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22/04/2021 15h05 | Atualizado em 22/04/2021 15h17

Bolsonaro discursa na Cúpula do Clima e pede “justa remuneração” por “serviços ambientais” prestados pelo Brasil

Alguns dados citados pelo presidente, entretanto, estavam incorretos ou incompletos, de acordo com agências de checagem.

Bolsonaro discursa na Cúpula do Clima e pede Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Da Redação

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou nesta quinta-feira (22/4) da Cúpula do Clima, evento virtual organizado pelo Governo dos Estados dos Unidos e que reune chefes de 40 países. Bolsonaro participou por videoconferência, do Palácio do Planalto.

Em seu discurso, o presidente disse que o Brasil se compromete a zerar até 2030 o desmatamento ilegal; reduzir as emissões de gases; buscar "neutralidade climática" até 2050, antecipando em dez anos o prazo anterior; e "fortalecer" os órgãos ambientais, "duplicando" recursos para fiscalização.

"Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa. Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do Governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização. Mas é preciso fazer mais. […] A solução desse 'paradoxo amazônico' é condição essencial para o desenvolvimento sustentável da região", disse ele.

Para resolver esses problemas da região amazônica, Bolsonaro pediu ajuda de outros países. "Diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiros, é fundamental poder contar com a contribuição de países, empresas, entidades e pessoas dispostos a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas", solicitou.

Ele falou sobre uma "justa remuneração" ao Brasil pela "conservação". "Da mesma forma, é preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação. Estamos, reitero, abertos à cooperação internacional", completou.

DADOS INCORRETOS

Alguns dados citados pelo presidente, entretanto, estavam incorretos ou incompletos. A perspectiva de neutralizar as emissões de gás carbônico até 2050 é bem menor do que outros países se propuseram a fazer. Neutralizar significa equiparar o lançamento de gás carbônico com o que é captado, mas diversas nações se propuseram a zerar as emissões em menos tempo.

Segundo o Estadão, em 2019, 15 nações tinham se comprometido a zerar emissões até 2050. A Suécia colocou o objetivo de neutralidade até 2045 e na Noruega a meta é zerar emissões até 2030. Butão e Suriname já têm emissões negativas. 

Até 2050, data cidata por Bolsonaor, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assumiu o compromisso de carbono zero. O americano disse que a meta é cortar as emissões pela metade até 2030.

Um dos pontos mais discutidos e que não foi citado por Bolsonaro é o de o Brasil é o 3º maior consumidor de pesticidas em volume absoluto, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). 

Além disso, o Brasil é o 7º maior poluidor dentre todas as nações. A atividade agropecuária é a maior fonte de gases do efeito estufa no Brasil, respondendo por 25% das emissões do País em 2018. Somando-se as emissões decorrentes do desmatamento (44%), por meio do qual muitas áreas se tornam pastos ou áreas para agricultura, a atividade agrícola responde por 69% de todas as emissões de gases do efeito estufa do País.

"Temos orgulho de conservar 84% de nosso bioma amazônico e 12% da água doce da terra”, disse Bolsoanro. Segundo o Estadão Verifica, este número é exagerado, pois no ano passado, estima-se que 20% dessa área já tenha sofrido algum nível de degradação por fogo ou exploração madeireira. O presidente ainda ignorou em seu discurso o fato de o Brasil ser o campeão em perda de florestas no mundo.

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Fonte: Da redação