Entenda o que estagiários do INSS de Salvador faziam nos sistemas antes de um deles ser preso pela PF
Estagiários do INSS de Salvador são investigados e um deles foi preso pela Polícia Federal; saiba o que eles faziam
Por Liven Paula.
Estagiários do INSS de Salvador são investigados por suspeita de utilizar indevidamente os sistemas do órgão para alterar dados de benefícios previdenciários. Um dos envolvidos foi preso temporariamente pela Polícia Federal (PF) na terça-feira (25), durante a Operação Representante Ilegal. Segundo as investigações, 97 benefícios foram fraudados, gerando um prejuízo estimado em R$ 3,5 milhões.

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A investigação começou há cerca de quatro meses, após a PF identificar movimentações consideradas suspeitas nos sistemas de uma Agência da Previdência Social localizada em Itapuã, em Salvador. As apurações apontaram que os investigados teriam utilizado acessos vinculados a servidores para fazer alterações que não deveriam realizar.
Estagiários do INSS de Salvador faziam alterações nos benefícios
De acordo com a investigação, os estagiários teriam cadastrado representantes legais em benefícios previdenciários sem autorização ou conhecimento dos titulares. Com a alteração, essas pessoas poderiam realizar movimentações relacionadas aos benefícios, incluindo o recebimento de pagamentos mensais e valores retroativos.
A inclusão de representantes legais é prevista para situações específicas, como quando o beneficiário não possui condições de administrar o próprio benefício. Segundo as apurações, porém, os cadastros investigados teriam sido realizados de maneira irregular.
Outra prática identificada foi a reativação de benefícios que estavam suspensos. A medida poderia gerar o pagamento de valores atrasados, que posteriormente seriam movimentados pelos representantes cadastrados.
Prova de vida também entrou na investigação
A PF também identificou alterações relacionadas à chamada “renovação de fé de vida”, procedimento utilizado para confirmar que o beneficiário continua vivo.
Segundo a investigação, a modificação permitia que benefícios continuassem sendo pagos mesmo quando não havia a comprovação regular da prova de vida. Entre os casos analisados estavam beneficiários com idade superior a 100 anos.
Os representantes legais incluídos nos benefícios também estavam registrados em diferentes estados brasileiros, o que levantou a possibilidade de uma atuação interestadual do grupo investigado.
Durante o avanço das apurações, a PF também identificou benefícios que apresentavam indícios de irregularidades desde a própria concessão.
Entre os casos investigados estão situações em que dados de pessoas que teriam direito à aposentadoria, mas ainda não haviam solicitado o benefício, teriam sido utilizados para viabilizar pagamentos indevidos.
Também foram identificadas pensões por morte com o cadastramento de dependentes que não seriam reais, permitindo a geração e o recebimento de valores retroativos.
Estagiários usavam credenciais de servidores
As investigações apontaram ainda que os acessos utilizados para realizar parte das alterações pertenciam a servidores do INSS. O uso dessas credenciais teria permitido a realização de procedimentos nos sistemas que não estavam autorizados aos investigados.
A PF avalia que o prejuízo poderia ser ainda maior caso o esquema não tivesse sido interrompido.
Servidor do INSS é alvo da PF suspeito de receber propina para prorrogar benefícios
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (19) a Operação Colina para desarticular um esquema de fraudes na manutenção e prorrogação indevida de benefícios previdenciários por incapacidade.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Salvador, Nazaré e Vera Cruz, na Bahia, expedidos pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia.
Segundo as investigações, iniciadas a partir de relatórios da Coordenação de Inteligência Previdenciária (COINP/MPS), um servidor do INSS em Salvador é suspeito de realizar remarcações e adiamentos indevidos de perícias médicas.
As manobras impediriam a avaliação dos segurados por peritos oficiais, permitindo a continuidade irregular do pagamento de auxílios-doença.
A apuração identificou ainda casos de adiamentos justificados de forma falsa, como “falta de atendimento médico”, mesmo com o funcionamento normal das unidades no dia.
A análise de dados e quebras de sigilo bancário apontou movimentações financeiras suspeitas. A PF suspeita que intermediários recebiam valores de beneficiários e repassavam parte dos recursos ao servidor responsável pelas alterações nos sistemas do INSS.
Os investigados podem responder por inserção de dados falsos em sistema de informações, corrupção passiva e outros crimes que possam ser identificados ao longo do inquérito.
O material apreendido será periciado para dimensionar o prejuízo aos cofres públicos e identificar possíveis novos envolvidos no esquema.
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