MPF investiga BBB por suspeita de tortura e tratamento desumano; entenda
Ministério Público Federal investiga BBB por suspeita de tortura e tratamento desumano na 26ª edição do reality
Por Rosana Bomfim.
O Big Brother Brasil está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de práticas que podem configurar tortura e tratamento desumano ou degradante no programa, que atualmente está em sua 26ª edição. O anuncio da investigação foi divulgada pelo próprio MPF na tarde desta quinta-feira (5).

A decisão é assinada pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, e se baseia em representações que apontam possíveis riscos à integridade física e psicológica dos participantes da atual edição do reality show.
O que motivou a investigação
O procedimento teve origem após relatos de episódios convulsivos vivenciados pelo participante Henri Castelli durante uma prova de resistência.

Segundo a denúncia apresentada ao MPF, as condições impostas pela produção do programa poderiam expor a saúde dos participantes a riscos desnecessários. O documento também cita exemplos de edições anteriores e episódios recentes, como o do participante Breno, que teria permanecido “exilado” em uma área externa da casa.
Para o autor da representação, submeter indivíduos a situações potencialmente perigosas com o objetivo de gerar entretenimento pode representar uma afronta direta à dignidade humana.
Dinâmica do “Quarto Branco” é alvo de críticas
Um dos pontos centrais da investigação é a dinâmica conhecida como “Quarto Branco”.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou uma carta aberta ao MPF manifestando indignação com o quadro. No documento, a comissão afirma que a metodologia utilizada teria semelhanças com práticas de tortura empregadas durante a ditadura civil-militar brasileira.

De acordo com o relato enviado ao Ministério Público, uma participante chegou a desmaiar em janeiro de 2026 após permanecer mais de 100 horas em reclusão.
O documento afirma ainda que ela teria sido obrigada a permanecer de pé sobre um pedestal de diâmetro muito pequeno — técnica descrita como semelhante a métodos utilizados em regimes ditatoriais latino-americanos para provocar sofrimento físico e psicológico.
Fundamentação do MPF
Na decisão, o procurador destaca que a liberdade de produção das emissoras de televisão não representa um “salvo-conduto” para violar direitos fundamentais.
Como concessionárias de serviço público, as emissoras devem respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família, conforme estabelece o artigo 221 da Constituição Federal.

O MPF também ressaltou que a proibição de tortura e tratamento degradante é um preceito constitucional absoluto, que deve ser observado por todas as esferas da sociedade.
Para o órgão, a normalização do sofrimento humano como forma de entretenimento é incompatível com os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade justa e solidária.
Posicionamento da TV Globo
Em manifestação prévia no processo, a TV Globo afirmou que oferece acompanhamento médico permanente aos participantes do reality show.
Segundo a emissora, o programa conta com suporte de UTI móvel, além de protocolos para encaminhamento hospitalar sempre que necessário.
Sobre o caso envolvendo Henri Castelli, a Globo informou que o participante recebeu atendimento médico adequado e foi encaminhado a unidades de saúde externas em duas ocasiões.
Próximos passos da investigação
Como primeira diligência do inquérito, o MPF solicitou que a TV Globo apresente informações detalhadas sobre os questionamentos levantados pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
O órgão agora deve analisar os esclarecimentos da emissora antes de decidir os próximos passos da investigação.
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