Advogado pede Defensoria em júri de Valdir Cabeleireiro para evitar novo adiamento
Após nova suspensão, assistência da família quer que defensor público esteja preparado caso advogado de réu não possa comparecer ao júri de Valdir Cabeleireiro, em outubro
Por Dinaldo dos Santos.
Após mais um adiamento do júri de Valdir Cabeleireiro, o advogado da família da vítima quer uma medida para evitar que o julgamento seja novamente suspenso: a presença da Defensoria Pública, caso o advogado particular de um dos réus não possa comparecer à próxima sessão. A nova tentativa está marcada para 6 de outubro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

O julgamento que aconteceria nesta quinta-feira (10) foi suspenso depois que o advogado de Edgar da Silva Santos, apontado como mandante do crime, apresentou um atestado médico. Segundo o advogado da família, Alonso Guimarães, o defensor está hospitalizado.
A situação, embora compreendida pela assistência da vítima, provocou nova frustração para os familiares, que aguardam há quase dez anos pelo julgamento.
A proposta apresentada ao magistrado é que a Defensoria Pública esteja previamente ciente e preparada para assumir a defesa de Edgar caso o advogado particular não tenha condições de participar da próxima sessão. Dessa forma, segundo Guimarães, seria possível preservar o direito constitucional de defesa do acusado sem provocar uma nova suspensão.
Júri de Valdir Cabeleireiro: estratégia contra nova suspensão
A preocupação da assistência da família é impedir que uma eventual ausência do advogado volte a inviabilizar a sessão. Guimarães ressaltou que não questiona o estado de saúde do defensor e reconhece que um advogado pode ficar doente, mas considera necessário encontrar uma alternativa diante do longo tempo de espera dos familiares.
O advogado explicou que a realização do julgamento sem a presença da defesa poderia gerar posteriormente uma alegação de nulidade absoluta, já que o réu tem direito à escolha de seu advogado e à defesa técnica. Por isso, a intenção é antecipar uma solução para uma eventual ausência na próxima data.
A assistência também pretende comunicar a situação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para que a entidade esteja ciente do caso.

Família espera julgamento há quase dez anos
A nova suspensão aumentou a indignação dos familiares de Valdir, que acompanham o processo desde o assassinato do cabeleireiro, em 2016.
Para Alonso Guimarães, o sucessivo adiamento do julgamento prolonga um sofrimento que já dura quase uma década. Ele afirma que a família precisa ter a oportunidade de acompanhar o julgamento e, independentemente do resultado, sentir que a Justiça foi efetivamente realizada.
“São quase dez anos esperando por justiça”, declarou. O advogado também reconhece que os jurados têm liberdade para decidir pela condenação ou absolvição dos acusados. A intenção da assistência, segundo ele, é atuar ao lado do Ministério Público para apresentar aos integrantes do Conselho de Sentença os elementos reunidos no processo.
Entre as provas que deverão ser apresentadas estão estudos de medicina legal, perícias forenses e balísticas, depoimentos de testemunhas e reconhecimentos de pessoas.
Dois homens são acusados pela morte
Edgar da Silva Santos, conhecido como “Chocolate”, e Patric Ribeiro Tupinambá são os dois acusados pelo assassinato de Valdir. Edgar é apontado pela acusação como mandante, enquanto Patric é acusado de participação na execução do crime.
Valdir Macário foi morto a tiros em 12 de novembro de 2016, dentro do próprio salão de beleza, na Avenida Vasco da Gama, em Salvador. Dois homens armados entraram no estabelecimento e efetuaram disparos contra o cabeleireiro. Câmeras de segurança registraram a movimentação dos suspeitos.
Segundo a acusação, o crime foi cometido com qualificadoras relacionadas à tortura e à impossibilidade de defesa da vítima. A assistência da família sustenta que Valdir recebeu seis disparos e sofreu ferimentos nas mãos e nos braços, apontados pelo advogado como compatíveis com uma tentativa de autodefesa.

Nova data foi marcada para outubro
Com o adiamento desta quinta-feira, o próximo julgamento está previsto para 6 de outubro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa.
Até lá, a assistência da família pretende trabalhar para que a estrutura necessária à realização da sessão esteja assegurada. A prioridade, segundo Alonso Guimarães, é evitar que uma nova ausência da defesa particular resulte em outro adiamento.
Para os familiares, a realização do júri representa a possibilidade de finalmente encerrar um ciclo de espera iniciado com a morte de Valdir, há quase dez anos.
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