Fundado em 1832, patrimôno em Salvador ligado à escravidão recebe reconhecimento da Unesco
Entidade foi reconhecida ao lado do Cais do Valongo e da Serra da Barriga
Por Isabela Cardoso.
A Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), fundada em Salvador em 1832, passou a integrar uma rede internacional da Unesco dedicada à preservação da memória da escravidão e da resistência negra. A instituição é considerada a primeira organização civil negra do Brasil em funcionamento contínuo.

Criada por Manoel Victor Serra e outros homens negros livres, a entidade surgiu no século 19 como uma forma de organização coletiva diante das restrições sociais e raciais impostas à população negra. Ao longo de sua trajetória, consolidou uma atuação ligada à solidariedade, ao apoio mútuo e à mobilização por direitos e liberdade.
A própria SPD relaciona sua história ao movimento de resistência negra na Bahia, com referências às Revoltas dos Búzios, em 1798, e dos Malês, em 1835. Sua trajetória representa uma experiência de organização coletiva em um período marcado pela escravidão e pela desigualdade racial.
Além da instituição baiana, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu na rede o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e a Serra da Barriga, em Alagoas, onde fica o Parque Memorial Quilombo dos Palmares.
Os três espaços foram indicados pelo governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Em nota, o Itamaraty afirmou que a inclusão contribui para preservar e transmitir a memória da escravidão, reconhecer a resistência histórica da população negra e promover a educação das novas gerações.
Reconhecimento da Unesco à história da escravidão
Criada em 2024, no âmbito do programa Rotas dos Escravizados: Resistência, Liberdade e Patrimônio, da Unesco, a rede reúne lugares de diferentes países relacionados à história da escravidão e do tráfico de pessoas escravizadas.
A iniciativa busca estimular a cooperação internacional, o intercâmbio de experiências e o desenvolvimento de ações de educação, pesquisa e preservação da memória.
Segundo a diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, a entrada dos três espaços brasileiros representa um reconhecimento internacional de seu valor histórico e de sua contribuição para preservar a memória da escravidão e da resistência negra.
A proposta também é relacionar a história desses patrimônios a questões contemporâneas, como o racismo estrutural e as desigualdades sociais. A expectativa é que os espaços funcionem como ambientes de conhecimento, diálogo e valorização dos direitos humanos.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
