Economia

Proibir não resolve. Educar, sim

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
Proibir não resolve. Educar, sim

Muito se tem discutido sobre bets, jogos de azar e apostas esportivas. Com a Copa do Mundo, esse fenômeno ficou ainda mais evidente. Cresceu o número de pessoas apostando e, junto com ele, vieram à tona os impactos sociais dessa prática: problemas de saúde mental, dificuldades financeiras, endividamento das famílias, conflitos e desentendimentos.

Diante desse cenário, é preciso refletir sobre qual deve ser o papel da sociedade e do Estado. Sou contra a ideia de que a proibição seja a solução. Foi assim no passado com o tabagismo. Houve um tempo em que praticamente todo mundo fumava. E fumar nunca foi proibido, nem é até hoje. O que mudou esse comportamento não foi a proibição, mas um amplo processo de informação, conscientização e educação.

As pessoas passaram a compreender os riscos do cigarro e, a partir desse conhecimento, puderam fazer suas próprias escolhas. É claro que também houve aumento de impostos e restrições para proteger terceiros, porque o direito de cada um termina onde começa o direito do outro. Tudo isso dentro dos princípios da Constituição Federal.

Proibir Não Resolve Educar, Sim

Com os jogos de azar, o caminho deve ser semelhante. É preciso informar, orientar, conscientizar. Identificar e tratar quem desenvolve dependência. Estabelecer regras claras sobre quem pode apostar, em que condições e a partir de qual idade. Criar restrições quando forem necessárias para proteger a sociedade.

O foco deve ser fortalecer a capacidade de escolha das pessoas, e não simplesmente proibir. Educar é sempre mais eficaz do que impedir. E cuidar da sociedade é uma obrigação de todos nós.

Aliás, essa reflexão nos leva a um problema muito maior. Se existe algo realmente nocivo para o Brasil, não são apenas os jogos de azar. É a ausência de uma educação pública eficiente, capaz de formar cidadãos conscientes, críticos e preparados para fazer escolhas responsáveis.

É na educação que aprendemos a distinguir o certo do errado, a avaliar riscos, a administrar nossas emoções, nosso dinheiro e o nosso próprio futuro. Sem essa base, estaremos sempre tentando remediar as consequências, em vez de enfrentar as causas.

Por isso, antes de defender mais proibições, precisamos exigir mais educação. Uma educação que funcione de verdade, especialmente nos primeiros anos de formação, quando são construídos os valores e as competências que acompanham cada cidadão por toda a vida.

O futuro do Brasil é da nossa conta. E ele começa agora.

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