Por que não pode comer carne na Sexta-Feira Santa? Entenda a tradição
A tradição de evitar carne na Sexta-Feira Santa faz parte do calendário religioso de milhões de cristãos
Por Bruna Castelo Branco.
A tradição de evitar carne na Sexta-Feira Santa faz parte do calendário religioso de milhões de cristãos e tem origem em um simbolismo ligado à reflexão sobre a morte de Jesus Cristo. Com a chegada da Semana Santa, o hábito também influencia o consumo de alimentos, especialmente com o aumento da procura por peixes nas refeições familiares.
Na tradição cristã, a carne vermelha era historicamente associada a celebrações, banquetes e momentos de fartura. Por isso, em um dia marcado pelo luto e pela lembrança do sofrimento de Cristo, a Igreja propõe que os fiéis abram mão desse alimento como forma de penitência e respeito.
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Nesse contexto, o peixe e o frango passou a ser o substituto mais comum. O alimento é associado à simplicidade e à própria história do cristianismo, já que vários apóstolos eram pescadores e o peixe se tornou um símbolo ligado à vida de Jesus. Na Bahia, o prato principal costuma ser comida baiana, com muito dendê, vatapá, caruru, moqueca e xinxim de galinha.
Embora muitas pessoas busquem um versículo específico que proíba o consumo de carne nesse dia, a orientação não aparece de forma direta na Bíblia. No Evangelho de Mateus (9:15), Jesus menciona que seus seguidores jejuariam quando o “noivo” — referência a ele próprio — fosse tirado deles.
A prática atual está prevista no Direito Canônico da Igreja Católica. O cânon 1249 estabelece que os fiéis devem realizar algum tipo de penitência. Tradicionalmente, isso ocorre por meio da abstinência de carne na Sexta-feira Santa e também na Quarta-feira de Cinzas.

Nesse contexto, existem duas práticas diferentes:
- Abstinência: consiste em não consumir carne, seja vermelha ou de aves.
- Jejum: envolve reduzir a quantidade de comida ingerida ao longo do dia, geralmente com uma refeição completa e duas menores.
Essas práticas fazem parte do período da Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas e se estende até o Domingo de Páscoa. Durante os 40 dias, os fiéis são convidados a praticar penitência e reflexão espiritual, como forma de preparação para a celebração da ressurreição de Cristo.

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