Saiba quem é advogada presa por suspeita de beneficiar facção criminosa na Bahia
Advogada criminalista de 28 anos foi presa em Eunápolis e é investigada por suspeita de beneficiar integrantes de uma facção criminosa com atuação no sul da Bahia
Por Victor Hernandes.
A advogada Brunay Seippel Subtil Cordeiro Santos, de 28 anos, foi presa nesta quarta-feira (5), em Eunápolis, no extremo sul da Bahia, por suspeita de beneficiar uma organização criminosa que atua na região. A prisão foi realizada pela Polícia Civil durante uma operação que investiga crimes ligados ao grupo.

Segundo informações obtidas pelo Aratu On, Brunay atua como advogada criminalista, conforme descrição em suas redes sociais. Ela é investigada pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e fraude processual.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontam que a advogada teria atuado para dar aparência de legalidade à ocultação de patrimônio e à obtenção de vantagens ilícitas em benefício de integrantes de uma facção criminosa com atuação no município de Itabela.
Ainda conforme a corporação, o grupo investigado é suspeito de envolvimento em homicídios, tráfico de drogas e outros crimes violentos que impactam a segurança pública na região. Durante o cumprimento dos mandados judiciais, policiais apreenderam aparelhos eletrônicos e diversos documentos.
Todo o material passará por perícia para aprofundar as investigações, identificar possíveis coautores e reunir novas provas sobre a atuação da organização criminosa.
Prisões de advogados na Bahia
A prisão de Brunay ocorre menos de um mês após a deflagração da Operação Sintonia de Gravata, que resultou na prisão de dez advogados investigados por suspeita de integrar um esquema de comunicação entre facções criminosas que atuavam dentro do sistema prisional baiano.
As investigações da operação apontam que os profissionais seriam responsáveis por facilitar a comunicação entre detentos e integrantes das organizações criminosas em liberdade.
Segundo a investigação, os advogados utilizavam indevidamente as prerrogativas da profissão para facilitar a comunicação entre líderes de facções presos e integrantes das organizações criminosas em liberdade.
Justiça negou habeas corpus dos advogados presos
Após as prisões, o Tribunal de Justiça da Bahia negou um habeas corpus apresentado pela OAB-BA em favor dos dez advogados investigados. Na decisão, o tribunal determinou a realização de inspeção nas celas onde os presos estão custodiados para verificar se os locais atendem às exigências previstas para a Sala de Estado-Maior, direito assegurado aos advogados antes do trânsito em julgado da sentença.
Também foi determinada a verificação da existência de vagas em unidades da Polícia Militar destinadas a esse tipo de custódia.
OAB se manifesta e avalia punições após prisão de dez advogados na Bahia
A Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA) se pronunciou após a prisão dos advogados durante a Operação Sintonia de Gravata, que investiga um esquema de comunicação entre líderes de facções criminosas presos e integrantes das organizações criminosas em liberdade. Em nota pública, a OAB-BA afirmou que sua atuação durante o cumprimento dos mandados ocorreu em defesa das prerrogativas profissionais da advocacia, conforme previsto na legislação.
A presidente da Seccional, Daniela Borges, determinou que a Procuradoria Jurídica solicite ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) acesso aos autos do inquérito para acompanhar as investigações.
Segundo a entidade, após a análise da documentação, o material será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-BA, que poderá adotar as providências cabíveis, incluindo a eventual suspensão preventiva dos advogados envolvidos, conforme prevê o Estatuto da Advocacia e o Código de Ética e Disciplina
"A OAB-BA informa, ainda, que está prestando o suporte necessário para assegurar que os advogados constituídos pelos investigados tenham acesso aos autos, em observância às prerrogativas da advocacia e às garantias do contraditório e da ampla defesa", diz a nota.
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