Motorista baleado por PM relata o que aconteceu e diz que ficará meses sem andar: 'Não vou conseguir trabalhar'
Motorista baleado por PM em Salvador diz que precisará passar por nova cirurgia e deve ficar dois a três meses sem andar após o disparo
Por Dinaldo dos Santos.
O motorista baleado por um policial militar após uma briga de trânsito em Salvador ainda está internado, deverá ficar pelo menos dois meses sem conseguir andar e, consequentemente, sem condições de trabalhar, além disso terá de passar por uma nova cirurgia.
A informação foi passada por ele, durante entrevista ao telefone para o programa Alô Juca, da TV Aratu, Cirilo Marques de Carvalho, de 27 anos, atua como motorista de aplicativo e também realiza entregas.

O caso aconteceu no dia 24 de agosto, na Avenida Luís Viana Filho, a Paralela, nas proximidades da saída para o metrô, no sentido São Rafael. Segundo o relato de Cirilo, ele havia acabado de deixar uma indicação na região do São Rafael e seguia trabalhando quando sentiu uma colisão na traseira do veículo.
De acordo com o motorista, após parar o carro, houve uma segunda batida, desta vez na lateral esquerda. Foi então que o homem que estava no outro veículo desceu e passou a exigir que ele saísse do automóvel.
Motorista baleado relata momentos de tensão
Cirilo contou que ficou dentro do veículo porque percebeu que o homem estava armado e usava um distintivo de policial pendurado no pescoço. Segundo ele, o PM estava à paisana e dirigia um carro particular.
O motorista afirmou que tentou explicar que não poderia sair porque o banco do passageiro estava ocupado por encomendas que seriam entregues. Ele também disse ter abaixado os vidros do veículo para mostrar que não representava uma ameaça.
Ainda segundo o relato, diante do comportamento exaltado do policial, Cirilo pegou o celular para registrar a situação. A gravação, que passou a ser divulgada após o episódio, mostra o momento em que o PM se aproxima e tenta pegar o aparelho.
O motorista afirmou que, depois que a gravação foi interrompida e o celular caiu no chão, o policial teria tentado retirá-lo à força do veículo. "Ele tentou, tentou, tentou me puxar do carro, não conseguiu", relatou Cirilo durante a entrevista.
Segundo a vítima, cerca de dez segundos depois, o policial sacou a arma e efetuou o disparo. Cirilo afirmou que ainda estava sentado no banco do motorista quando foi atingido.
Motorista fica afastado do trabalho por meses
O impacto do episódio não se limita às consequências físicas. Cirilo afirmou que trabalha praticamente todos os dias e que a necessidade de uma nova cirurgia deverá interromper sua atividade profissional por um período ainda indefinido. "Eu infelizmente não vou conseguir trabalhar durante esse período", disse.
O motorista relatou que os médicos já o avisaram de que deverá permanecer sem andar por pelo menos dois meses. Ele estima que o processo de recuperação possa levar 90 dias ou até mais, dependendo da evolução do quadro.
A situação é especialmente relevante porque a atividade profissional de Cirilo depende diretamente de sua mobilidade. Além de trabalhar como motorista de aplicativo, ele fazia entregas e, no dia do episódio, transportava encomendas da Amazon no veículo.
Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde permanece internado.
Motorista baleado por PM fica sem poder trabalhar. pic.twitter.com/l3zi3djRuU
— Aratu On (@aratuonline) September 2, 2026
PM foi preso após o caso
O policial militar apontado como responsável pelo disparo foi identificado como Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim. Conforme informações obtidas pelo Aratu On, ele é lotado na 31ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), responsável pelo policiamento da região de Valéria, em Salvador.
Durante a entrevista, Cirilo confirmou ter tomado conhecimento da prisão do policial. Segundo informações apresentadas no programa, o PM seria encaminhado ao Batalhão de Choque.
O motorista também já havia passado por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML). Na ocasião, a advogada Monica Santana explicou que o procedimento tinha como objetivo documentar as lesões provocadas pelo disparo, avaliar a extensão dos danos e verificar eventual incapacidade para o trabalho.
LEIA MAIS: Veja quem são os seis presos suspeitos de extorsão e tráfico de drogas no Farol da Barra
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).