Após tragédia de 2025, Igreja de São Francisco inicia nova etapa de restauração

A primeira fase do projeto de restauração da igreja de São Francisco prevê investimentos de R$ 34,7 milhões, com execução estimada em 34 meses.

Por Dinaldo dos Santos.

Patrimônio cultural brasileiro tombado desde 1938, a Igreja de São Francisco, em Salvador, inicia uma nova etapa do processo de restauração com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, após mais de um ano do desabamento parcial do templo que matou a turista paulista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos.

Desabamento do teto da igreja de São Francisco aconteceu em fevereiro de 2025. Foto: Divulgação | Codesalo Foto Codesal

Por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Ministério da Cultura (MinC), já foram investidos R$ 2,4 milhões em obras emergenciais, incluindo a estabilização de estruturas, a catalogação e o armazenamento de peças remanescentes do forro da nave central, além da renovação da cobertura do templo. Agora, o foco está na recuperação integral do complexo.

A primeira fase do projeto prevê investimentos de R$ 34,7 milhões, com execução estimada em 34 meses. Os recursos contemplam a estabilização do claustro, obra já em andamento e orçada em R$ 1,8 milhão, a elaboração dos projetos de restauração do conjunto formado pela igreja e pelo convento, ao custo de R$ 2,9 milhões, e o início das intervenções na igreja, com previsão de R$ 30 milhões em investimentos.

A expectativa é que o monumento seja reaberto à visitação em 2029, após a conclusão das obras. Segundo o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, o instituto atuou de forma rápida nas ações emergenciais e garantiu, junto ao Ministério da Cultura, os recursos necessários para o início da restauração definitiva do templo.

O superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Queiroz, destacou que a preservação do patrimônio histórico depende da participação conjunta do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil. Ele ressaltou que a recuperação da Igreja de São Francisco reúne esforços do Iphan, da Ordem Franciscana e de outros órgãos públicos, e pode servir de exemplo para a conservação de bens culturais em todo o país.

Cronograma das obras

O plano de recuperação do Complexo da Igreja e Convento de São Francisco foi dividido em três etapas, com conclusão prevista para 2029.

Fase 1 – Igreja, portaria e sacristia

Os projetos devem ser concluídos até julho deste ano, com início das obras previsto para novembro. O investimento estimado é de R$ 30 milhões e o prazo de execução é de 28 meses. Também integram esta etapa os R$ 4,7 milhões já destinados à estabilização do claustro e à elaboração dos projetos de restauração.

Fase 2 – Claustro e Sala do Capítulo

Os projetos devem ser finalizados até março de 2027. O restauro está inicialmente orçado em R$ 15 milhões, com prazo de execução de 12 meses.

Fase 3 – Ala Conventual

Também com projetos previstos para março de 2027, a etapa tem investimento estimado em R$ 8 milhões e prazo de execução de seis meses. Os valores e cronogramas ainda poderão sofrer ajustes durante o desenvolvimento dos projetos.

Igreja de São Francisco é um dos pontos de atração turística, em Salvador. Foto: Divulgação | Arquidiocese

Obras emergenciais

As intervenções emergenciais realizadas ao longo do último ano foram divididas em três frentes principais: catalogação e armazenamento das peças remanescentes do forro, estabilização estrutural da nave central para garantir a segurança do espaço e reforço da cobertura, incluindo a instalação de um novo telhado.

De acordo com o Iphan, a complexidade da recuperação exige mão de obra altamente especializada, em razão dos mais de 300 anos de história da igreja e da necessidade de preservar seus elementos artísticos e arquitetônicos originais.

Desabamento da igreja 

O desabamento aconteceu por volta das 14h30 de uma quarta-feira, dia 5 de fevereiro de 2025. Imagens registradas por testemunhas mostram os danos causados no local, com o espaço onde os fiéis se reuniam coberto por destroços. Giulia Panchoni Righetto, natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, morreu no local. Outras cinco pessoas sofreram lesões leves e foram atendidas por equipes médicas.

Turista paulista morreu com desabamento de teto da Igreja de São Francisco. Foto: Arquivo Pessoal

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A área ao redor da igreja foi isolada pelas autoridades devido ao risco de novos desabamentos. Sósthenes Macedo, coordenador da Defesa Civil de Salvador, na ocasião, informou que uma parte da cobertura da basílica pode ter se rompido, o que, com o sobrepeso no teto, causou o colapso da madeira.

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