Quase 94% dos mortos em ações policiais na Bahia são negros, diz estudo
Cerca de 93,9% das pessoas mortas em intervenções de agentes de segurança pública na Bahia eram negras
Por Bruna Castelo Branco.
Cerca de 93,9% das pessoas mortas em intervenções de agentes de segurança pública na Bahia eram negras, segundo o estudo Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã, divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança. O percentual é superior à proporção de negros na população baiana, que representa 79,7% dos habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento analisou os registros de 2025 em nove estados brasileiros: Bahia, Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Bahia registrou mais de 1,2 mil mortes por intervenção policial
Segundo o estudo, 1.243 pessoas morreram em ações policiais na Bahia em 2025, mantendo o estado pelo quinto ano consecutivo acima da marca de mil mortes provocadas por agentes de segurança.
Ainda conforme o levantamento, houve registros de mortes por intervenção policial em 346 dos 365 dias do ano, o equivalente a praticamente um caso por dia.
A pesquisa também aponta que o perfil das vítimas se repete nos estados analisados: a maioria é formada por homens negros, jovens e moradores de periferias e favelas.

Faixa etária das vítimas
Dos mortos registrados na Bahia:
- 1.043 tinham entre 18 e 29 anos;
- 152 eram adolescentes de 12 a 17 anos;
- 280 tinham entre 30 e 39 anos.
O estudo destaca que pessoas negras têm quatro vezes mais chances de morrer em intervenções policiais do que pessoas brancas.

Disputa entre facções também impacta cenário
O levantamento aponta ainda que 12 dos 417 municípios baianos concentram metade das mortes registradas no estado.
Segundo o estudo, o cenário também é influenciado pela intensa atuação de organizações criminosas na Bahia, onde mais de 20 facções disputam o controle de territórios, fator que contribui para o aumento da violência e da letalidade policial.
O que diz a SSP-BA
Em nota enviada ao Aratu On, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que "as mortes decorrentes de confrontos com as Forças Policiais apresentaram queda de 12,6% nos primeiros seis meses de 2026, na comparação com o 1° semestre do ano passado".
De acordo com a pasta, o Plano de Qualificação lançado no ano passado aumentou a oferta de cursos para as tropas, com intensificação do uso de tecnologia, e ampliou a rede de assistência psicológica para os policiais envolvidos em confrontos.
"A SSP, por fim, reafirma o compromisso da Polícia de seguir combatendo com inteligência e firmeza as facções, sempre com ações pautadas pela legalidade", finaliza.

Violência na Bahia
A Bahia continua entre os estados com maiores taxas de homicídio do Brasil, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado em maio pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o levantamento, a Bahia registrou taxa de 40,9 homicídios para cada 100 mil habitantes em 2024, a segunda maior do país, atrás apenas do Amapá, que apresentou índice de 45,7.
Em números absolutos, a Bahia registrou 6.061 mortes violentas em 2024, o maior do país e à frente de estados mais populosos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Segundo o estudo, Pernambuco aparece na segunda posição nacional, com 3.534 homicídios registrados em 2024. O número baiano representa 71,5% a mais do que o contabilizado pelo estado vizinho.
Apesar do número absoluto elevado, o Atlas também aponta redução nos homicídios na Bahia em comparação com anos anteriores. O estado foi um dos que apresentaram maior queda absoluta no número de assassinatos em 2024, com 555 mortes a menos em relação ao ano anterior.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
