Saiba quem são os presos em operação que investiga fraude no IPTU de Salvador
Investigação contra fraude no IPTU de Salvador identificou ocultação patrimonial de mais de R$ 1,2 bilhão
Um esquema que alterava dados de imóveis no sistema da Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador (Sefaz) para reduzir o valor do IPTU levou a prisão de quatro pessoas nesta quinta-feira (17). A investigação identificou ocultação patrimonial de mais de R$ 1,2 bilhão e aponta que cerca de 700 imóveis foram beneficiados pelas fraudes entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026.

A Operação Valor Venal tem como alvo a auditora fazendária Rosicleia Sabino dos Santos. Ela não foi presa, mas teve o afastamento das funções determinado pela Justiça por 90 dias. Ela é investigada por supostamente facilitar o acesso ao sistema municipal utilizado para modificar os cadastros dos imóveis.
Entre os quatro presos estão dois despachantes, uma consultora e uma ex-servidora com vínculo terceirizado. Segundo as investigações, esta última era responsável por executar as alterações diretamente no sistema da prefeitura.
Entenda como o grupo agia
O grupo buscava proprietários de imóveis e terrenos de alto padrão e oferecia a chamada revisão do IPTU. A proposta era reduzir o valor do tributo e, em troca, os envolvidos recebiam honorários calculados sobre a economia obtida pelo cliente.
Um dos investigados atuava na captação dos proprietários. Depois de conseguir o cliente, ele o encaminhava para outro intermediário, que fazia a apresentação de duas mulheres que se identificavam como sócias de uma empresa de consultoria.
As duas participavam das negociações e formalizavam os contratos com os proprietários. Uma delas foi presa nesta quinta-feira (17). A outra é considerada foragida e ainda não havia sido localizada.

Após a contratação, os dados dos imóveis eram alterados no cadastro da Sefaz. As mudanças atingiam informações utilizadas no cálculo do valor venal, como o ano de construção e outras características das propriedades. Com a retirada ou modificação desses dados, o sistema passava a considerar um valor inferior ao real. Como consequência, o IPTU cobrado dos proprietários também era reduzido.
Imóveis tiveram valor reduzido em até 90%
De acordo com as investigações, aproximadamente 700 imóveis passaram por alterações no período investigado. Em alguns casos, a redução do valor venal chegou a 90%.
A investigação identificou ainda uma diferença superior a R$ 1,2 bilhão entre os valores reais dos imóveis e aqueles que passaram a ser registrados no sistema municipal após as alterações. O montante é tratado na investigação como ocultação patrimonial.
Um dos casos analisados envolve um imóvel avaliado originalmente em cerca de R$ 2,481 milhões. Depois da alteração cadastral, o valor registrado no sistema caiu para aproximadamente R$ 287 mil.

A mudança teve impacto direto no imposto. O IPTU, que era de cerca de R$ 29 mil, passou para aproximadamente R$ 2,8 mil.
Segundo a investigação, a fraude provocou uma perda estimada de R$ 20 milhões aos cofres públicos de Salvador entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026.
As consultoras são apontadas como responsáveis por ficar com a maior parte dos valores pagos pelos proprietários. A investigação aponta ainda que o acesso ao sistema municipal utilizado para realizar as alterações era viabilizado por meio de uma servidora pública.
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