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21/06/2022 13h30 | Atualizado em 23/06/2022 13h49

Explosão junina? Aumento de casos da Covid-19 na Bahia deixa autoridades da saúde em alerta; “é preciso cuidado”

A tradicional festa - cancelada por dois anos e retomada agora-, tem potencial para aglomerar milhares de pessoas nas cidades do interior baiano.

Explosão junina? Aumento de casos da Covid-19 na Bahia deixa autoridades da saúde em alerta; Foto: divulgação / Sesab
Diego Adans

Apesar de as autoridades ainda manterem a cautela, a estimativa de especialistas da saúde é que o São João deve colaborar para um novo surto da Covid-19. E, a projeção não é à toa. Basta analisar os recentes números.

De acordo com o Boletim da Secretaria de Saúde do Estado, no dia 1 de junho, a Bahia registrava 860 casos ativos da Covid-19. Duas semanas depois, o número mais que quadruplicou: 3.750. Aumento de quase 450 %.

Em meio a tal cenário, o São João pode ser o estopim para uma nova onda. Afinal, quem não está com saudades de dançar um forró pé-de-serra? Pois é… a tradicional festa – cancelada por dois anos e retomada agora-, tem potencial para aglomerar milhares de pessoas nas cidades do interior baiano.

Preocupados, especialistas ouvidos pela reportagem do Aratu On fizeram questão de orientar os governos para que tenham responsabilidade sanitária e lembrem à população sobre a possibilidade de contrair o vírus em aglomerações. Ressaltaram, ainda, sobre a necessidade do uso de máscaras em espaços abertos e aglomerados.

"Claro que é um aumento [de casos] preocupante. A gente está na véspera do São João, vai ter muita aglomeração nas festas juninas e isso pode gerar uma explosão de casos. Embora agora não estejam aumentando os casos graves e os óbitos, pode vir a acontecer", ressalta a médica infectologista Ceuci Nunes, ex-diretora do Hospital Couto Maia.

Já o infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Antônio Bandeira, faz ainda outro alerta sobre as duas novas subvariantes da cepa ômicron do coronavírus – a BA.4 e BA.5 -, cuja “transmissão é 50% maior que a ômicron inicial”. Ainda segundo ele, pode-se prever o pressionamento do sistema de saúde de 21 a 28 dias após as festas juninas. Porém, de uma forma diferente das primeiras ondas. 

VARIANTES BA.4 E BA.5

"O que nós vimos foi que, apesar de número muito grande no início do ano de pessoas contaminadas pelo vírus, muito poucos adentraram nas nossas unidade de terapia intensiva, como que aconteceu em 2020. A mesma situação provavelmente a gente pode antever agora. A gente tem a BA.4 e a BA.5 que são subvariantes da ômicron", ressalta. 

Bandeira também cita a baixa procura pelas doses de reforço como indicativo de um novo surto e, também,  ressalta a necessidade da vacinação. "Se não tomou a terceira dose, tome. Se não tomou a quarta dose, tome. Por quê? Porque o mais importante é você manter a vacinação em dia, evitando assim, as formas graves da doença", destaca Bandeira, aconselhando o uso de máscaras com maior poder de filtração como a cirúrgica e PFF2.

VÍDEOS

O discurso da prevenção é reverberado por Ceuci. "Então, a primeira coisa: muita gente já pode tomar a quarta dose. Corre para tomar. Quem não completou seu esquema vacinal, complete. Muita gente tem medo de tomar vacinas diferentes, não tenha. Elas, ao invés de prejudicar, ajudam a imunidade.  Além disso, se você está com algum sintoma respiratório, use máscara ou não saia na rua. E, se você tem idade avançada ou comorbidade, use máscara quando for sair". 

Tamanho excesso de cuidado e cobrança pela vacina é justificado ao se analisar, mais uma vez, os números. De acordo com a Sesab, até a última semana, um total de 3,6 milhões de baianos estavam com a dose de reforço anticovid em atraso.

No estado, apenas 48% da população já tomou a terceira, seja em dia, ou com algum atraso. Enquanto isso, 2,4 milhões ainda não foram tomar a segunda dose de reforço, a quarta dose, oferecida para pessoas a partir de 50 anos, profissionais de saúde, idosos e imunossuprimidos.

E O CARNAVAL?

Ainda é cedo para projetar a realização ou não do Carnaval 2023. Pelo menos é o que garante Ceuci Nunes. "A gente tem falado várias vezes, não só eu, muitos cientistas, que a Covid não vai nos abandonar tão cedo. O que a gente sabe é que estamos com a população que ainda não chegou no ideal de vacinação — principalmente a terceira dose e a quarta dose. A gente sabe que a vacina perde um pouco a efetividade com o tempo, então a gente vai viver nesses altos e baixos", explica a infectologista. 

TRANQUILOS? 

Diferente dos especialistas de saúde, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (UB) parecem estar tranquilos quanto ao cenário. Na última segunda-feira (13/6), por exemplo, durante coletiva à imprensa, Rui afirmou que, apesar do aumento dos casos da Covid-19, as festas não corriam risco de cancelamento. 

Já o prefeito Bruno Reis reconheceu, em conversa com a imprensa, que o número de pessoas que testam positivo para o coronavírus vem aumentando em Salvador, mas sem gerar impacto nem na saúde dos infectados nem no sistema de saúde. 

"Nada fora de controle”, reiterou o chefe do executivo municipal. “As pessoas estão contraindo o vírus, mas não estão agravando a ponto de necessitar de leito de enfermaria ou de UTI. E não está acontecendo isso por que, prefeito? Graças a Deus, por conta da vacina”.

Há, no entanto, quem prefira não arriscar. É o caso da prefeitura de Serra Dourada, no Oeste da Bahia. No último dia 11, a gestão publicou decreto proibindo a realização de festejos juninos no município, sejam públicos ou particulares. A medida, que já está em vigor e é válida por 30 dias, tem como objetivo evitar o aumento dos casos de Covid-19.

DICAS

Para evitar qualquer risco desnecessário, caso tenha entrado em contato com pessoas que testaram positivo para a Covid-19, ou ainda apresente sintomas gripais, o indicado é que seja realizado o teste a partir do 5º dia. O tempo é necessário para que o exame tenha maior grau de confiabilidade. 

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Fonte: Diego Adans