Justiça condena PMs por matar e carbonizar corpo de Geovane Mascarenhas

A Justiça condenou os PMs Jesimiel e Cláudio pela morte do jovem Geovane; eles foram a júri popular na última quarta-feira (17), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador

Por Victor Souza.

Os policiais militares acusados de participar da morte de Geovane Mascarenhas de Santana, em agosto de 2014, foram condenados pela Justiça da Bahia. Os ex-agentes foram a júri popular na última quarta-feira (17), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

Juri De Pms Acusados De Matar E Carbonizar Corpo De Geovane Comeca Em Salvador

A sentença divulgada na madrugada desta sexta-feira (19), condenou Jesimiel a 25 anos, 3 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, roubo e ocultação de cadáver. O réu cumprirá a pena em regime inicial fechado.

Já o outro policial, Cláudio Bonfim foi condenado a 20 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e roubo. Ele vai cumprir a pena em regime inicial fechado.

Policiais condenados no caso Geovane

Além de Jesimiel e Cláudio dois, a acusação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), também resultou na condenação do ex-PM Jailson Gomes Oliveira pelo crime de roubo a seis anos e quatro meses de prisão, que cumprirá em regime semiaberto.

Outras sete pessoas foram levadas a julgamento popular por envolvimento na morte do jovem. Foram acusados também os policiais militares em atividade Daniel Pereira de Sousa Santos, Alex Santos Caetano, Roberto Santos de Oliveira e Allan Moraes Galiza dos Santos. No julgamento, eles foram absolvidos pelos jurados.

Condenação de policiais pela morte do jovem Geovane

De acordo com a acusação do MP-BA, Geovane foi abordado na Rua Nilo Peçanha na tarde do dia 2 de agosto de 2014 por uma guarnição da Ronda Especial (Rondesp). A vítima permaneceu sob a custódia dos agentes e não retornou para casa.

Segundo os promotores, baseados em laudo pericial de geolocalização, as viaturas da guarnição utilizadas na abordagem de Geovane foram as mesmas que, durante a ‘Operação Noturna’, deslocaram-se pelo subúrbio ferroviário e estacionaram horas depois, à noite, exatamente junto aos dois locais onde foram encontrados restos mortais de Geovane na região.

O corpo do jovem foi encontrado no dia 3 de agosto, carbonizado, decapitado e mutilado, nas proximidades do Parque São Bartolomeu. Dias depois, a cabeça e as demais partes foram localizadas no Parque Tecal, em Campinas de Pirajá, a cerca de 2,5 quilômetros de distância.

Defesa alegou que vítima foi liberada

Nos depoimentos prestados à época, os policiais afirmaram que Geovane foi abordado por possuir características semelhantes às de um suspeito de assalto.

Segundo a versão apresentada pelos agentes, ele teria sido levado para reconhecimento por uma vítima de roubo na região da Calçada. Como não foi reconhecido, teria sido liberado em seguida.

GPS da viatura foi peça-chave na investigação

As investigações avançaram após a Polícia Civil solicitar os registros de GPS da viatura envolvida na abordagem.

Uma perícia do Departamento de Polícia Técnica (DPT) constatou que a fiação do aparelho GPS da viatura comandada pelo subtenente Cláudio Bonfim Borges havia sido danificada.

Apesar disso, os investigadores conseguiram reconstruir parte do trajeto por meio do sistema de geolocalização do rádio de comunicação utilizado pelas equipes policiais.

Os dados revelaram que duas viaturas estiveram nos locais onde os restos mortais de Geovane foram abandonados na mesma noite em que ele desapareceu.

A análise também identificou divergências entre os trajetos registrados eletronicamente e as informações apresentadas pelos policiais nos relatórios de serviço.

Contradições nos depoimentos

Inicialmente, policiais de uma das guarnições afirmaram que não tiveram contato com a outra equipe envolvida na ocorrência.

Posteriormente, mudaram a versão e admitiram ter se encontrado brevemente, alegando que o contato ocorreu apenas para comunicar a liberação antecipada de um dos agentes do serviço.

As informações de geolocalização, porém, indicaram deslocamentos compatíveis entre as equipes ao longo da noite.

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