Feminicídios com arma de fogo crescem 52% em 2025; Salvador registra 11 casos
Feminicídios com arma de fogo avançam nas regiões metropolitanas, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, com ocorrências mapeadas em Salvador e RMS
Por Ananda Costa.
Os feminicídios com arma de fogo aumentaram de forma expressiva em 2025 nas regiões metropolitanas de grandes capitais do país. Dados do Instituto Fogo Cruzado indicam que 50 mulheres cis e trans foram vítimas desse tipo de crime ao longo do ano, número 52% maior do que o registrado em 2024, quando houve 33 ocorrências.

Salvador e a Região Metropolitana aparecem entre as áreas com maior número de casos, somando 11 registros em 2025. Um dos crimes ocorreu no bairro Moradas da Lagoa, onde Rayane Barreto Marques dos Santos, de 20 anos, foi morta a tiros dentro do apartamento em que vivia, no Residencial Lagoa da Paixão. O principal suspeito é o namorado da vítima.
Outro episódio foi registrado na capital baiana em novembro, quando Joseane Cássia dos Santos foi encontrada morta dentro de um carro estacionado em um supermercado na Avenida Elmo Serejo de Farias, no bairro da Cia I. De acordo com as informações levantadas, um homem localizado sem vida no mesmo local teria efetuado os disparos.
O levantamento considera ocorrências nos 57 municípios das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém e reforça o crescimento da violência armada contra mulheres nesses territórios
O estudo também revela que parte dos feminicídios com arma de fogo envolve profissionais da área de segurança pública. Em 2025, 12 casos tiveram participação de agentes de segurança, o que representa, em média, uma ocorrência a cada quatro registros desse tipo. Em 2024, foram contabilizados oito episódios com esse perfil.
Feminicídios na Bahia

A Bahia registrou 97 casos de feminicídio entre janeiro e 8 de dezembro de 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-BA). O número revela a permanência da violência de gênero em diferentes regiões do estado ao longo do ano, com maior concentração de ocorrências nos meses de abril e novembro.
Salvador lidera o ranking de municípios com mais registros, totalizando dez feminicídios. Em seguida aparecem Feira de Santana, com cinco casos, e Camaçari, com quatro. Os dados reforçam que a violência contra mulheres não se restringe ao interior ou à capital, mas se distribui de forma ampla pelo território baiano.
O crime mais recente ocorreu no dia 6 de dezembro, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste do estado. A jovem trans Rhianna Alves, de 18 anos, foi morta com um golpe conhecido como “mata-leão”. O suspeito, Sérgio Henrique Lima dos Santos, de 19 anos, apresentou-se à delegacia com o corpo da vítima e foi inicialmente liberado após alegar legítima defesa.
A condução do caso gerou repercussão nacional e críticas de entidades de direitos humanos, especialmente diante da liberação do suspeito, que acabou preso e indiciado quatro dias depois.
A deputada federal Erika Hilton (Psol) anunciou que denunciou ao Ministério Público um delegado e o suspeito de matar uma mulher trans.
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