Gal Costa e a Tropicália: a voz feminina do movimento musical
Desde seu surgimento no meio artístico nacional, Gal Costa foi uma das grandes representantes da música no Brasil
Por Bruna Castelo Branco.
O nome dela é Gal! Desde seu surgimento no meio artístico nacional, a cantora baiana Gal Costa, que morreu aos 77 anos em novembro de 2022, foi uma das grandes representantes brasileiras, não só quando o assunto é música, mas também quando é política, afinal, ficou conhecida como um importante nome do movimento chamado de Tropicalismo, surgido no fim dos anos 60.
Alguns dos maiores clássicos do movimento foram lançados por ela, como "Baby" e "Divino, Maravilhoso". Com o exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil, forçados pela ditadura a deixar o Brasil, Gal liderou a resistência artística do grupo no País. Um dos grandes destaques dessa fase foi o hit "London, London".

O encontro com Caetano, Gil e Bethânia
Em 1963, Gal Costa conheceu Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Tom Zé. Juntos, fizeram o show 'Nós, Por Exemplo', para inaugurar o Teatro Vila Velha, em Salvador, com um repertório de canções da Bossa Nova. No mesmo ano, fizeram juntos mais um espetáculo: 'Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova'. Sobre essa fase, o texto original afirma que o show "tinha a intenção de inserir o grupo baiano em um plano histórico que passava pelo passado musical da MPB, depois por alguma renovação da Bossa Nova, chegando em algo que seria a sua continuação, representada por eles mesmos".
Os artistas "se consideravam descendentes do movimento liderado por Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes, mas – ao mesmo tempo – precursores de um novo movimento que viria inovar a música brasileira de uma forma jamais vista".

Gal Costa na Tropicália
Gal deixou a Bahia para investir na carreira de cantora no Rio de Janeiro. Em 1967, lançou seu primeiro LP, "Domingo", ao lado de Caetano Veloso, que também estreava em seu primeiro disco. Deste álbum, destaca-se a canção "Coração Vagabundo", de Caetano.
Nesta época, Gal iniciou junto com outros grandes nomes da música popular brasileira o Movimento Tropicalista: "uma ação de contracultura, que transcende tudo o que já havia em termos de produção artística no Brasil".

O movimento internacionaliza a música, o cinema, as artes plástica e a arte brasileira, tendo surgido "sob a influência das correntes artísticas da vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira, misturando manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais, para criar algo inovador, que interviesse na cena de indústria cultural e de cultura de massas da época. E que representasse uma mudança de parâmetros, que atendesse também aos anseios da juventude da época".
Em 1968, Gal lançou, ao lado de seus companheiros de movimento, o álbum "Tropicália ou Panis et Circenses". Entre as canções mais marcantes está "Baby", de Caetano Veloso, que Gal canta sozinha no disco e que "se tornou um hino tropicalista – trazendo vários elementos da cultura pop, da cultura de massa e de consumo da época". O disco foi eleito o segundo melhor álbum de música brasileira da história pela revista Rolling Stone.

O impacto de "Divino Maravilhoso"
Ainda em 1968, Gal participou do quarto festival da Record, defendendo a canção "Divino Maravilhoso", de Caetano Veloso e Gilberto Gil. A apresentação "representou um marco na transição de postura de Gal, refletida no palco, na voz, nas atitudes, nas canções escolhidas para interpretar e nas roupas que vestia". Segundo o texto, "Divino Maravilhoso foi um grito de liberdade, não só para Gal, mas para o povo brasileiro, em uma época de sofrimento por conta dos duros tempos de repressão".
No auge da Ditadura Militar e com a recente instauração do Ato Institucional Número 5, a restrição das liberdades democráticas, de expressão e das criações literárias fez o Movimento Tropicalista sofrer forte censura e perseguição. Caetano e Gil foram presos e, depois, obrigados a se exilarem em Londres.

A musa da Tropicália
Com a partida de seus amigos para o exílio, Gal se viu um símbolo de resistência artística. A cantora começou a trabalhar com novos parceiros como Jards Macalé, Waly Salomão e Lanny Gordin. "Gal foi ficando cada vez mais audaciosa e recebeu a missão de manter acesa a chama do Tropicalismo no Brasil, se tornando a sua maior representante e passando a ser conhecida como musa da tropicália."
Em 1969, lançou seu primeiro álbum solo, com destaque para "Divino Maravilhoso", "Baby", "Que Pena" (Jorge Ben Jor), "Não Identificado" (Caetano Veloso) e "Namorinho de Portão" (Tom Zé). Ainda em 1969, lançou o segundo disco solo, "Gal", "considerado um álbum psicodélico e um dos registros mais radicais da música popular brasileira", com canções como "Cinema Olympia" e "Meu Nome é Gal".

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