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MPBA aponta que tenente-coronel da PM-BA recebeu R$ 119 mil de líder de milícia

Denúncia detalha transferências bancárias, pagamento de despesas familiares e suposta atuação do oficial em favor de grupo armado no oeste da Bahia

Por Isabela Cardoso.

Novos detalhes da denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) contra o tenente-coronel da Polícia Militar, Luiz Augusto Normanha de Carvalho, apontam que o oficial teria recebido R$ 119 mil em transferências de Carlos Erlani Gonçalves Santos, condenado por liderar uma milícia armada no oeste baiano. 

O tenente-coronel da Polícia Militar, Luiz Augusto Normanha de Carvalho, foi preso em outubro | Foto: Reprodução

De acordo com o MPBA, os repasses ocorreram em 11 de dezembro de 2023, quando foram identificadas sete transferências de R$ 15 mil e outras duas de R$ 7 mil. Para os investigadores, a movimentação apresenta características incomuns e não seria compatível com a capacidade financeira declarada pelo oficial.

A denúncia aponta ainda que, entre Carlos Erlani e o tenente-coronel, foram identificadas 43 transferências, que somam R$ 338 mil. Desse total, R$ 286 mil corresponderiam a movimentações recorrentes, incluindo pagamentos mensais de R$ 15 mil entre setembro de 2021 e abril de 2025.

MP aponta pagamento de despesas da família

A investigação também identificou 15 transferências que totalizaram R$ 41,7 mil para a conta da esposa do oficial. Segundo o Ministério Público, Carlos Erlani ainda teria custeado a mensalidade de R$ 11.662,51 do curso de Medicina da filha do tenente-coronel e fornecido combustível para o veículo utilizado pela família.

A análise do sigilo bancário apontou movimentações consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelo casal. Conforme a denúncia, o tenente-coronel informou rendimentos anuais entre R$ 184 mil e R$ 328 mil, mas recebeu créditos líquidos superiores a R$ 950 mil em 2022 e R$ 1,3 milhão em 2023.

Em relação à esposa, o MPBA afirma que não havia rendimentos declarados desde 2017. Para os investigadores, a conta dela pode ter sido utilizada para ocultar e movimentar recursos provenientes de corrupção, uma vez que as transações identificadas seriam até 12 vezes superiores aos valores compatíveis com os dados fiscais.

Mensagens indicariam atuação em favor da milícia

Além das movimentações financeiras, mensagens extraídas de aparelhos celulares são apontadas pelo MPBA como indícios de que o oficial participava da organização da segurança privada ligada ao grupo armado.

Segundo a denúncia, ele teria atuado na definição de escalas de vigilantes em propriedades rurais, discutido negócios de segurança em conjunto com integrantes da milícia e interferido em conflitos agrários em favor do grupo, inclusive contra comunidades tradicionais.

O Ministério Público também contesta a justificativa apresentada pelo tenente-coronel de que os valores recebidos seriam pagamentos por serviços de brigada de incêndio. Para o órgão, não foram apresentados documentos produzidos à época que comprovassem a prestação dos serviços. A explicação também seria incompatível com conversas e áudios analisados durante a investigação.

Operação Terra Justa

O tenente-coronel foi preso em 7 de outubro, durante a Operação Terra Justa, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPBA. A investigação apura a relação entre agentes públicos e integrantes de uma organização criminosa com atuação no oeste da Bahia.

O oficial foi denunciado por corrupção passiva militar, com agravantes, enquanto Carlos Erlani responde por corrupção ativa militar, também com agravantes. Segundo o MPBA, os crimes teriam ocorrido ao longo de pelo menos quatro anos.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça. A equipe do Aratu On entrou em contato com a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) para solicitar um posicionamento sobre as acusações e aguarda retorno.

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