Justiça mantém condenação de pastores pela morte de Lucas Terra
Decisão unânime confirma penas de 21 anos pelo assassinato de Lucas Terra, morto em 2001
Por Matheus Caldas.
A Justiça da Bahia manteve a condenação dos pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva pela morte de Lucas Terra, em 2001. A decisão foi tomada de forma unânime por três desembargadores, durante audiência realizada nesta quinta-feira (5), em Salvador.
Lucas Terra tinha 14 anos quando foi estuprada, queimada viva e teve o corpo abandonado em um terreno baldio da capital baiana.
A condenação foi definida 22 anos depois do crime, durante júri realizado em abril de 2023. Na ocasião, os dois pastores foram sentenciados a 21 anos de prisão em regime fechado.

Apesar da condenação, os réus estão em liberdade enquanto aguardavam o julgamento do recurso apresentado pela defesa.
Ainda há prazo para a apresentação de embargos ou outros recursos. Mesmo assim, a legislação permite que seja solicitada a execução da pena após a decisão desta quinta-feira.
A família de Lucas Terra disse que pretende formalizar o pedido para que os dois condenados sejam presos. Apesar disto, a mãe de Lucas, Marion, celebrou o trânsito em julgado do processo (veja abaixo).
Mãe de Lucas Terra luta por justiça
Marion Terra, mãe de Lucas Terra, publicou um vídeo nas redes sociais, em novembro de 2025, no qual voltou a cobrar a conclusão do processo que envolve os líderes religiosos acusados pelo crime.
No desabafo, ela afirma que passou quase 25 anos sem qualquer forma de assistência enquanto busca justiça pela morte do filho. “Eu, mãe de Lucas Terra. Por quase 25 anos vivo o abandono total. Nenhum psicólogo. Nenhum assistente social. Nenhum acolhimento institucional”, declarou.
la relata que envelheceu acompanhando a demora na responsabilização dos envolvidos e afirma que a falta de avanços no caso aprofundou o sofrimento vivido desde 2001.
“O crime tirou meu filho. A omissão tirou minha paz”, disse. No vídeo, a mãe reforça que continua falando publicamente sobre o caso para evitar que outras famílias enfrentem a mesma espera. “Eu falo porque outras mães também são deixadas para trás. E porque a justiça não pode continuar cega para a vítima”, afirmou.
A publicação também pede apoio dos internautas e busca manter o caso em evidência. “Se você se revolta com isso, fique ao meu lado. Comente ‘justiça’ e compartilhe para que essa história não seja apagada”, declarou. Ao encerrar o vídeo, ela criticou novamente a demora na conclusão do processo envolvendo o pastor acusado. “A justiça que atrasa, mata”, disse.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).