‘Caneta para músculos’ ganha espaço como aposta contra o envelhecimento; entenda nova proposta
‘Caneta para músculos’ estão entre os novos medicamentos em desenvolvimento, sem anabolizantes, a proposta tem objetivo de combater o envelhecimento
Por Laraelen Oliveira.
A perda de massa muscular costuma ser associada ao envelhecimento, mas o problema pode aparecer em diferentes fases da vida. Agora, pesquisadores e empresas farmacêuticas trabalham na “caneta para músculos”, que tem o objetivo de ajudar o organismo a manter ou recuperar músculos.
Esse movimento já reúne mais de 40 substâncias em diferentes etapas de pesquisa e segue uma trajetória parecida com a observada nos medicamentos contra a obesidade. A expectativa é que, no futuro, alguns desses tratamentos sejam administrados por dispositivos semelhantes às chamadas canetas emagrecedoras.
+União Europeia suspende importação de carne bovina brasileira e exige garantias sanitárias

A ideia não é apenas alterar a aparência corporal. A preservação dos músculos está diretamente relacionada à autonomia, à mobilidade e à capacidade de realizar atividades cotidianas. Com o avanço da idade, a redução da massa muscular pode contribuir para fraqueza e fragilidade física.
Embora essas drogas possam promover uma redução significativa do peso, parte da perda pode ocorrer na massa magra, o projeto abriu uma nova frente de estudos para encontrar maneiras de preservar os músculos durante o processo.
Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro genérico da caneta emagrecedora no Brasil. O medicamento composto de semaglutida, substância usada principalmente para o controle do diabetes tipo 2 e para o tratamento da obesidade ou do sobrepeso. O laboratório responsável pela comercialização do produto é a EMS, que terá será produzido a partir do Ozivy.
O que a “caneta para músculos” tenta fazer no organismo?
Em vez de recorrer a hormônios esteroides, como acontece com os anabolizantes, os medicamentos em pesquisa procuram interferir em mecanismos específicos envolvidos na formação e manutenção dos músculos.
Uma das principais estratégias mira a miostatina. Produzida naturalmente pelo organismo, essa proteína ajuda a limitar o crescimento muscular. Ao bloquear sua atuação, os pesquisadores tentam criar condições para que o tecido muscular se desenvolva ou seja preservado.
A activina é outro alvo investigado. A substância participa de processos relacionados ao desenvolvimento muscular e, por isso, também passou a ser considerada uma possível via para novos tratamentos.
Entre os candidatos que avançaram nos estudos estão o Apitegromab, da Scholar Rock, o Bimagrumab, da Eli Lilly, e o Trevogrumab, da Regeneron. Pesquisadores também investigam moléculas relacionadas aos efeitos provocados pelo exercício, como o L-β-aminoisobutírico (L-BAIBA).

+Antiga rodoviária de Salvador pode virar hospital; saiba detalhes da proposta
Por se tratarem, em muitos casos, de anticorpos monoclonais, essas substâncias não podem simplesmente ser transformadas em comprimidos. A administração por injeção é uma das alternativas estudadas, o que ajuda a explicar a possibilidade de o formato final se aproximar das canetas utilizadas atualmente em tratamentos para obesidade.
Se os medicamentos mais avançados forem aprovados nos Estados Unidos, alguns deles poderão chegar ao Brasil entre 2028 e 2029.
Pensando nisso, o Aratu On alerta sobre os riscos da automedicação, que são graves e podem levar a complicações severas, hospitalizações e até à morte, sem o acompanhamento médico.
Nem todo aumento de músculo significa mais força
Apesar do potencial, transformar essas pesquisas em tratamentos seguros ainda é um desafio. Ao longo do desenvolvimento de medicamentos para preservar a musculatura, algumas substâncias deixaram de ser estudadas por não apresentarem resultados suficientes ou por provocarem efeitos indesejados.
Entre as reações observadas em pesquisas estão espasmos, contrações involuntárias, diarreia, acne e alterações na pele.
+Consultas pelo SUS poderão ser agendadas pelo WhatsApp; veja como vai funcionar
Outro ponto de atenção está justamente no bloqueio da miostatina. Como a proteína exerce um papel de controle sobre o crescimento muscular, sua inibição prolongada pode produzir efeitos que ainda não são completamente conhecidos. Um crescimento excessivo também pode aumentar a pressão sobre tendões e outras estruturas responsáveis pelo movimento.
Além disso, pesquisadores precisam avaliar não apenas se os medicamentos conseguem aumentar a quantidade de músculo, mas se esse ganho representa uma melhora efetiva na força e na capacidade funcional.
Exercício continua sendo indispensável
Por mais promissoras que sejam as pesquisas, os novos medicamentos não devem ser encarados como substitutos para a atividade física.

O exercício produz efeitos que vão muito além do aumento do tamanho dos músculos. A prática regular contribui para força, equilíbrio, mobilidade e funcionamento metabólico, além de estimular uma série de respostas biológicas importantes para o organismo.
Por isso, mesmo que a futura “caneta para músculo” consiga ajudar na preservação ou recuperação da massa muscular, a tendência é que sejam utilizadas como uma ferramenta complementar, principalmente em situações nas quais a perda muscular representa um problema de saúde.
A principal promessa dessas pesquisas, portanto, não está em criar uma alternativa à academia, mas em encontrar uma forma de ajudar o corpo a enfrentar um dos efeitos mais comuns do envelhecimento e de algumas condições que provocam perda muscular.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).