Guerra de Espadas segue proibida em Senhor do Bonfim no São João, confirma MP-BA
A Guerra de Espadas de Senhor do Bonfim não poderá ser realizada de forma legal durante os festejos de São João de 2026
Por Bruna Castelo Branco.
A Guerra de Espadas de Senhor do Bonfim não poderá ser realizada de forma legal durante os festejos de São João de 2026. A confirmação foi feita pelo Ministério Público do Estado da Bahia, que informou não haver tempo hábil para a conclusão das etapas técnicas e das autorizações necessárias junto ao Exército Brasileiro antes do dia 23 de junho.
A decisão ocorre cerca de seis meses após a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o MP-BA, a Prefeitura de Senhor do Bonfim e a Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim, que buscava viabilizar a realização da manifestação cultural em um espaço específico, o espadódromo, com protocolos de segurança e utilização de artefatos certificados.

Segundo a nota divulgada pelas instituições envolvidas, apesar dos avanços obtidos nos últimos meses, a complexidade do processo de regulamentação impediu que todas as exigências legais e técnicas fossem concluídas a tempo.
“Em razão dessas exigências legais e técnicas, e apesar dos expressivos avanços alcançados ao longo dos últimos meses, não será possível concluir todas as etapas necessárias para obtenção da certificação e das autorizações correspondentes em tempo hábil para a realização da Guerra de Espadas no dia 23 de junho deste ano”, diz um trecho da nota.
O Ministério Público ressaltou que o processo vem sendo conduzido com responsabilidade e dentro dos parâmetros previstos na legislação, com o objetivo de garantir uma solução definitiva, com segurança jurídica e operacional para a preservação da tradição.
As instituições informaram ainda que continuam trabalhando de forma integrada para concluir o processo de certificação e regulamentação da Guerra de Espadas. Até que isso ocorra, permanecem em vigor as normas atuais relacionadas à fabricação, comercialização, transporte e utilização das espadas juninas.
A proposta de regulamentação envolvia a adequação do local destinado ao evento, vistorias técnicas e a certificação dos artefatos conforme as regras do Exército Brasileiro. O processo contou com acompanhamento de órgãos de segurança pública, do Corpo de Bombeiros e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia.
Segundo as instituições, os avanços alcançados até o momento representam um passo importante para que, futuramente, a Guerra de Espadas possa acontecer de forma regulamentada, segura e amparada juridicamente. A iniciativa também coloca Senhor do Bonfim como referência na busca por alternativas capazes de conciliar tradição cultural, segurança pública e cumprimento da legislação.
Prática segue proibida
Enquanto a regulamentação definitiva não é concluída, a fabricação, comercialização, transporte e utilização irregular de espadas continuam sujeitas às normas legais vigentes.
A Guerra de Espadas é uma das manifestações mais tradicionais do São João bonfinense, mas há anos enfrenta restrições e debates judiciais devido aos riscos de acidentes envolvendo explosivos. O acordo firmado em 2025 foi considerado um avanço na tentativa de preservar a tradição dentro de critérios de segurança e legalidade.

Perigos na guerra de espadas
Anualmente, o Corpo de Bombeiros publica alertas sobre os perigos na produção das espadas e outros explosivos, que é artesanal, e realizada, muitas vezes, em locais improvisados, como barracões e depósitos. Este ano, apesar da proibição, moradores do bairro de Periperi, em Salvador, foram filmados promovendo Guerras de Espadas na região.
No último 23 de junho, véspera de São João, ninguém foi preso pela atividade no município. Em nota publicada no período junino, a Prefeitura de Senhor do Bonfim reforçou a "importância de celebrar com responsabilidade e respeito às leis", e destacou que a Guerra de Espadas "representa riscos reais à vida e à segurança de todos e é considerada crime, conforme previsto na Lei Federal nº 10.826/2003".
Música do São João 2026
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