Manobrista diz que limpava piscina de academia seguindo ordens por WhatsApp
Mulher de 27 anos morreu no sábado (7) após passar mal em piscina de academia em SP. Polícia investiga manipulação inadequada de produtos químicos na limpeza
Por Júlia Naomi.
O funcionário responsável pela manutenção da piscina da academia onde aluna passou mal e, posteriormente, veio a óbito, afirmou à polícia que limpava o espaço seguindo ordens enviadas pelo WhatsApp por um dos sócios da Academia C4 Gym, localizada em São Paulo. O homem era contratado como manobrista, mas relata acúmulo de funções.

Severino José da Silva, de 43 anos, se apresentou voluntariamente à polícia e prestou depoimento na manhã de terça-feira (10), no 42° Distrito Policial do Parque São Lucas, que investiga o caso. Os donos da academia também deverão prestar esclarecimentos.
A morte da professora Juliana Faustino Basseto, de 27 anos, ocorreu no sábado (7), após deixar uma aula de natação por estar passando mal. Ela foi levada pelo marido ao Hospital Santa Helena, em Santo André, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
A principal suspeita das autoridades é que a manipulação inadequada de produtos químicos próximo à área de aula, em um ambiente fechado e com pouca ventilação, tenha provocado a liberação de gases tóxicos.
Outros cinco alunos também apresentaram sinais de intoxicação, inclusive Vinícius Oliveira, 31, marido da professora, que está internado em estado grave na UTI com insuficiência respiratória.
Depoimento do manobrista que limpava piscina da academia
Segundo o depoimento, Severino trabalha há três anos na academia e tinha registro em carteira como manobrista, mas, por determinação do sócio da academia também era responsável por abrir a unidade e fazer a manutenção das piscinas. O homem, identificado como Celso, orientava o uso de produtos químicos por mensagens, a partir de fotos dos testes de água enviados pelo manobrista.
Severino afirmou que nunca recebeu equipamentos de proteção individual (EPIs) nem habilitação técnica para manusear produtos químicos, apesar de realizar a manutenção rotineira da piscina.

Ele também declarou que aprendeu o procedimento de limpeza com o antigo manobrista, que executava a mesma função, e que o proprietário sabia de sua falta de conhecimento técnico.
De acordo com o relato à polícia, na quinta-feira anterior ao incidente, o manobrista percebeu que a água estava turva e comunicou ao proprietário. Na sexta-feira (6), recebeu a ordem para aplicar cloro na piscina grande após a última aula de natação.
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No sábado, a água permanecia turva e Celso solicitou nova testagem e orientou a aplicação de seis a oito medidas do produto HIDROALL Hiperclor 60, mesmo com alunos dentro da piscina.
Severino relatou que preparou a solução com seis medidas do produto em um balde com água da própria piscina, mas não chegou a despejar o produto na água. Ele contou que deixou o recipiente há cerca de 2 metros da borda da piscina e retornou ao trabalho como manobrista. Não há informação se alguém chegou a jogar o produto na piscina.
Passados dez minutos, o funcionário percebeu uma movimentação incomum na academia e sentiu forte cheiro de cloro. Ele afirma ter visto uma mulher sentada na recepção, amparada pelo marido, e um pai socorrendo um filho adolescente. Os professores foram avisados e retiraram os alunos da piscina.

Socorro
Uma viatura da Guarda Civil Metropolitana que passava pela rua foi acionada para ajudar no socorro. A recepcionista da academia fez ligações para o Samu e o corpo de bombeiros, mas segundo o depoimento, nenhuma equipe chegou ao local e as vítimas foram socorridas por meios próprios.
Severino disse ter apresentado dificuldade respiratória e irritação na garganta e nos olhos e relatou ter tentado entrar em contato com Celso assim que percebeu que as pessoas estavam passando mal, mas não obteve resposta. Segundo ele, o retorno veio às 14h11, após o local ter sido evacuado. Ao ser informado do ocorrido, o proprietário teria respondido "paciência".
O funcionário ressaltou que utilizou apenas o produto HIDROALL Hiperclor 60, que teria sido adotado recentemente pelo proprietário do estabelecimento. Antes, um outro produto era utilizado.
Ele também afirmou que, em uma ocasião em que a piscina apresentou problemas, um técnico que fez a manutenção ofereceu serviços permanentes, mas Celso optou por manter a limpeza da piscina sob responsabilidade de Severino. As informações são da TV Globo, que teve acesso ao depoimento, e do g1 São Paulo.
O que diz a academia
Em nota publicada nas redes sociais, a direção da academia “lamentou profundamente o ocorrido em sua unidade no último sábado (07/02) e informa que prestou imediato atendimento a todos os envolvidos e que mantém contato direto com alunos e familiares para oferecer todo o suporte necessário”.
A gestão disse que está “colaborando integralmente com as autoridades competentes, contribuindo com todas as etapas da investigação em andamento”. A academia também informou que possui Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), regularidade junto ao Conselho Regional de Educação Física (CREF) e alvará da Vigilância Sanitária válido desde 2023.
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