Salvador recebe estudo que permite prescrição de PrEP por jovens

Projeto permite educadores pares a prescrever PrEP e amplia acesso à prevenção do HIV entre jovens de 15 a 24 anos

Por Anna Caroline Santiago.

Salvador recebe, na próxima sexta-feira (10), mais uma estratégia no combate ao HIV com o lançamento do estudo COMPrEP (PrEP na Comunidade). O projeto permite que educadores pares - jovens capacitados da própria comunidade - realizem a prescrição, a distribuição e o acompanhamento da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) entre outros jovens. 

Atualmente, a legislação brasileira restringe a prescrição da PrEP a profissionais de saúde, como médicos e farmacêuticos. No COMPrEP, no entanto, jovens capacitados passam a atuar como educadores pares, desempenhando funções de orientação e acompanhamento e, sob supervisão clínica, participando da prescrição e da dispensação do medicamento.

 Salvador recebe estudo que permite prescrição de PrEP por jovens.Foto: Divulgação/ ComPrEp

O estudo é voltado a adolescentes e jovens, entre 14 e 25 anos, que fazem sexo com homens, além de travestis e pessoas trans. A proposta é avaliar a efetividade da oferta da PrEP em contextos comunitários, a partir da atuação de educadores do mesmo grupo social, fortalecendo vínculos e ampliando o acesso à prevenção.

O projeto será realizado em Salvador e São Paulo, envolvendo cerca de 1.400 participantes. Os voluntários serão divididos em diferentes modelos de acompanhamento para fins de comparação científica. Os participantes serão monitorados por 12 meses, período em que serão avaliados indicadores fundamentais, como adesão ao uso da PrEP e permanência no protocolo de prevenção.

Evento de lançamento

O evento de lançamento ocorre nesta sexta-feira, a partir das 14h, no Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz), no bairro do Candeal. A cerimônia reunirá pesquisadores, gestores públicos e representantes de movimentos sociais, além de contar com programação cultural. O encontro também deve debater os impactos da iniciativa no enfrentamento da epidemia de HIV.

Além da oferta do medicamento, os educadores pares atuarão como facilitadores em saúde, orientando sobre prevenção combinada e contribuindo para o diagnóstico precoce de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

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País erradica transmissão do HIV da mãe para o bebê como questão de saúde pública

O Ministério da Saúde anunciou que o Brasil eliminou a transmissão vertical do HIV, quando o vírus é passado da mãe para o bebê. | Foto: Ilustrativa/Pexels

O Ministério da Saúde anunciou que o Brasil eliminou a transmissão vertical do HIV - quando o vírus é passado da mãe para o bebê - como problema de saúde pública. A informação consta no boletim epidemiológico de 2025, divulgado nesta segunda-feira (1º). O país também registrou queda de 13% nas mortes por AIDS entre 2023 e 2024, quando foram contabilizados 9.157 óbitos, número que não era observado há três décadas.

Segundo o ministério, os resultados refletem avanços em prevenção, diagnóstico e acesso gratuito a terapias modernas capazes de tornar o HIV indetectável e intransmissível. O HIV é o vírus que infecta o organismoa AIDS representa o estágio avançado da infecção, quando há comprometimento do sistema imunológico. Com tratamento contínuo, é possível viver com HIV sem desenvolver AIDS e sem transmitir o vírus.

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O boletim aponta que a taxa de transmissão vertical está abaixo de 2%, e a incidência de infecção em crianças é inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos. Houve ainda redução de 7,9% (7,5 mil) nos registros de gestantes vivendo com HIV e de 4,2% (6,8 mil) no número de crianças expostas ao vírus. Em 2024, cerca de 68,4 mil pessoas viviam com HIV ou AIDS no país.

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