Má saúde bucal aumenta risco de AVC e doenças cardiovasculares, diz estudo
Problemas como cáries e doença periodontal aumentam o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de eventos cardiovasculares graves, como infarto
Por Bruna Castelo Branco.
A relação entre a saúde bucal e a saúde do cérebro e do coração foi reforçada por um estudo recém-publicado na revista Neurology. A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, indica que problemas como cáries e doença periodontal aumentam o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de eventos cardiovasculares graves, como infarto. Com informações da Agência Einstein.
Embora já houvesse associações isoladas entre doença periodontal, cáries e desfechos cardiovasculares, poucos trabalhos haviam avaliado o impacto combinado dessas condições. Para isso, os autores analisaram dados de quase 6 mil adultos ao longo de mais de 20 anos, integrantes de um estudo nacional sobre risco de aterosclerose. Participantes com histórico prévio de AVC ou doenças cardiovasculares foram excluídos.

A saúde bucal foi classificada como “boa” ou como portadora de doença periodontal e cáries. Segundo os resultados, indivíduos que apresentavam simultaneamente as duas condições tiveram o dobro de risco de sofrer um AVC em comparação aos que mantinham boa saúde oral. O risco também foi maior para tipos específicos de AVC relacionados à aterotrombose.
O estudo ainda identificou que visitas regulares ao dentista estão associadas à melhora da saúde oral e à redução da probabilidade de um derrame. “Esses resultados sugerem que cuidar dos dentes e das gengivas pode ajudar a proteger o cérebro e o coração, reforçando a importância da higiene bucal como parte da prevenção de doenças cardiovasculares”, avalia a neurologista Gisele Sampaio, do Einstein Hospital Israelita.

De acordo com os autores, processos de infecção e inflamação envolvidos nas cáries podem contribuir para o desenvolvimento da aterosclerose e favorecer a formação de trombos, afetando os vasos sanguíneos. Eles apontam ainda a possibilidade de um componente comportamental: pessoas que cuidam dos dentes tenderiam a adotar estilos de vida mais saudáveis e a ter maior acesso a cuidados médicos.
Especialistas reforçam que medidas simples de higiene bucal — como escovação adequada, uso do fio dental e consultas regulares ao dentista — ajudam não apenas a preservar os dentes, mas também a proteger o sistema cardiovascular.

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