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Após duas décadas, menina de 12 anos volta a colocar Bahia no Sul-Americano de Hipismo

Amazona baiana de 12 anos volta a colocar a Bahia na equipe brasileira da competição internacional, que será realizada em outubro, no Chile

Por Laraelen Oliveira.

Aos 12 anos, a amazona baiana Beatriz Tavares Saraiva, conhecida como Bibi Saraiva, foi convocada pela Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) para integrar a equipe nacional que representará o Brasil no Sul-Americano de Hipismo. A competição será realizada em outubro, no Chile, na categoria Pré-Mirim, com obstáculos de até 1,10 metro.

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O Hipismo baiano volta a ganhar espaço no cenário internacional. Após cerca de 20 anos, uma amazona da Bahia integra novamente a equipe brasileira em uma competição Sul-Americana/Foto: Arquivo pessoal 

A convocação foi recebida com emoção pela família da atleta. A mãe e responsável por Bibi, Clarissa Tavares, contou ao Aratu On que a notícia chegou com alegria e também com surpresa, já que este era o primeiro ano da jovem nas seletivas para o torneio internacional.

“Recebemos com muita alegria e uma certa surpresa, pois sabíamos que era especialmente difícil nesse primeiro ano em que ela participa das seletivas para o Sul-Americano. Mas, acima de tudo, sentimos muito orgulho dela por saber o quanto se dedicou e evoluiu para poder ser uma das selecionadas”, afirmou.

Bibi Saraiva é a primeira baiana em 20 anos a representar o Brasil no Sul-Americano de Hipismo 

Conhecida nas pistas pelo característico capacete rosa, Bibi vem construindo uma trajetória no hipismo marcada por dedicação, disciplina e uma relação próxima com os cavalos. A convocação representa um momento importante na carreira da jovem atleta, que agora terá a oportunidade de vestir a camisa do Brasil pela primeira vez em uma competição internacional.

Em 2025, ainda competindo na série de 1 metro, a amazona conquistou resultados de destaque. Bibi foi campeã dos rankings da Federação Hípica da Bahia e do circuito Norte-Nordeste, além de vencer o CSN 4* Top Rider, em São Paulo.

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A jovem Bibi Saraiva, conhecida pelo capacete rosa, é um dos destaques do Hipismo baiano. Aos 12 anos, ela se prepara para disputar sua primeira competição internacional pela equipe brasileira/Foto: Arquivo pessoal 

No mesmo ano, a atleta encerrou a temporada com mais um título de destaque, foi campeã do CSN Copa do Brasil, competição que reuniu campeões de diferentes estados do país, realizada em Curitiba.

A rotina para conciliar os estudos e o esporte é intensa. Segundo Clarissa, Bibi estuda em período integral e mantém uma agenda semanal rigorosa de treinamentos.

“A vida de uma aluna-atleta não é fácil e exige muita organização e, principalmente, algumas escolhas. Bibi estuda em período integral e, normalmente, os treinos acontecem às quartas, sextas, sábados e domingos. Durante a semana, ela sai da escola e vai direto para os treinos”, explicou.

A mãe destaca que o sonho da filha exige renúncias e apoio familiar.

“Para conseguir conciliar tudo, é preciso priorizar o esporte e abrir mão de alguns momentos de lazer e programas próprios da idade. É uma escolha que fazemos em família porque sabemos o quanto esse sonho é importante para ela”, disse.

Clarissa também ressaltou a importância das instituições que contribuíram para a formação esportiva da amazona.

“A Academia Baiana de Hipismo deu uma base muito importante, e André Giovanini e Manu Cunha foram e continuam sendo referências. No Manège Alphaville, com Esdra Ramos e sua equipe, Bibi adquiriu ainda mais competitividade e passou por uma lapidação para alturas maiores. Tivemos a sorte de contar com duas das principais escolas e hípicas do Brasil”, afirmou.

Capacete rosa vira identidade nas pistas de hipismo; saiba história do acessório 

Bibi iniciou a trajetória na Academia Baiana de Hipismo, em Salvador, espaço conhecido pela formação de talentos do esporte na Bahia. Atualmente, a jovem treina no Manège Alphaville, em São Paulo, sob orientação do treinador Esdra Ramos, profissional reconhecido pela preparação de atletas do hipismo nacional e internacional.

Com a convocação, a chamada “menina do capacete rosa” intensificou a preparação para o campeonato. Os treinamentos estão voltados para a evolução técnica da amazona e para o fortalecimento da parceria entre atleta e cavalo, buscando formar um conjunto preparado para os desafios da competição internacional.

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No Hipismo, a parceria entre cavalo e amazona é fundamental. Para o Sul-Americano, Bibi Saraiva intensifica os treinamentos técnicos e o trabalho de preparação do conjunto/Foto: Arquivo pessoal 

Além dos resultados nas pistas, Bibi ficou conhecida pelo capacete rosa, acessório que acabou se transformando em uma marca pessoal da atleta.

“Tudo começou quando ela ainda era da escolinha. Como mãe de menina, eu sonhava com sapatilhas, tutus e balé, mas a aptidão dela acabou sendo outra: o hipismo. Quando fomos comprar os equipamentos, escolhi um capacete rosa porque os mais comuns eram pretos e azul-marinho”, contou Clarissa.

Segundo a mãe, o item, inicialmente apenas uma escolha estética, tornou-se um símbolo da jovem atleta.

“No começo, ela ficou um pouco envergonhada, porque era diferente e chamava atenção. Depois de tantas competições, as pessoas começaram a se referir a ela como ‘a menina do capacete rosa’. Hoje, ela se identifica completamente com isso e carrega essa identidade com muito orgulho”, disse.

A participação no Sul-Americano marca ainda um momento simbólico para o hipismo baiano. Após cerca de 20 anos, uma amazona da Bahia volta a integrar a equipe brasileira em uma competição Sul-Americana da modalidade.

“É uma competição muito difícil, com conjuntos muito fortes, tanto do Brasil quanto dos demais países. Nosso principal objetivo é que Bibi seja consistente na preparação, chegue bem e aproveite cada momento dessa experiência. Claro que não custa sonhar com um lugar no pódio, mas, para nós, só o fato de ela estar lá, integrando uma delegação brasileira e representando o país, já é algo muito especial e emocionante”, concluiu Clarissa. 

Em 2025, a Bahia chegou a trazer uma medalha de ouro para o estado através da delegação baiana que conquistou o título na disputa por equipes, superando concorrentes de todo o país em uma competição que reuniu mais de 400 atletas. O time vencedor foi formado por Beatriz Garcez, Melissa Godinho, Maete Vieira e João Bezerra, que somaram pontos decisivos ao longo dos dias de prova para garantir o lugar mais alto do pódio. 

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