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Cafeteria suspende funcionamento após denúncia de racismo durante festival em Salvador

Espaço interrompeu as atividades até a próxima segunda-feira (3) após denúncia de racismo envolvendo participantes do Melanina Acentuada Festival

Por Victor Hernandes.

A Cafeteria Tropicália Gelato e Café suspendeu temporariamente o funcionamento durante o Melanina Acentuada Festival, em Salvador. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (30), por meio das redes sociais do estabelecimento e da organização do evento, após uma denúncia de racismo envolvendo participantes do festival.

Cafeteria Tropicália Gelato E Café Suspendeu O Funcionamento Após Denúncia De Racismo Envolvendo Participantes Do Melanina Acentuada Festival

Segundo a denúncia, integrantes do evento teriam sido constrangidos ao receberem um pedido para deixar a área da cafeteria destinada aos clientes e visitantes. O episódio foi classificado pela organização do festival como um caso de discriminação racial.

Em nota, o Melanina Acentuada Festival afirmou que "se sustenta no compromisso com a equidade racial, a diversidade e a defesa dos direitos humanos" e declarou que não se omitirá diante de qualquer denúncia de racismo.

Já a cafeteria negou que o episódio tenha motivação racial. De acordo com o estabelecimento, participantes do festival ocuparam mesas destinadas aos clientes e informaram que não fariam consumo no local.

A empresa explicou que, diante da situação, um garçom solicitou a desocupação das mesas por uma questão exclusivamente comercial. Após a repercussão do caso, a cafeteria anunciou a suspensão imediata e irrestrita das atividades, com previsão de reabertura na próxima segunda-feira (3).

Casos de racismo em Salvador

O episódio ocorre meses após outro caso de repercussão na capital baiana. Em janeiro deste ano, uma turista de 50 anos, natural do Rio Grande do Sul, foi presa em Salvador, suspeita de cometer injúria racial contra uma comerciante no Pelourinho. Segundo a Polícia Civil, a mulher teria proferido ofensas de cunho racial e cuspido na vítima durante a ocorrência. 

Agentes da Polícia Militar conduziram a suspeita à unidade policial especializada. Ainda segundo a polícia, mesmo após a detenção, a mulher manteve comportamento discriminatório ao exigir atendimento exclusivo por um delegado de pele branca.

A comerciante e testemunhas foram ouvidas durante os procedimentos realizados na Decrin. Após as oitivas, a turista permanece custodiada e está à disposição do Poder Judiciário.

Gisele já visitou a capital baiana diversas vezes.  Em publicações no Instagram, a suspeita, que se diz criadora de conteúdo para viajantes, diz ser "Baianucha": "Sou baianucha, sangue gaúcho, amor baiano". A gaúcha, que publica fotos na capital baiana há anos, está em Salvador pelo menos desde a Lavagem do Bonfim, e postou selfies ao lado de baianas de acarajé e Filhos de Gandhi, com legendas como: "O que é que a baiana tem" e "Salvador, meu amor".

A comerciante Hanna Rodrigues, de 26 anos, vítima do crime, contou ao Aratu On, com exclusividade, detalhes de como o ataque racista aconteceu.

Segundo Hanna, tudo começou no momento em que um grupo de clientes do bar pediu cerveja. "Quando fui até o bar, ela já estava chamando os atendentes de lixo. Peguei o produto do cliente, passei ao lado dela, e ela falou: 'Mais um lixo'. [...] Depois, eu voltei, e perguntei: 'A senhora me chamou de quê?'. E ela: 'De lixo'. E eu falei: lixo é você", relatou.

Após a discussão, Gisele se encaminhou até a porta do estabelecimento para ir embora, mas, antes de sair, se virou para trás e cuspiu na vítima.

"Ela escarrou e cuspiu em mim. Eu tirei o rosto, mas o cuspe acabou pegando no meu pescoço. Me abaixei e limpei o rosto, e acabei perdendo ela de vista. Com isso, fiquei desesperada, procurando ela. Quando encontrei, ela já estava envolvida em outro conflito, com seguranças já segurando ela. [...] Ela dizia a todo tempo: 'Eu sou branca, eu sou branca', e o segurança, bem paciente, esperando o tempo dela",

Outra caso ocorreu em abril deste ano, quando a Polícia Militar prendeu uma idosa de 74 anos por um ato racista. A mulher, que relatou ser de Brasília, estaria na Orla entre os bairros do Rio Vermelho e Ondina, quando o episódio foi registrado. 

Ao chegar na Central de Flagrantes, no bairro dos Barris, ela disse à polícia que veio visitar a filha que mora na capital baiana. A mulher informou que foi acusada por um homem após afirmar que no Distrito Federal só teria pessoas brancas. 

Ainda em abril, a Justiça determinou a prisão preventiva de Aretuza Vieira Vila Henrique. Ela foi presa na madrugada deste domingo (27), pelo crime de racismo contra um segurança, na boate ‘Borracharia’, no bairro do Rio Vermelho.

Na ocasião, a mulher de 52 anos chamou o colaborador de ‘macaco' dentro do estabelecimento. Após passar por audiência de custódia nesta segunda, Aretuza obteve sua prisão flagrante convertida em prisão preventiva.

A informação foi confirmada pelo delegado da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa - DECRIN, Ricardo Amorim, em entrevista à TV Aratu. Segundo a reportagem, Vieira foi transferida para o presídio feminino no complexo da Mata Escura. 

A Borracharia

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