O Ministério Público de Goiás apresentou mais uma denúncia contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, elevando para 11 o número de ações contra o líder espiritual por crimes sexuais. Desta vez, João de Deus é acusado de estuprar quatro mulheres entre 2010 e 2016 e outras sete entre 1976 e 2008 – nestes últimos casos, o crime prescreveu.

De acordo com a promotora de Justiça Renata Caroliny, as vítimas eram da Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Nos casos prescritos, as mulheres eram de Pernambuco, Maranhão e Espírito Santo. Ao todo, o médium já foi denunciado por crimes sexual contra 57 pessoas cujos crimes ainda não prescreveram.

Renata Caroliny afirma que os perfis das vítimas eram os mais diversos e envolviam mulheres que sofriam de depressão, câncer e até epilepsia e que buscavam tratamento com João de Deus. Ele se aproveitava da fragilidade das mulheres.

Ainda segundo o Ministério Público, o médium afirmou a algumas vítimas que elas teriam dificuldades de engravidar ou que já estariam sofrendo por um ‘trabalho espiritual’ feito por outras pessoas. “Tudo isso para incutir mais medo e criar um ambiente propício para a prática de abuso sexual”, afirma a promotora.

Segundo o Ministério Público, 319 mulheres procuraram a Promotoria para denunciar João de Deus. Desse total, 194 formalizaram denúncias contra o médium. Em 87 casos, os atos prescreveram – incluindo os dois casos presentes na denúncia desta segunda, cujas supostas vítimas, à época do crime, eram adolescentes de 14 e 12 anos.

Prisão 

Detido desde 16 de dezembro do ano passado, João de Deus responde agora a onze denúncias por crimes sexuais e outras duas por porte ilegal de arma de fogo. Em junho, a defesa do médium recorreu ao Supremo Tribunal Federal para rever sua prisão preventiva. A defesa alegou que João de Deus, além de idoso, é portador de insuficiência coronariana, e que sua custódia ‘estaria fundamentada apenas no clamor público e no abalo à paz e à tranquilidade pela eventual soltura’ do líder espiritual. O caso foi analisado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que negou a concessão de prisão domiciliar ou conversão da preventiva do médium por outras medidas cautelares alternativas.

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