Alerta no espaço: telescópio da Nasa vai cair na Terra nas próximas semanas e Brasil entra no radar
Após quase 22 anos em órbita, observatório encerrou as atividades científicas
Por Isabela Cardoso.
Um telescópio espacial da Nasa deve retornar à atmosfera terrestre nas próximas semanas, após quase 22 anos em operação. O Neil Gehrels Swift Observatory encerrou suas observações científicas em outubro, e sua reentrada tem despertado dúvidas sobre a possibilidade de fragmentos atingirem o Brasil.

Embora parte do território brasileiro esteja na faixa de latitudes sobrevoada pelo equipamento, ainda não há previsão de que os destroços caiam no país. A possibilidade de reentrada sobre uma região não significa que exista uma estimativa concreta de queda naquele local.
Segundo Marcos Calil, responsável pelo Setor de Observatório da Urânia Planetário, a posição orbital do Swift permite considerar o Brasil entre as regiões que a espaçonave pode sobrevoar. No entanto, não há dados que confirmem que os fragmentos atingirão o território nacional.
Por que o telescópio vai voltar à Terra?
A última observação científica do Swift ocorreu em 20 de outubro, quando o observatório estava a cerca de 275 quilômetros de altitude. Na fase final da missão, o aumento do arrasto atmosférico dificultava a manutenção da orientação da espaçonave, contribuindo para o encerramento das operações.
A órbita do equipamento tem inclinação de aproximadamente 20,6 graus em relação ao equador. Por isso, sua trajetória abrange uma faixa que inclui parte do território brasileiro.
Ainda assim, a Nasa não divulgou uma data, um horário ou um ponto exato para a reentrada. A previsão depende de fatores que podem alterar o movimento do observatório, como mudanças na densidade da atmosfera e na atividade solar.
À medida que o Swift perder altitude, as estimativas sobre o retorno deverão ficar mais precisas. Mesmo assim, a definição da região de reentrada dependerá do monitoramento da espaçonave até os momentos finais.
Destroços podem sobreviver à reentrada?
Durante a passagem pela atmosfera, o aquecimento intenso deverá destruir grande parte da estrutura do telescópio. Alguns componentes mais resistentes, porém, podem sobreviver parcialmente e alcançar a superfície terrestre.
Por enquanto, não há informações suficientes para indicar onde isso poderia acontecer. Assim, não é possível apontar uma região específica como local provável de queda dos fragmentos.
A possibilidade de destroços atingirem o solo também não significa, por si só, que haverá danos ou riscos confirmados para a população de determinada área.
Missão durou quase 22 anos
Lançado em novembro de 2004, o Neil Gehrels Swift Observatory foi projetado inicialmente para uma missão de dois anos, mas continuou em atividade por quase 22 anos.
Durante esse período, o telescópio observou mais de 2 mil explosões de raios gama, fenômenos de alta energia que ajudam os cientistas a investigar alguns dos eventos mais extremos do Universo. O equipamento também contribuiu para estudos sobre supernovas, buracos negros, asteroides e cometas.
Com o encerramento das observações científicas, o foco agora está no acompanhamento da reentrada. A Urânia Planetário informou que continuará monitorando as atualizações divulgadas pela Nasa e abordará o tema em suas transmissões ao vivo no YouTube, realizadas às terças-feiras, às 19h30.
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