Após audiência de custódia, mãe de jovem morta no Imbuí diz que quer suspeito solto: “Ele preso, está guardado”
A mãe de Brenda Nicole, morta durante um assalto no Imbuí, afirmou que não deseja que o suspeito do crime permaneça preso
Por Bruna Castelo Branco.
A mãe de Brenda Nicole Alves Brandão, de 21 anos, morta durante um assalto no bairro do Imbuí, em Salvador, afirmou que não deseja que o suspeito do crime permaneça preso. Ao Aratu On, Rose Tatiane dos Santos Alves, que é policial militar e mãe da vítima, disse que prefere que Ricardo Neri Melo Júnior, de 24 anos, responda ao caso em liberdade.
“Na verdade, eu quero ele solto. Enquanto muita gente quer ele preso, eu como policial militar, mãe da minha única filha, quero ele solto. Ele preso, está guardado. Os próximos passos estão na mão da Justiça”, afirmou.

Ricardo foi autuado em flagrante pela Polícia Civil na segunda-feira (7), após se apresentar acompanhado de um advogado e confessar o envolvimento na morte de Brenda. Ele passou por audiência de custódia nesta quarta-feira (9) e continuou preso, à disposição do Poder Judiciário.
Mãe relata rotina ao lado da filha
Brenda foi morta na madrugada de domingo (6), na Avenida Jorge Amado, no Imbuí. A jovem estava na garupa de uma motocicleta com o namorado quando foi abordada por um criminoso armado.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o suspeito teria anunciado o assalto e exigido o celular da vítima. Após entregar o aparelho, Brenda foi atingida por um disparo no rosto. Em seguida, o homem fugiu.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas e realizaram manobras de reanimação, mas Brenda não resistiu. A morte foi constatada ainda no local.
A jovem era estudante de Direito e também empreendedora. Ela mantinha uma loja virtual de moda praia. Brenda era filha de dois policiais militares.

Rose Tatiane contou que as duas moravam juntas e mantinham uma relação próxima. Segundo a mãe, a rotina da filha era dividida entre os estudos e o trabalho.
“É muito difícil para mim, moro só eu e minha filha. Minha filha ser tudo para mim. É difícil entrar nessa casa sem ver ela. A gente era muito presa uma à outra. Protejo, a gente morava bem à beira-mar. A semana dela era toda preenchida com estudo e com trabalho.”
A mãe também relatou que a morte de Brenda trouxe consequências práticas para a vida financeira e patrimonial da família.
“Tudo meu é no nome dela. A casa está no nome dela. Vou ter que entrar na Justiça para desbloquear toda a conta dela. Toda a minha vida era com ela, tudo era Brenda. Sempre disse para ela: você é a minha confiança.”
Suspeito continua preso
Ricardo se apresentou à polícia na noite de segunda-feira (7), acompanhado de um advogado. Ele foi ouvido e teve o auto de prisão em flagrante formalizado. Com o suspeito, foram apreendidos uma motocicleta que teria sido utilizada no crime e um aparelho celular.
A ação foi realizada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR/Salvador), unidade do Departamento Especializado em Investigações Criminais (DEIC). Guias para perícia foram expedidas.

Após a audiência de custódia desta quarta-feira, Ricardo continuou preso.
A Polícia Civil informou que diligências e oitivas seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias do crime.
Apesar de afirmar que não deseja a manutenção da prisão do suspeito, Rose Tatiane disse esperar que o caso tenha uma solução rápida. “Desejo que a Justiça seja feita o mais rápido possível”, afirmou.
Ricardo já havia sido preso
Em dezembro de 2024, Ricardo foi preso em flagrante por receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. A prisão aconteceu no bairro de Nova Sussuarana, onde ele mora, um dia após uma motocicleta que teria sido utilizada por ele ser identificada com restrição de roubo.
De acordo com registro da Polícia Civil, por volta das 17h do dia 13 de dezembro de 2024, policiais militares abordaram Ricardo enquanto ele conduzia uma motocicleta na região de Nova Sussuarana. O veículo apresentava sinais de adulteração e possuía restrição de roubo registrada em 14 de novembro daquele ano.
Após a prisão, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) se manifestou pela homologação do flagrante e foi favorável à concessão de liberdade provisória, desde que fossem aplicadas medidas cautelares.
Jovem era filha de policiais militares
Brenda era estudante de Direito e também empreendedora. Ela mantinha uma loja virtual de moda praia, na qual comercializava produtos como biquínis e outros acessórios.
A jovem era filha de dois policiais militares. A mãe, a sargento Rose Tatiane dos Santos Alves, está na ativa e trabalha no Batalhão de Policiamento Tático de BTS/Rondesp Atlântico. O pai de Brenda é um sargento da reserva da Polícia Militar.
O caso é investigado pela Polícia Civil como latrocínio.
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