Adailton Santana supera desafios e leva o nome de Camaçari aos tatames de Karatê
Adailton Santana representa Camaçari há 28 anos e acumula títulos no karatê, incluindo tricampeonato baiano, campeonato brasileiro e vice-campeonato sul-americano
Por Laraelen Oliveira.
Entre o árduo trabalho na construção civil e as horas dedicadas aos treinamentos, Adailton Santana de Souza construiu uma trajetória de 28 anos no karatê marcada por recomeços, dificuldades financeiras e conquistas. Natural de Jauá, na orla de Camaçari, o atleta de 38 anos já acumula títulos estaduais, nacionais e internacionais e segue representando o município nos tatames.
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Entre os principais resultados estão o tricampeonato baiano, o título de campeão brasileiro e o vice-campeonato sul-americano Master, além de outros títulos conquistados em competições estaduais.

A história de Adailton no esporte começou ainda jovem. Na época, ele costumava jogar futebol pelas ruas de Jauá, até receber o convite para conhecer o karatê. A oportunidade surgiu por meio de Dona Jô, proprietária de uma loja de material de construção da região, que mantinha uma parceria social com o professor Alberto, da academia Askalin.
Sem condições financeiras para pagar as mensalidades, adquirir equipamentos e realizar exames de faixa, Adailton contou com o apoio de Dona Jô para começar a treinar.
O desempenho nos tatames veio rapidamente. Depois de alcançar a faixa vermelha, passou a disputar competições municipais e estaduais e começou a se destacar entre os atletas da região.
Adailton Santana ficou oito anos longe do karatê antes de recomeçar no esporte
Quando estava na faixa marrom, Adailton passou um período difícil após a morte do avô. O atleta interrompeu os treinamentos e ficou oito anos afastado do esporte.
Durante esse período, dedicou-se aos estudos, à família e ao trabalho na construção civil, área em que posteriormente passou a atuar como mestre de obras.
Há quatro anos, decidiu retornar à academia Askalin, acompanhado por outros atletas veteranos. Em entrevista ao Aratu On, a criação de um grupo voltado para atletas que haviam deixado o esporte foi fundamental para despertar novamente a vontade de competir.
“Esse movimento acabou despertando novamente em mim algo que nunca tinha deixado de existir: a paixão pelo Karatê”, contou Adailton.
Uma forte enchente atingiu a academia e destruiu o piso do espaço, colocando em risco a continuidade das atividades. Com experiência na construção civil, Adailton decidiu colocar o conhecimento profissional a serviço da academia.
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Durante 20 dias, deixou os trabalhos externos para ajudar na recuperação do espaço junto com outros alunos. O esforço foi reconhecido pelos companheiros de treino. Professor e atletas se uniram para custear o exame que possibilitou a Adailton conquistar a faixa preta, já que ele não tinha condições financeiras para assumir o custo naquele momento.
Depois da recuperação da academia, o atleta passou a conciliar novamente o trabalho durante o dia com os treinos à noite. A rotina exige disciplina e disposição para conciliar as duas atividades.
“Chego em casa, tomo meu banho e sigo para o treino, porque é algo que faz parte da minha vida e que eu faço com prazer”, afirmou.
A rotina de preparação também é intensa. Durante a semana, são cerca de uma hora de treino por dia, enquanto aos sábados os treinamentos podem chegar a duas horas e meia. Ao todo, são aproximadamente 7h30 de treinamento por semana.
“É uma rotina que exige disciplina, organização e muitos sacrifícios, principalmente conciliando o trabalho com os treinos. Mas, quando existe um objetivo e a vontade de continuar competindo, a gente encontra forças para seguir”, destacou.
Para participar das competições, Adailton também precisou buscar alternativas financeiras. Ao longo da trajetória, contou com rifas, bingos, amigos, comerciantes de Jauá e o apoio da própria comunidade.
Títulos e conquistas: Adailton Santana representa Camaçari em competições nacionais
O esforço começou a ser recompensado com resultados expressivos. Na primeira competição após o retorno aos tatames, a Taça do Poeta, em Castro Alves, Adailton conquistou o título. Depois, foi campeão baiano e decidiu disputar o Campeonato Brasileiro.
Em Brasília, conquistou o título de Campeão Brasileiro Master A -75 kg. No ano seguinte, voltou à competição nacional, ficou com o segundo lugar e garantiu a vaga para o Campeonato Sul-Americano Master.
Em Fortaleza, no Ceará, viveu outro momento marcante ao conquistar o vice-campeonato sul-americano.
Entre todas as conquistas, porém, uma tem significado especial para o atleta: a oportunidade de vestir pela primeira vez a camisa da Seleção Brasileira de Karatê.
“O Campeonato Sul-Americano teve um significado muito especial para mim, porque me deu a honra de defender o meu país e, pela primeira vez, vestir a camisa da Seleção Brasileira de Karatê”, afirmou.
Adailton também destaca duas finais de Campeonato Brasileiro como lutas que marcaram sua trajetória. A primeira foi em 2024, quando conquistou o título nacional. A segunda ocorreu em 2025, quando garantiu a vaga para representar o Brasil.
“Não estava lutando apenas por uma medalha, mas por um sonho: vestir a camisa do meu país e ter a oportunidade de representar o Brasil”, relembrou.
Mesmo com os resultados, a falta de patrocínio continuou sendo uma dificuldade. Os custos para disputar campeonatos podem chegar a R$ 4 mil por atleta, considerando inscrição, transporte, alimentação e hospedagem.
Em algumas ocasiões, a equipe precisa viajar durante a madrugada e seguir diretamente para as competições, reduzindo o tempo de descanso para tentar diminuir as despesas.
Antes de contar com apoio empresarial, Adailton buscava recursos por meio de rifas, bingos e contribuições de amigos, comerciantes e moradores de Jauá.
“Cada contribuição, por menor que pareça, faz uma diferença enorme. É essa união que torna a caminhada um pouco mais leve”, afirmou.
Porém um marco importante na trajetória recente de Adailton aconteceu durante o projeto Praia Limpa , realizado na Praia de Jauá. Na ocasião, o atleta apresentou as dificuldades enfrentadas para manter a carreira e participar das competições. A partir desse contato, a TRONOX passou a apoiar Adailton.
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O incentivo permitiu que o atleta adquirisse materiais oficiais usados nas competições, como quimono, caneleiras, protetores de acessórios e faixas homologadas.
Adailton, no entanto, decidiu ampliar o alcance do apoio. Em vez de beneficiar apenas a própria carreira, pediu que outros atletas da academia Askalin também fossem contemplados.
A empresa passou a contribuir com despesas de viagens e inscrições em competições, como o Open Nacional, em Aracaju, e a Copa Dória, em Belo Campo.
“Hoje, ter o apoio da TRONOX representa muito mais do que um patrocínio. É a oportunidade de continuar sonhando, treinando e competindo com um pouco mais de tranquilidade”, afirmou.
Atualmente, a TRONOX e a academia Askalin também dialogam sobre a estruturação de um projeto social permanente voltado para jovens em situação de vulnerabilidade .
Para Adailton, o incentivo representa mais do que uma ajuda individual. O apoio também pode contribuir para manter o esporte acessível e criar novas oportunidades para jovens da região.
“Quando uma empresa patrocina um atleta, ela não está apenas ajudando a pagar uma inscrição, uma viagem ou uma hospedagem. Ela está dando condições para que esse atleta tenha mais tempo para treinar, aperfeiçoar sua técnica e buscar seus objetivos”, explicou.
Com novas competições previstas até o fim do ano, Adailton pretende continuar levando o nome de Jauá, Camaçari, da academia Askalin e do Brasil aos tatames.
“Quero continuar levando a minha arte, representando meu clube, minha comunidade, minha cidade e o meu país”, finalizou.
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