Quem foi Ruy Barbosa? Conheça a trajetória do baiano que se tornou a 'Águia de Haia'
Um dos nomes mais conhecidos da história política e jurídica do Brasil, Ruy Barbosa nasceu em Salvador, em 5 de novembro de 1849
Por Bruna Castelo Branco.
Um dos nomes mais conhecidos da história política e jurídica do Brasil, Ruy Barbosa (ou Rui) nasceu em Salvador, em 5 de novembro de 1849. Advogado, jurista, jornalista, diplomata, escritor e orador, ele construiu uma trajetória que ultrapassou as fronteiras da Bahia e ganhou projeção internacional. Ainda assim, a terra natal teve papel importante em sua formação e em momentos decisivos de sua atuação pública.
No aniversário do baiano, celebrado neste 5 de novembro, o Aratu On relembra a relação de Ruy Barbosa com a Bahia, desde os primeiros anos de vida até sua participação na política do estado e sua atuação em defesa da abolição da escravidão.

Infância e formação em Salvador
Ruy Barbosa nasceu na antiga Rua dos Capitães, na Freguesia da Sé, no Centro de Salvador. O endereço passou a levar seu nome e ficou conhecido como Rua Rui Barbosa. Ele era filho de João José Barbosa de Oliveira e Maria Adélia Barbosa de Oliveira.
A influência da família, especialmente do pai, foi importante para sua formação. João Barbosa atuou na política e na educação pública da província, tendo dirigido a Instrução Pública da Bahia. Desde cedo, incentivou o filho a estudar e a desenvolver o interesse pela leitura.

Em 1854, aos quatro anos, Ruy iniciou os estudos com o professor Antônio Gentil Ibirapitanga. Anos depois, em 1861, ingressou no Ginásio Baiano, instituição dirigida por Abílio César Borges, posteriormente conhecido como Barão de Macaúbas.
Foi nesse ambiente escolar que conheceu o poeta Castro Alves, outro nome que marcaria a história da Bahia e da literatura brasileira. A trajetória dos dois voltaria a se cruzar nos anos seguintes, especialmente no ambiente acadêmico e nas discussões sobre a abolição da escravidão.
Em 26 de novembro de 1865, ainda estudante, Ruy Barbosa fez seu primeiro discurso público durante uma solenidade de distribuição de prêmios no Ginásio Baiano. Na ocasião, recebeu uma medalha de ouro entregue pelo arcebispo primaz da Bahia.

Da Bahia para Pernambuco
Aos 16 anos, Ruy Barbosa ingressou na Faculdade de Direito do Recife, em Pernambuco. Em 1868, transferiu-se para a Faculdade de Direito de São Paulo, onde concluiu o curso em 1870.
Durante a formação acadêmica, aproximou-se de movimentos políticos e intelectuais, participou de associações estudantis e se envolveu com a defesa de reformas políticas e da abolição da escravidão.
Depois de formado, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a atuar como advogado e jornalista. Mesmo longe de Salvador, a Bahia continuou presente em sua trajetória política.

Atuação política e defesa da abolição
Ruy Barbosa foi eleito deputado provincial e, posteriormente, deputado geral pela Bahia. No Parlamento, defendeu pautas como o sistema federativo, a reforma eleitoral e a ampliação das liberdades civis.
Um dos episódios que aproximam sua história da luta abolicionista na Bahia ocorreu em 1888, em Salvador. Durante um evento promovido pela Sociedade Libertadora Baiana, no Teatro São João, Ruy Barbosa defendeu a abolição da escravidão e o federalismo.
A participação aconteceu no ano em que a Lei Áurea foi assinada, em 13 de maio, e reforça a presença do jurista nos debates que antecederam o fim legal da escravidão no Brasil.
A Bahia também o levou ao Senado
Com a Proclamação da República, em 1889, Ruy foi nomeado ministro da Fazenda do Governo Provisório. Também respondeu, durante determinado período, pela pasta da Justiça.
Na Assembleia Constituinte, ele teve participação importante na elaboração da primeira Constituição republicana, promulgada em 1891. Naquele ano, foi eleito senador pela Bahia, cargo que ocupou por sucessivas legislaturas até o fim da vida.
Sua atuação no Senado incluiu debates sobre o funcionamento das instituições republicanas, as liberdades individuais e os limites do poder estatal. Também se destacou na defesa do habeas corpus em favor de pessoas presas durante o governo de Floriano Peixoto, posição que contribuiu para seu exílio em 1893.
Em 1905, a Bahia voltou a ter papel de destaque em sua trajetória eleitoral: seu nome foi lançado no estado como possível candidato à Presidência da República. Ruy, no entanto, abriu mão da candidatura naquele momento, em favor de Afonso Pena.

Reconhecimento internacional
A projeção de Ruy Barbosa alcançou dimensão internacional em 1907, quando representou o Brasil na Segunda Conferência Internacional da Paz, realizada em Haia, nos Países Baixos.
Na ocasião, defendeu o princípio da igualdade jurídica entre as nações, contestando a ideia de que os países mais poderosos deveriam ter maior autoridade nas decisões internacionais. Sua atuação lhe rendeu reconhecimento e o apelido de “Águia de Haia”.
Em 1921, foi eleito juiz do Tribunal Permanente de Justiça Internacional, criado no âmbito da Liga das Nações.
Ruy Barbosa morreu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 1º de março de 1923, aos 73 anos. Seu legado permanece associado à política, ao Direito, ao jornalismo, à diplomacia e à defesa das liberdades individuais.

Memória preservada na Bahia
A ligação de Ruy Barbosa com Salvador também está presente na memória e no patrimônio da cidade. A antiga Rua dos Capitães, onde nasceu, passou a se chamar Rua Ruy Barbosa, e seu nome foi incorporado a instituições e espaços públicos.
O Tribunal de Justiça da Bahia também promoveu, em 2023, uma programação especial em homenagem ao centenário da morte do jurista, destacando sua origem baiana e sua contribuição para a história do país.
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