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17/03/2017 13h05 | Atualizado em 17/03/2017 13h05

PONTO DO UBER: Motoristas subvertem aplicativo, imitam táxi e criam fórmulas de economizar

PONTO DO UBER: Motoristas subvertem aplicativo, imitam táxi e criam fórmulas de economizar

PONTO DO UBER: Motoristas subvertem aplicativo, imitam táxi e criam fórmulas de economizar Foto: Aratu Online
Diego Adans

“Quatro corridas aqui, lucramos bem mais do que 15 feitas rodando pela cidade”.

A princípio, a autoria da frase anterior poderia ser facilmente creditada a um taxista. Poderia… O autor, no entanto, é um motorista do aplicativo Uber, que orgulhoso contou a reportagem do Aratu Online sua nova ‘mina de ouro’. Pois é… Quem vai em direção ao Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães, enxerga, facilmente, do lado direito da via — antes da entrada do famoso bambuzal — vários veículos parados.

Organizados, numa espécie de fila indiana, ficam dispostos um a um, mais de sessenta carros. Ironicamente, bem embaixo de uma placa de ‘proibido parar e estacionar’. Para controlar todo esse fluxo, essa demanda, um ‘sistema inteligente’ foi criado pelo próprio UBER – como já o fez em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas. Lá, por exemplo, há uma espécie de aplicativo-relógio, que informa o tempo estimado de espera.

“Aqui, ao passar por um determinado ponto, o motorista sabe sua posição, a ordem para uma próxima corrida. É um sistema parecido ao dos taxistas “, explica o Uber, G.S, que pediu para não ser identificado.

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Para G.S a tendência é que com um possível aval da prefeitura de Salvador- liberando o uso do aplicativo, que está em funcionamento graças a uma liminar -, a situação melhore ainda mais e a relação com os taxitas também.

Já M.C, 41 anos, que preferiu conversar com o Aratu Online distante dos ‘amigos uberistas’, festeja o bom cenário. “Nesse bolsão de estacionamento aqui no aeroporto, ganho muito mais do que quando ficava rodando pela cidade à procura de passageiros. Gastava muita gasolina com o ‘tempo morto’.  Na maioria das vezes, você faz uma boa corrida aqui”, revela.

Procurada pela reportagem para saber se há alguma irregularidade no ‘bolsão de estacionamento’, a Superintendência de Trânsito de Salvador informou que a Semob é a responsável pela fiscalização do Uber. A Semob, por sua vez, limitou-se a dizer que “a Prefeitura está cumprindo a liminar expedida pela Justiça”.

Veja vídeo:

DIVERSÃO 

Para passar o tempo, os motoristas conversam, dormem, veem TV (instaladas nos próprios veículos) jogam baralho e games no celular. Para irem ao banheiro, três são as opções: aeroporto, uma locadora de carros próximo ao bolsão de estacionamento  ou posto de gasolina.

“Vez ou outra, contamos com a colaboração do pessoal da lacadora de carros daqui. É o local mais perto de onde estamos. Se não rola, nos reunimos em grupos e aí, um companheiro nos leva até o aeroporto. A última opção é andar até o posto de gasolina, que fica lá atrás, de quem vem de Stella Maris (bairro). Aí, tem que ir à pé mesmo”, sorrindente conta M.C.

A mesma tática é usada para comprar comida, que, por sinal, nos últimos dias ganhou um alento: a chegada de ambulantes. O estudante Antônio Pedro, 17 anos, morador do bairro de Mussurunga, viu nos Ubers clientes em potencial. “Eles estão aqui desde cedo e como minha mãe tem uma barraquinha de salgados lá no bairro, venho de bicicleta até aqui e acabo ganhando uma pontinha também”, conta, o adolescente, que oferta café, bolo e tortas.

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CORRIDAS POR FORA

Não é só a organização dos taxistas que está sendo copiada pelos Uber.

Outrora, era comum, por exemplo, que as famílias elegessem um ?taxista de confiança? para fazer deslocamentos frequentes ? como levar o filho à aula de inglês duas vezes por semana ? ou mesmo corridas até o aeroporto ?por fora do taxímetro?.

?É o seguinte: quando o passageiro puxa assunto, e eu encontro alguma brecha… aí, é claro, acabo passando meu cartão com contatos pessoais e de WhatsApp. Lhe dou mais uma opção?, relata M.C.

Porém, há entre os próprios Ubers quem não vêem com bons olhos essa ‘tática’.

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“Primeiro que muitos fazem o seguinte: é solicitado pelo cliente, vai até o local e lá, pede para o cliente cancelar o ‘pedido’. Desta forma, o motorista não paga a porcentagem ao Uber e fica com dinheiro integral para ele. É controverso, pois o cliente pode estar colocando sua vida em risco e o motorista perdendo sua licença por usura”, opina G.S.

Consultada pela reportagem, a Uber afirmou que “os motoristas são livres e autônomos para realizar outros serviços que quiserem”. Mas ressaltou  “que a segurança de passageiros e motoristas está no uso das plataformas oficiais”.

Os taxistas, porém, seguem insatisfeitos com a presença dos motoristas do aplicativo Uber pela cidade. “Tem que legalizar eles, têm que pagar as mesmas taxas que pagamos”, brada o taxista João Paulo, que tem seu ‘ponto’ garantido na área da saída de desembarque de passageiros do aeroporto há mais de 5 anos.

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Fonte: Diego Adans