OMS faz alerta e cobra países por acordo para evitar novas pandemias
Tratado depende de anexo que prevê regras para compartilhar patógenos e distribuir vacinas e tratamentos
Por Isabela Cardoso.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a pressionar os países para que cheguem a um consenso sobre as regras de cooperação em futuras pandemias. Nesta segunda-feira, 2, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom, defendeu a conclusão das negociações de um anexo considerado indispensável para a entrada em vigor do Acordo sobre Pandemias.

A discussão está no centro da nona reunião do Grupo de Trabalho Intergovernamental (IGWG), iniciada em Genebra, na Suíça. Os representantes dos países têm até 13 de novembro para avançar na construção do documento.
O trecho que ainda precisa ser definido trata do Acesso a Patógenos e Compartilhamento de Benefícios (PABS, na sigla em inglês). A proposta é criar um sistema que organize a troca de amostras de agentes infecciosos e dados sobre eles, ao mesmo tempo que estabeleça critérios para repartir os resultados das pesquisas, como vacinas e tratamentos.
Na abertura do encontro, Tedros alertou que doenças infecciosas podem ultrapassar fronteiras e atingir diferentes regiões do mundo. “Uma ameaça patogênica em qualquer lugar pode se tornar uma ameaça em todos os lugares”, declarou.
Como exemplos da necessidade de articulação internacional, o dirigente mencionou o surto de hantavírus registrado neste ano e a epidemia de ebola na República Democrática do Congo.
Covid-19 expôs desigualdade no acesso a vacinas
A experiência da pandemia de Covid-19 foi outro argumento apresentado por Tedros para defender o acordo. Na avaliação do diretor-geral, a crise revelou como a falta de equilíbrio na distribuição de recursos de saúde pode comprometer a resposta global.
Ele lembrou que, apesar do desenvolvimento acelerado das vacinas contra a doença, alguns países tiveram de aguardar o acesso aos imunizantes, enquanto outros conseguiram adquirir quantidades superiores às suas necessidades.
Tedros associou essa desigualdade ao aumento de mortes, à duração da pandemia e ao risco de aparecimento de novas variantes do coronavírus.
Após a crise, a OMS e organizações parceiras passaram a desenvolver ações para ampliar a capacidade internacional de prevenção e resposta a emergências. As iniciativas incluem vigilância sanitária, desenvolvimento de vacinas e compartilhamento de amostras de patógenos.
Tedros pede flexibilidade nas negociações
Para destravar o impasse, o diretor-geral orientou as delegações a distinguirem os pontos indispensáveis daqueles em que podem ceder para alcançar um entendimento.
“É preciso chegar a um consenso sobre um sistema que funcione, que garanta equidade e que possa ser aprimorado à medida que aprendemos com a experiência”, afirmou.
Tedros defendeu que a saúde pública seja o principal critério para avaliar o resultado das negociações. Segundo ele, o anexo deverá permitir que os países respondam de maneira mais rápida e justa quando surgir uma nova ameaça de pandemia.
Adotado pelos Estados-membros da OMS em maio de 2025, o Acordo sobre Pandemias ainda depende da conclusão do anexo PABS para entrar em vigor.
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