Gal Costa: carreira, história e legado de uma das maiores vozes do Brasil

A cantora Gal Costa foi um dos principais nomes da Música Popular Brasileira (MPB)

Por Bruna Castelo Branco.

A cantora baiana Gal Costa foi um dos principais nomes da Música Popular Brasileira (MPB), com uma carreira iniciada na década de 1960 e marcada por dezenas de discos e canções que atravessaram gerações. Ao longo de sua trajetória, foi reconhecida como dona de uma das vozes mais representativas do movimento Tropicalista e também foi associada ao movimento hippie nos anos 1970. Gal faleceu em novembro de 2022, aos 77 anos.

A cantora Gal Costa foi um dos principais nomes da Música Popular Brasileira (MPB). | Foto: Redes Sociais

Nascida como Maria da Graça Costa Penna Burgos, em 26 de setembro de 1945, em Salvador, Gal foi criada pela mãe, Mariah Costa Penna. O pai, Arnaldo Burgos, esteve ausente durante sua infância e morreu quando ela tinha 14 anos. Relatos indicam que, durante a gestação, sua mãe costumava ouvir música clássica com a expectativa de estimular habilidades musicais na filha. Ainda jovem, Gal demonstrou interesse pela música e teve como primeiro emprego o trabalho como balconista em uma loja de discos na capital baiana.

Nascida como Maria da Graça Costa Penna Burgos, em 26 de setembro de 1945, em Salvador. | Foto: Redes Sociais

Trajetória na música

A artista iniciou sua carreira no início dos anos 1960, período em que ainda era chamada por variações do nome de batismo, como Maria da Graça, Gracinha e Gau. Uma de suas principais influências foi João Gilberto, a quem ouviu pela primeira vez em 1959. Em 1963, foi apresentada a Caetano Veloso por uma amiga em comum, Dedé Gadelha. A partir desse encontro, os dois desenvolveram uma relação de amizade e parceria artística, iniciando juntos apresentações de músicos amadores em 1964.

Em 1965, Gal realizou sua primeira gravação ao participar de um álbum de Maria Bethânia, no qual interpretou três canções, incluindo uma ao lado de Caetano Veloso. Nesse período, ela já havia se mudado para o Rio de Janeiro com o objetivo de investir na carreira artística.

Em 1963, Gal foi apresentada a Caetano Veloso. | Foto: Redes Sociais

O primeiro álbum solo foi lançado em 1967, intitulado “Domingo”. Foi nesse momento que passou a adotar oficialmente o nome artístico Gal, por sugestão do produtor Guilherme Araújo, que considerava o nome de batismo pouco atrativo para o meio artístico. Entre as músicas do disco, destacou-se “Coração Vagabundo”.

No ano seguinte, a cantora participou do disco “Tropicália ou Panis et Circencis”, considerado um marco do movimento Tropicalista no Brasil. O álbum reuniu nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé, e é visto como um manifesto musical do movimento. Nesse trabalho, Gal interpretou a canção “Baby”, uma das mais conhecidas de sua carreira.

O primeiro álbum solo de Gal foi lançado em 1967. | Foto: Redes Sociais

Durante a década de 1970, Gal Costa se consolidou como a principal voz do Tropicalismo no país, especialmente após o exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil durante a ditadura militar. Nesse período, lançou sucessos como “Índia”, “Barato Total”, “Flor de Maracujá”, “Desafinado” e “Pérola Negra”. Também foi considerada uma musa do movimento hippie, embora, ao final da década, tenha passado por uma mudança estética e musical, aproximando-se de sonoridades mais ligadas ao pop.

Nos anos 1980, a cantora já era um nome consolidado da música brasileira, com álbuns de grande repercussão e boa recepção da crítica, como “Aquarela do Brasil”, “Fantasia”, “Minha voz”, “Profana” e “Bem Bom”. Este último, lançado em 1985, tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira, com mais de 600 mil cópias vendidas. Entre as faixas de destaque estão “Sorte”, em parceria com Caetano Veloso, e “Um Dia de Domingo”, com Tim Maia.

Nos anos 1980, a cantora já era um nome consolidado da música brasileira. | Foto: Redes Sociais

Nas décadas seguintes, Gal Costa manteve a carreira ativa, alternando entre novos projetos e regravações de sucessos. Entre os trabalhos lançados estão “Mina d’Água do meu Canto” e “Aquele Frevo Axé”. Já no século XXI, foi incluída no Hall of Fame do Carnegie Hall, em Nova York, tornando-se a única brasileira a receber essa homenagem. Em 2018, lançou o 40º álbum da carreira, “A Pele do Futuro”.

Confira músicas que marcaram a carreira de Gal:

“Meu Nome é Gal”

A canção, composta por Roberto Carlos e Erasmo Carlos, foi lançada em 1969 e integra o primeiro disco solo da artista. A faixa também dá nome à cinebiografia sobre a cantora.

“Brasil”

Composição de Cazuza, a música ganhou nova projeção na voz de Gal ao se tornar tema de abertura da novela Vale Tudo, em 1988.

“Vaca Profana”

Escrita por Caetano Veloso, a canção faz parte do álbum Profana (1984) e traz referências à Europa, período em que o compositor estava fora do Brasil.

“Vapor Barato”

Lançada em 1971 no disco Fa-Tal – Gal a Todo Vapor, a música se tornou um dos grandes sucessos da cantora e foi posteriormente regravada pela banda O Rappa. A canção tem contexto político, ligada ao período da ditadura militar.

“Baby”

Um dos primeiros grandes sucessos de Gal, foi composta por Caetano Veloso a pedido de Maria Bethânia, irmã do artista.

Parcerias musicais

A trajetória de Gal Costa também foi marcada por parcerias com grandes nomes da música brasileira. Ao longo da carreira, a artista dividiu os vocais em regravações e projetos especiais que ajudaram a consolidar seu lugar como um dos principais nomes da MPB.

Gal Costa manteve a carreira ativa, alternando entre novos projetos e regravações de sucessos. | Foto: Redes Sociais

última colaboração gravada por Gal foi com Marina Sena, em uma regravação de “Para Lennon e McCartney”. Já seu último álbum, Nenhuma Dor (2021), foi inteiramente dedicado a duetos, reunindo artistas como CrioloRubel e Silva.

Relembre algumas parcerias e regravações marcantes da cantora:

  • “Baby” (1969) – com Caetano Veloso
  • “Biscate” (1993) – com Chico Buarque
  • “Vapor Barato” (1971) – com Zeca Baleiro
  • “Dindi” (1987) – com Tom Jobim
  • “Vá Se Benzer” (2017) – com Preta Gil
  • “País Tropical” (1969) – com Gilberto Gil e Caetano Veloso
  • “Sonho Meu” (1978) – com Maria Bethânia
  • “Cuidando de Longe” (2018) – com Marília Mendonça
  • “Um Dia de Domingo” (1985) – com Tim Maia

a cantora participou do disco Tropicália ou Panis et Circencis, considerado um marco do movimento Tropicalista no Brasil. | Foto: Arquivo Nacional

Vida pessoal

Na vida pessoal, manteve discrição. Não se casou oficialmente, embora tenha tido relacionamentos estáveis, incluindo com a empresária Wilma Petrillo, que também atuou em sua carreira. A cantora tinha o desejo de ser mãe e, após tentativas frustradas de engravidar, adotou um menino de dois anos no Rio de Janeiro. A criança, que vivia em um abrigo e apresentava quadro de raquitismo, foi batizada como Gabriel após a adoção. Nos últimos anos, Gal dedicou parte significativa de seu tempo aos cuidados com o filho e, em 2014, mudou-se com ele para São Paulo.

Gal Costa morreu em 9 de novembro de 2022, em São Paulo. A cantora se recuperava de uma cirurgia para retirada de um nódulo na fossa nasal direita. Segundo sua assessoria, a causa da morte foi um infarto.

Na vida pessoal, manteve discrição. | Foto: Miro/Divulgação

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