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Ônibus em Salvador tiveram intervalos maiores no domingo da eleição, apontam documentos

Documentos revelaram que os intervalos de saídas de ônibus não foram iguais aos dias úteis

Por Da redação.

Documentos obtidos pelo jornal O Globo apontam diferenças entre a programação de ônibus preparada pela Prefeitura de Salvador para o segundo turno das eleições e os horários normalmente praticados em dias úteis. Em algumas linhas, os intervalos previstos para o domingo (25) eram maiores.

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As informações constam em documentos encaminhados pela gestão municipal ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a publicação, um ofício enviado às empresas de ônibus no dia 19 de outubro detalhava como deveria funcionar a operação durante a votação.

A comparação feita pelo O Globo levou em consideração os horários previstos nesse planejamento e os intervalos divulgados pela própria Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) para dias úteis. Entre as linhas nas quais foram identificadas diferenças estão itinerários que atendem regiões como Pirajá, Mussurunga, Lapa, Patamares e Sete de Abril.

Intervalos maiores

Na linha 1328, entre as estações Pirajá e Mussurunga, por exemplo, o planejamento eleitoral estabelecia intervalos de 40 a 50 minutos. Nos dias úteis, a frequência informada pela Semob varia de 25 a 30 minutos.

Na linha 1246, que liga Pirajá a Patamares, a diferença era maior: o planejamento para o domingo previa intervalo de 70 minutos, enquanto a frequência regular indicada para os dias úteis é de 22 minutos.

Situação semelhante foi apontada na linha 141, que atende o trecho entre a Estação da Lapa e o Hospital Geral do Estado (HGE). O intervalo previsto para o dia da votação era de 55 minutos, ante 22 minutos nos dias úteis.

Divulgação

Já na linha 1324, entre a Estação Pirajá e Sete de Abril, a programação eleitoral previa intervalos de 40 a 50 minutos. A frequência indicada para os dias úteis é de 26 minutos. 

A resolução da Justiça Eleitoral estabelece a oferta gratuita do transporte coletivo no dia da votação e determina que o serviço tenha frequência compatível com a praticada nos dias úteis.

O caso provocou uma disputa política em Salvador. O PT, partido do governador Jerônimo Rodrigues e oposição ao prefeito Bruno Reis (União Brasil), acusa a gestão municipal de ter reduzido a oferta de ônibus para dificultar o deslocamento de eleitores. A Polícia Federal deve investigar o episódio após solicitação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).

O que diz Pablo Souza

O secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, afirmou nesta terça-feira (27) que a operação preparada para o segundo turno seguiu o mesmo modelo utilizado no primeiro turno. Segundo ele, o planejamento não previa a circulação de 100% da frota utilizada nos dias úteis, mas teria sido elaborado para garantir frequência suficiente para atender aos eleitores.

“A Secretaria de Mobilidade planejou a mesma operação do primeiro turno para atender ao segundo turno, com a mesma frota. Salvador nunca, em sua história, e conversei ontem com diversos gestores de mobilidade do país, que me trouxeram a informação de que outras capitais também não fizeram isso, adotou 100% da frota em um dia de eleição. A resolução do TSE não determina isso. Ela determina que a gente adote uma frequência adequada”, afirmou em entrevista à rádio Antena 1.

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Pablo também atribuiu parte dos problemas registrados no domingo à presença de apoiadores do presidente Lula nas garagens das empresas de ônibus. Segundo o secretário, veículos foram adesivados com propaganda eleitoral e houve resistência à saída de coletivos antes da colocação dos adesivos.

“Tivemos um grupo de apoiadores do presidente Lula que foi às garagens promover um adesivaço nos ônibus. Eles estavam impedindo os ônibus de sair sem que fossem colados os adesivos. As empresas, em um primeiro momento, observaram também uma colagem massiva feita por rodoviários, que têm crachá e livre acesso às garagens, com o número 13 nos ônibus. Começaram a fazer a remoção e uma liberação gradativa”, declarou.

LEIA MAIS: Restrição à prisão de eleitores termina nesta terça-feira (27); entenda

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