Sem bets, futebol brasileiro não tem setor para substituir patrocínios, diz especialista
Proibição de bets anunciada por Lula (PT) pode afetar receitas dos clubes de futebol, segundo especialista
“Nenhum segmento, em nenhuma época da história do patrocínio esportivo no futebol brasileiro, colocou tanto dinheiro como as casas de apostas o fizeram agora”. A avaliação é do especialista em marketing esportivo Fábio Wolff, em meio à Medida Provisória anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta sexta-feira (25), que prevê novas restrições ao mercado de apostas no Brasil.

Segundo Wolff, os possíveis efeitos da medida já preocupam dirigentes de clubes brasileiros, que avaliam como substituir os valores atualmente recebidos por meio dos contratos com empresas de apostas. O especialista afirmou que recebeu contatos de clubes em busca de alternativas para os patrocínios.
“Eu recebi hoje a ligação de alguns clubes perguntando qual cliente eventualmente poderia substituir a casa de apostas, caso a MP passe a valer”, disse em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News.
Poucas alternativas no mercado
Para o especialista, o mercado nacional atualmente não possui um segmento capaz de ocupar o espaço financeiro deixado pelas casas de apostas no futebol. Uma das possibilidades seria a negociação de contratos com multinacionais que tenham atuação internacional e possam investir em dólar ou euro.
“Pode ser que um ou outro clube que tenha feito um trabalho melhor estruturado, com um departamento comercial forte e projeção internacional, venha a fechar contratos em dólar ou euro com multinacionais. Mas isso vai ser a exceção”, ponderou.

Na avaliação dele, uma eventual proibição das empresas de apostas legalizadas pode trazer consequências para o próprio mercado. Wolff ainda apontou o risco de que a retirada das empresas autorizadas fortaleça plataformas ilegais de apostas. Segundo ele, impedir o funcionamento das empresas regularizadas pode fazer com que parte dos apostadores migre para sites que não estão submetidos às regras de fiscalização e controle.
Bets foram regulamentadas no governo Lula
O mercado de apostas esportivas já havia sido legalizado no Brasil em 2018. Em 2023, durante o governo Lula, o setor passou por uma nova etapa de regulamentação. Em dezembro daquele ano, o presidente sancionou a Lei nº 14.790, que estabeleceu regras para a exploração das apostas de quota fixa e incluiu os jogos online na modalidade.
A legislação estabeleceu regras para autorização, fiscalização e tributação das empresas, além de normas para os apostadores. A regulamentação passou a organizar o funcionamento das empresas que pretendiam atuar legalmente no país.
Dependência por jogos de azar mais que dobra na rede pública da Bahia

A quantidade de atendimentos relacionados ao vício em jogos de azar na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Bahia apresentou um salto expressivo de 142,86% entre 2023 e 2024. Os dados são da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e refletem o impacto crescente das apostas virtuais sobre a saúde mental da população.
Segundo os números registrados no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS, foram contabilizados sete atendimentos no ano de 2023, número que subiu para 17 no ano seguinte. Em 2025, apenas no primeiro semestre, já foram registrados nove novos casos. O transtorno, chamado tecnicamente de ludopatia, é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma condição psiquiátrica.
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