Sociedade Alternativa: a filosofia criada por Raul Seixas

A Sociedade Alternativa foi um movimento concebido por Raul Seixas que defendia a liberdade individual

Por Ananda Costa.

A chamada Sociedade Alternativa Raul Seixas foi uma das ideias mais marcantes da música brasileira. Criada nos anos 1970, a proposta surgiu como um manifesto artístico e filosófico em meio ao contexto da ditadura militar no Brasil.

Desenvolvida por Raul Seixas em parceria com Paulo Coelho, a iniciativa pregava a autonomia do indivíduo frente às imposições sociais, políticas e religiosas, transformando-se em um símbolo de resistência e contestação.

O que é a Sociedade Alternativa

A Sociedade Alternativa baseia-se no princípio de que cada pessoa deve viver conforme sua própria vontade, desde que não limite a liberdade do outro. Inspirada no lema “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”, a filosofia ganhou força principalmente com a música Sociedade Alternativa, lançada em 1974.

 A faixa integra o álbum Gita, considerado o maior sucesso da carreira do artista e responsável por consolidar sua projeção nacional. Confira outros sucessos de Raul Seixas. 

A influência de Aleister Crowley

A base teórica da Sociedade Alternativa tem forte influência das ideias do ocultista britânico Aleister Crowley. Ele defendia a liberdade individual como valor central, desde que alinhada à chamada “verdadeira vontade” de cada indivíduo.

Raul Seixas e Paulo Coelho incorporaram esses princípios em suas obras, adaptando-os ao contexto brasileiro e à estética do rock. Essa influência contribuiu para o caráter místico, filosófico e provocador do movimento.

A parceria entre Raul Seixas e Paulo Coelho

Foto: Divulgação/Fundação Paulo Coelho

A criação da Sociedade Alternativa foi resultado direto da colaboração entre Raul Seixas e Paulo Coelho. A dupla foi responsável não apenas pelas composições, mas também pela elaboração do conceito que sustentava o movimento.

Além das músicas, eles produziram manifestos e chegaram a idealizar uma comunidade baseada nesses valores. A proposta ousada, no entanto, chamou a atenção das autoridades durante o regime militar, o que levou ambos a serem investigados e posteriormente forçados ao exílio.

Outros movimentos na música

Tropicalismo 

Em 1968, Gal lançou, ao lado de seus companheiros de movimento, o álbum Tropicália ou Panis et Circenses. | Foto: Arquivo Nacional

O nome dela é Gal! Desde seu surgimento no meio artístico nacional, a cantora baiana Gal Costa, que morreu aos 77 anos em novembro de 2022, foi uma das grandes representantes brasileiras, não só quando o assunto é música, mas também quando é política, afinal, ficou conhecida como um importante nome do movimento chamado de Tropicalismo, surgido no fim dos anos 60.

Alguns dos maiores clássicos do movimento foram lançados por ela, como "Baby" e "Divino, Maravilhoso". Com o exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil, forçados pela ditadura a deixar o Brasil, Gal liderou a resistência artística do grupo no País. Um dos grandes destaques dessa fase foi o hit "London, London".

Em 1963, Gal Costa conheceu Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Tom Zé. Juntos, fizeram o show 'Nós, Por Exemplo', para inaugurar o Teatro Vila Velha, em Salvador, com um repertório de canções da Bossa Nova. No mesmo ano, fizeram juntos mais um espetáculo: 'Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova'. Sobre essa fase, o texto original afirma que o show "tinha a intenção de inserir o grupo baiano em um plano histórico que passava pelo passado musical da MPB, depois por alguma renovação da Bossa Nova, chegando em algo que seria a sua continuação, representada por eles mesmos".

Os artistas "se consideravam descendentes do movimento liderado por Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes, mas – ao mesmo tempo – precursores de um novo movimento que viria inovar a música brasileira de uma forma jamais vista".

LEIA MAIS: Caetano Veloso e a Tropicália: movimento que revolucionou a música brasileira

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