação da Praça Castro Alves, em Salvador, passaram por um processo de aterramento arqueológico. O procedimento foi realizado após a Prefeitura de Salvador optar por uma nova solução para a área, diferente do projeto inicial que previa integrar os vestígios ao espaço público.

Teatro São João. Foto: Reprodução | Salvador Antiga

A decisão gerou questionamentos porque, quando as estruturas foram encontradas, havia a expectativa de que o sítio arqueológico fosse preservado de forma visível e incorporado ao projeto de requalificação da praça, permitindo que a população tivesse contato com parte da história de um dos mais importantes teatros da capital baiana.

Iphan diz que não determinou o aterramento

Em nota, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) afirmou que não determinou o aterramento das ruínas. Segundo o órgão, sua atuação limitou-se à análise técnica das propostas apresentadas pela Prefeitura de Salvador para a área da Praça Castro Alves.

O instituto informou que, em 2020, aprovou um projeto elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira que previa integrar as ruínas à praça por meio da criação do chamado Palco dos Poetas.

Posteriormente, a própria Prefeitura apresentou uma nova proposta, desta vez prevendo o aterramento arqueológico para recomposição do piso da praça. Essa solução também foi considerada tecnicamente viável pelo Iphan e recebeu aprovação em 2024.

De acordo com o instituto, como ambas as alternativas eram compatíveis com a preservação do patrimônio, a decisão pelo aterramento foi exclusivamente da Prefeitura de Salvador.

Prefeitura diz que procedimento preserva o patrimônio

A Prefeitura de Salvador informou que o trabalho realizado não consistiu em uma simples cobertura das ruínas, mas em um aterramento arqueológico, procedimento técnico utilizado para preservar vestígios históricos no próprio local onde foram encontrados.

Segundo a administração municipal, a intervenção foi autorizada pelo Iphan em novembro de 2025 e executada sob coordenação de arqueólogo habilitado e acompanhamento técnico permanente.

Ainda de acordo com a Prefeitura, o método protege as estruturas por meio de camadas específicas de preservação e mantém a possibilidade de que os vestígios sejam novamente escavados no futuro, caso haja interesse da sociedade e autorização dos órgãos responsáveis.

Projeto original não foi adiante

A Prefeitura informou que, durante sete anos, buscou viabilizar um projeto que permitisse conciliar a preservação das ruínas, a visitação pública e a utilização da Praça Castro Alves.

Para isso, foram realizados estudos em conjunto com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e o Iphan, além da contratação do arquiteto Mário Mendonça de Oliveira para desenvolver uma proposta de valorização do sítio arqueológico.

Segundo a administração municipal, os projetos apresentados não receberam aprovação do IPAC, que recomendou a adoção do aterramento arqueológico.

Ruínas estavam expostas desde 2019

Os vestígios do antigo Teatro São João permaneceram expostos desde 2019, quando foram encontrados durante as obras de requalificação da Praça Castro Alves.

Segundo o Iphan, durante esse período as estruturas ficaram sujeitas à ação do sol, da chuva, do vento, da poluição, da vegetação e das vibrações provocadas pelo tráfego de veículos, fatores que poderiam comprometer sua conservação.

O órgão afirma que o aterramento arqueológico é uma técnica reconhecida internacionalmente para preservar sítios arqueológicos quando não há condições de mantê-los expostos ao público.

Sobre o Teatro São João

Inaugurado em 1812, o Teatro São João foi um dos principais espaços culturais de Salvador durante o século XIX e é apontado por historiadores como um dos maiores teatros das Américas em sua época.

Teatro São João. Foto: Reprodução

O edifício foi destruído por um incêndio em 1923. Décadas depois, a área passou a abrigar a Praça Castro Alves. A descoberta das ruínas, em 2019, reabriu o debate sobre a preservação e a valorização desse patrimônio histórico da capital baiana.

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