Delegado é preso por fraude e aduteração ao usar carro de luxo na Bahia
Segundo decisão do TJ-BA, Odilson Pereira Silva teria usado o veículo que estava sob sua responsabilidade em um inquérito e tentado trocar a placa durante abordagem da Corregedoria
Por Victor Hernandes.
O delegado Odilson Pereira Silva foi preso na Bahia em flagrante, suspeito de fraudes, peculato e adulteração. Conforme decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), obtida pelo Aratu On nesta segunda-feira (10), ele teria utilizado, para proveito pessoal e familiar, uma Toyota Hilux apreendida em um inquérito policial que estava sob sua responsabilidade.

Segundo a decisão, o veículo circulava com uma placa adulterada, que pertencia a uma picape Volkswagen Saveiro. Ainda conforme o documento, no momento da abordagem realizada pela Corregedoria da Polícia Civil, o delegado teria tentado ocultar a irregularidade.
Ele teria trancado o portão da própria residência e trocado a placa do veículo na garagem. A Justiça apontou que Odilson descumpriu o dever de preservar bens apreendidos sob sua responsabilidade funcional e teria utilizado a posição que ocupava para obter vantagem indevida com o patrimônio custodiado.
Justiça converte prisão do delegado em preventiva
Após a prisão em flagrante, a Justiça decidiu não conceder liberdade provisória a Odilson Pereira Silva e converteu a prisão em preventiva. Segundo a decisão, a medida foi baseada na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal.
A juíza considerou que a conduta do delegado durante a abordagem demonstra risco de interferência na produção de provas. Conforme o documento, ele poderia destruir ou ocultar evidências ainda não arrecadadas, além de influenciar subordinados. A magistrada também destacou o elevado grau de “ousadia e desprezo pelas instituições” atribuído à conduta investigada, já que o delegado teria utilizado para fins pessoais e familiares um veículo que estava sob sua própria custódia funcional e vinculado a um inquérito que ele presidia.
Medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica, foram consideradas inadequadas e insuficientes. A decisão aponta que o delegado possui acesso privilegiado a sistemas de informação e procedimentos investigativos estatais.
Outro delegado da Bahia é investigado por suspeita de propina
O caso de Odilson ocorre após outro delegado da Polícia Civil da Bahia ser preso sob suspeita de cobrar vantagens ilegais de garimpeiros e movimentar cerca de R$ 12 milhões em contas bancárias. José Marcelo foi preso na quarta-feira (5), em Euclides da Cunha, no norte da Bahia. Ele já era investigado desde agosto de 2025, quando foi alvo da Operação Ouro Tolo, que apura um suposto esquema de cobrança e pagamento de propinas envolvendo garimpeiros.
Na ocasião, o delegado foi afastado das funções por 90 dias e teve a posse de arma de fogo suspensa. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão relacionado à investigação, os agentes encontraram cerca de R$ 90 mil em espécie.
Os autos também reúnem denúncias sobre uma possível relação entre a delegacia comandada por José Marcelo e criminosos que atuavam na região, incluindo suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. Mensagens extraídas de aplicativos de comunicação teriam revelado conversas nas quais o delegado orientava um advogado a falsificar documentos para possibilitar a liberação de valores apreendidos.
As suspeitas fazem parte das investigações que levaram à prisão do delegado. O caso segue sob apuração das autoridades.
Operação contra garimpo ilegal destruiu estruturas na Bahia
Uma operação da Polícia Federal (PF), em conjunto com a Polícia Especializada da Caatinga, contra o garimpo ilegal resultou na destruição de mais de 150 estruturas no Parque Nacional do Boqueirão da Onça, em Sento Sé, no norte da Bahia. As autoridades utilizaram imagens de satélite e drones para monitorar e mapear as estruturas antes da ação. No local, também foram inutilizadas máquinas e equipamentos utilizados na atividade ilegal.
A área é considerada uma das mais importantes para a conservação do bioma Caatinga e passou a ser intensamente explorada desde 2017, após a descoberta de ametista em uma profundidade relativamente rasa.
Delegado é investigado por mortes durante abordagem policial
Outro caso envolve o delegado Gilmar Pereira Nogueira, conhecido como “Tingão”. Ele passou a ser investigado por suspeita de envolvimento direto nas mortes de oito pessoas, entre elas três adolescentes, durante uma abordagem policial ocorrida em 30 de julho de 2023, no Morro do Tigre, em Itatim, a cerca de 214 quilômetros de Salvador. Antes de atuar como delegado, Gilmar exerceu dois mandatos consecutivos como prefeito de Itatim, entre 2012 e 2020.
Em 2008, quando era delegado em Milagres, na Bahia, ele também foi envolvido em um caso de tortura. Segundo as acusações, ele e outros agentes teriam agredido e aplicado choques elétricos em suspeitos sob custódia. A Operação Sangue Oculto, deflagrada em 7 de junho de 2024 pelo Ministério Público estadual, por meio do Gaeco/Geosp, em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar, cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em municípios baianos.
Foram apreendidos celulares, documentos e armas. Policiais militares foram afastados após surgirem indícios de que as vítimas teriam sido executadas e que a cena do crime teria sido alterada. Em 11 de julho de 2025, novos mandados foram cumpridos em residências e no local de trabalho de Gilmar Nogueira.
Na ocasião, foram apreendidos dispositivos eletrônicos que podem conter evidências sobre uma eventual participação dele no planejamento e na execução da ação que resultou nas mortes.

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