Bahia reduz número de homicídios, mas mantém alta taxa de violência letal
A Bahia continua entre os estados com maiores taxas de homicídio do Brasil, segundo o Atlas da Violência 2026
Por Bruna Castelo Branco.
A Bahia continua entre os estados com maiores taxas de homicídio do Brasil, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o levantamento, a Bahia registrou taxa de 40,9 homicídios para cada 100 mil habitantes em 2024, a segunda maior do país, atrás apenas do Amapá, que apresentou índice de 45,7.
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Em números absolutos, a Bahia registrou 6.061 mortes violentas em 2024, o maior do país e à frente de estados mais populosos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Segundo o estudo, Pernambuco aparece na segunda posição nacional, com 3.534 homicídios registrados em 2024. O número baiano representa 71,5% a mais do que o contabilizado pelo estado vizinho.
Apesar do número absoluto elevado, o Atlas também aponta redução nos homicídios na Bahia em comparação com anos anteriores. O estado foi um dos que apresentaram maior queda absoluta no número de assassinatos em 2024, com 555 mortes a menos em relação ao ano anterior.
Taxa de homicídios por 100 mil habitantes em cada estado:
Acre — 20,2 homicídios por 100 mil habitantes;
Alagoas — 35,9;
Amapá — 45,7;
Amazonas — 32,2;
Bahia — 40,9;
Ceará — 34,3;
Distrito Federal — 10,3;
Espírito Santo — 26;
Goiás — 18,4;
Maranhão — 31,1;
Mato Grosso — 29,1;
Mato Grosso do Sul — 18,3;
Minas Gerais — 12,8;
Pará — 27,4;
Paraíba — 25,7;
Paraná — 18,6;
Pernambuco — 37,3;
Piauí — 20,6;
Rio de Janeiro — 20,4;
Rio Grande do Norte — 23,5;
Rio Grande do Sul — 15,2;
Rondônia — 30,3;
Roraima — 27,8;
Santa Catarina — 8,1;
São Paulo — 6,6;
Sergipe — 23;
Tocantins — 19,8.
Número de homicídios caiu no Brasil
Em nível nacional, o Brasil alcançou em 2024 a menor taxa de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014.
O país registrou 20,1 assassinatos por 100 mil habitantes, uma queda de 7,4% em comparação com 2023.

Em números absolutos, foram contabilizados 42.590 homicídios em 2024, redução de 6,9%.
A pesquisa foi elaborada com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde.
Nordeste concentra cidades mais violentas
O Atlas também aponta forte desigualdade regional na violência letal.
Entre os 20 municípios com mais de 100 mil habitantes considerados mais violentos do país, 17 estão localizados no Nordeste.

Já as 20 cidades menos violentas concentram-se exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.
Segundo os pesquisadores, fatores como desigualdade econômica, presença do crime organizado, dinâmica demográfica e capacidade institucional ajudam a explicar as diferenças entre os estados.
Homicídios ocultos preocupam pesquisadores
O levantamento ainda aponta aumento significativo dos chamados homicídios ocultos — casos em que mortes violentas não são oficialmente classificadas como assassinatos.
Em 2024, o país registrou 17.207 mortes violentas sem causa determinada. Segundo a metodologia do Ipea, cerca de 7.083 desses casos correspondem, na prática, a homicídios não identificados oficialmente.
O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, afirmou que a subnotificação dificulta o combate à violência no país. “O modelo acha, probabilisticamente, padrões de letalidade (homicídio ou não homicídio), olhando as características das vítimas e das situações em que aconteceram os fatos”, explicou o pesquisador.
Entre 2014 e 2024, o Brasil registrou 55.212 homicídios ocultos, com uma média anual de 5.019,3 casos. Já o total de homicídios alcançou 638.805 no período.

Os homicídios estimados tiveram distribuição territorial desigual em 2024, com as maiores taxas observadas no Amapá (47,1), Ceará (43,7), Bahia (42,6), Alagoas (39,8) e Pernambuco (38,6).
Já os menores níveis ocorreram em Santa Catarina (8,8), que segue na posição de estado com menor letalidade no país. Em seguida, estão Distrito Federal (10,9), São Paulo (12,8), Rio Grande do Sul (15,9) e Minas Gerais (18,5).
No período de 2014 a 2024, a taxa estimada nacional caiu 26,9%, indicando melhora relevante em relação ao início da série. Apesar disso, o Atlas indica que permanecem casos de agravamento ou de melhora insuficiente.
O Amapá foi o estado com maior aumento da taxa estimada no período (+24,3%), seguido por Pernambuco (+0,8%). No sentido inverso, as maiores reduções ocorreram no Distrito Federal (-64,8%), em Goiás (-56,9%), em Sergipe (-53,4%), no Rio Grande do Norte (-46,7%) e em Alagoas (-39,6%).
O que diz a SSP-BA
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) destacou que as mortes violentas apresentaram reduções consecutivas nos últimos três anos no estado, entre 2023 e 2025.
Segundo a pasta, em 2024 — ano-base do Atlas da Violência 2026 — houve queda de 8,7% nos registros de crimes graves contra a vida, como homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.

A SSP também ressaltou os investimentos realizados pelo Governo do Estado na área da segurança pública, incluindo modernização, qualificação e ampliação dos efetivos policiais.
De acordo com a secretaria, mais de 9,5 mil policiais, peritos e bombeiros foram contratados nos últimos três anos, além da construção de novas unidades, aquisição de viaturas, armamentos e softwares de investigação.
“A SSP enfatiza que as ações de combate à criminalidade continuarão norteadas pela inteligência e intensificadas em todo o território baiano”, afirmou a pasta em nota.
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