Deputado envolvido em episódio de agressões na Ufba é intimado pela Justiça; entenda
Deputado foi intimado pelo MPF para prestar esclarecimentos sobre confusão na Ufba
Por Victor Hernandes.
O deputado estadual Diego Castro (PL) foi intimado pela Justiça para prestar esclarecimentos sobre a confusão registrada na Universidade Federal da Bahia (Ufba), no último dia 20 de agosto. A informação foi divulgada pela assessoria do parlamentar na tarde desta quarta-feira (9).

Diego Castro esteve envolvido no episódio ocorrido na Faculdade de Comunicação (Facom) da Ufba, no campus de Ondina, em Salvador. Durante a confusão, um estudante relatou ter sido agredido pelo deputado e por pessoas que o acompanhavam.
A intimação ocorreu após a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) encaminhar um ofício e um relato sobre o caso ao órgão responsável pela apuração. O documento solicita a análise das circunstâncias da confusão e da participação do deputado e das pessoas que estavam com ele.
Segundo a assessoria de Diego Castro, a iniciativa não busca, inicialmente, atribuir responsabilidade pelo episódio. O parlamentar deverá apresentar sua versão dos fatos e prestar os esclarecimentos solicitados.
Entenda o que aconteceu na Ufba
A confusão envolvendo Diego Castro e estudantes aconteceu na manhã do dia 20 de agosto, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, durante uma atividade de acolhimento de calouros. O episódio ocorreu na semana de retorno das aulas do segundo semestre e envolveu o deputado estadual, estudantes e pessoas que acompanhavam o parlamentar.
Segundo relatos de estudantes, o parlamentar esteve na instituição acompanhado de uma equipe e retirou adesivos de apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que estavam colados em paredes da Faculdade de Comunicação.
Durante a passagem pela Facom, Diego Castro também gravou um vídeo dentro do banheiro feminino da unidade. O espaço é destinado a mulheres cisgênero, trans, travestis e pessoas não binárias. O conteúdo publicado pelo deputado nas redes sociais foi apontado como transfóbico por estudantes.
A presença do parlamentar provocou uma discussão com alunos. Em vídeos registrados por estudantes, é possível observar parte da equipe que acompanhava Diego Castro em confronto com alunos. Em determinado momento, segundo os registros, integrantes do grupo chegam a agredir estudantes.
As imagens também mostram o diretor da Faculdade de Comunicação, professor Washington Filho, tentando conter a confusão. O confronto envolveu ainda Tobias Muniz, coordenador do Centro Acadêmico da Facom. Após o episódio, estudantes se reuniram em uma assembleia geral para discutir o ocorrido e definir o posicionamento da categoria.
Segundo o coordenador, o parlamentar teria praticado atos de violência contra estudantes e desrespeitado o diretor da unidade. “Ele agride estudantes, desrespeita o diretor da Faculdade de Comunicação e, entre outras coisas, nesse momento, após a gente sair ali da faculdade, estamos reunidos em assembleia geral para colocar o posicionamento dos estudantes da Faculdade de Comunicação e dizer que aqui fascista não se cria”, declarou.
Após a confusão, a Justiça determinou restrições à atuação do deputado estadual Diego Castro (PL) em escolas, hospitais, obras e outros equipamentos públicos estaduais da Bahia. De acordo com a determinação judicial, Diego Castro não poderá entrar em unidades de ensino da rede estadual, obras ou equipamentos administrativos do estado sem autorização prévia e agendamento formal.
O deputado também está proibido de realizar filmagens, transmissões ao vivo ou abordagens de caráter político-partidário contra servidores, professores, gestores e alunos nesses locais.
Nos hospitais, o parlamentar e outros deputados deverão seguir os protocolos definidos pela Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) para acessar áreas restritas. A decisão também proíbe registros não autorizados de pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde. Em caso de descumprimento das medidas, poderá ser aplicada multa de R$ 50 mil por ocorrência. Os valores deverão ser destinados ao Fundo de Direitos Difusos.

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