Mortes de 12 pessoas após operação da PM em Cajazeiras entram na mira do MP-BA por suspeita de abusos e letalidade
Ministério Público busca apurar as circunstâncias dos óbitos, possíveis excessos na atuação do BPATAMO e eventuais irregularidades durante a operação realizada em setembro
Por Victor Hernandes.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) vai investigar as mortes de 12 pessoas encontradas após uma operação da Polícia Militar (PM-BA) no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador, realizada no dia 15 de setembro. A ação foi conduzida pelo Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPATAMO).

O procedimento tem como objetivo apurar possíveis episódios de letalidade policial e verificar se houve abusos durante a atuação das equipes. A Promotoria também pretende acompanhar as investigações sobre o confronto e os desdobramentos fatais na comunidade.
A apuração busca esclarecer se a atuação dos policiais respeitou os limites da legalidade e se o uso da força foi justificado pelas circunstâncias da ocorrência. Caso sejam constatadas irregularidades ou condutas criminosas, o MP-BA poderá adotar as medidas criminais e administrativas cabíveis.
MP-BA apura possíveis abusos em operação da PM em Cajazeiras
Entre os pontos que serão analisados estão os disparos efetuados pelas equipes do BPATAMO e o nível de violência empregado durante a incursão policial. O Ministério Público também pretende verificar se houve execução ou abuso de poder.
Outro aspecto da investigação é a preservação do local do confronto e das evidências para a realização de perícias técnicas.
O MP-BA também busca identificar os policiais envolvidos na operação, para que sejam adotadas eventuais medidas criminais e disciplinares caso sejam comprovados atos ilícitos.
A abertura do procedimento está fundamentada nas atribuições constitucionais do Ministério Público de exercer a fiscalização e o controle externo da atividade policial e das forças de segurança pública do estado.
Operação da PM em Cajazeiras terminou inicialmente com nove mortos
A operação foi realizada na tarde de 15 de setembro, no bairro de Cajazeiras XI, e terminou inicialmente com nove suspeitos mortos após um confronto com policiais militares. A ação foi conduzida pelo BPATAMO. Durante a ocorrência, um homem foi preso.
Segundo a Polícia Militar, as guarnições realizavam uma intensificação do policiamento, com incursões na localidade, quando encontraram indivíduos armados. Conforme a corporação, os suspeitos atiraram contra os policiais e fugiram para uma área de mata.
Ainda de acordo com a PM, nove homens foram encontrados feridos e encaminhados ao Hospital Eládio Lasserre, mas não resistiram aos ferimentos. O homem preso foi apresentado na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), juntamente com o material apreendido.
Durante a operação, foram apreendidos quatro fuzis, uma carabina 9 mm, uma espingarda calibre 12 automática e pistolas, além de uma placa de colete balístico, munições, drogas e celulares.
Três corpos foram encontrados em mata de Cajazeiras oito dias depois
Oito dias após o confronto, em 23 de setembro, três corpos foram encontrados em uma área de mata na região de Cajazeiras, resultando assim 12 vítimas fatais. A Polícia Militar confirmou a localização de dois deles, após equipes serem acionadas para atender à ocorrência.
As novas localizações aconteceram na mesma região onde havia ocorrido o confronto que deixou nove mortos. As identidades das duas vítimas encontradas posteriormente ainda não haviam sido divulgadas oficialmente pelas autoridades.
Nove homens mortos na operação foram identificados
Os nove homens mortos durante o confronto foram identificados anteriormente pelo Aratu On. Entre eles estava William Couto Neves, apontado pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) como o principal alvo da operação.
Conforme a SSP-BA, ele seria responsável pelo transporte de armas, drogas e munições para uma organização criminosa, além de prestar apoio logístico aos integrantes do grupo.
Ainda segundo a secretaria, William também atuaria como motorista de diferentes membros da organização. Ele tinha registro de passagem pela Cadeia Pública de Salvador por tráfico de drogas.

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