Supermercado de Salvador é condenado por manter câmeras em vestiário

Supermercado alegou que as câmeras serviam apenas para controle de acesso

Por Anna Caroline Santiago.

A Justiça do Trabalho condenou a rede de supermercados Bompreço Bahia ao pagar R$ 10 mil em danos morais a um funcionário auxiliar de produção. Segundo a denuncia, a empresa mantinha câmeras de segurança no vestiário do centro de distribuição.

Segundo o processo, o auxiliar de produção relatou que a presença dos equipamentos em áreas destinadas à troca de roupa gerava um ambiente de constante constrangimento entre os colaboradores.

Supermercado de Salvador é condenado por manter câmeras em vestiário.Foto: Divulgação

Em sua defesa, o Bompreço alegou que as câmeras serviam apenas para controle de acesso e, que equipamento estaria posicionado apenas na entrada do recinto.

Inicialmente, a empresa contestou que não haveria provas robustas de que as lentes alcançavam a área de desnudamento. No entanto, depoimentos de testemunhas contradisseram a versão da empresa, confirmando que os dispositivos monitoravam diretamente o corredor de armários onde ocorria a troca de uniformes.

O valor inicial da condenação, estabelecido em R$ 5 mil pela 17ª Vara do Trabalho de Salvador, foi dobrado após recurso do trabalhador. 

Decisão

Embora o juiz de primeira instância tenha considerado legal a revista visual de mochilas e o monitoramento de corredores externos, a permanência de câmeras dentro do vestiário foi classificada como abuso de direito.

Para a relatora do recurso, a desembargadora Graça Boness, a discussão sobre o ângulo exato da câmera é secundária diante da violação ética.

“É irrelevante estarem direcionadas apenas aos armários, pois a simples presença de câmeras em local destinado à troca de roupas já justifica a reparação”, pontuou a magistrada em seu voto.

Empresa de Salvador é condenada após questionar vida sexual de candidata

Uma empresa de Salvador foi condenada a pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais a uma candidata, após aplicar um questionário com perguntas íntimas durante o processo seletivo. 

Segundo o processo, durante a seleção para uma vaga na empresa de telemarketing, a mulher foi submetida a formulários que exigiam informações sobre sua saúde e comportamento pessoal. Entre os itens, a empresa questionava se a candidata sofria de depressão ou ansiedade, mantinha relações sexuais com proteção e se havia realizado exame preventivo (Papanicolau). 

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A candidata relatou que a situação causou constrangimento. Embora tenha iniciado o treinamento, ela foi dispensada pouco depois devido a problemas técnicos de conexão no sistema da empresa.

Outros casos envolvendo direitos trabalhistas

Foto: Divulgação

Doméstica de Salvador será indenizada por jornada de 64 horas semanais

Uma empregada doméstica de Salvador conquistou na Justiça o direito de receber indenização de R$ 5 mil por cumprir jornada considerada excessiva. A decisão é da 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA), que entendeu que a carga semanal média de 64 horas violava o direito ao lazer e ao repouso. Ainda cabe recurso.

Além da indenização por dano moral, o colegiado também fixou a jornada da trabalhadora com base em depoimentos que indicaram o horário de retorno das folgas no interior e o momento em que ela servia o jantar do empregador.

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