Quem é Pablo Souza, secretário de Mobilidade de Salvador alvo de ordem de prisão do TRE-BA
O secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, virou alvo de uma determinação de prisão do TRE-BA neste domingo (25)
Por Bruna Castelo Branco.
O secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, virou alvo de uma determinação de prisão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) neste domingo (25), em meio à crise envolvendo a circulação de ônibus durante o segundo turno das eleições de 2026. A medida foi tomada após uma denúncia sobre a redução da frota disponibilizada aos eleitores, situação que levou a Prefeitura a determinar a liberação dos veículos retidos nas garagens.
Souza ocupa o cargo desde fevereiro de 2025, quando foi indicado pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil). Economista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ele já atuava na administração municipal antes de assumir a secretaria, com passagem pela Diretoria de Planejamento de Transportes.
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Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Salvador, o secretário está em Paris, na França, em uma missão oficial a convite do governo francês. A gestão municipal informou que ele retornaria à capital baiana nesta segunda-feira (26) e se apresentaria às autoridades para prestar esclarecimentos sobre os problemas registrados no transporte público durante a votação.
A ordem de prisão é de competência da Polícia Federal (PF). Até a atualização das informações, a corporação havia informado que Souza não estava em Salvador. Nas redes sociais, o secretário compartilhou uma nota da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), mas não havia se manifestado diretamente sobre o caso.

Trajetória profissional
Formado em economia pela UFBA, Pablo Souza construiu parte de sua trajetória profissional na área de planejamento e gestão do transporte público. Antes de assumir a Secretaria Municipal de Mobilidade, atuou como diretor de Planejamento de Transportes da Prefeitura de Salvador.
O secretário também tem experiência na organização de grandes eventos. Conforme as informações fornecidas pela gestão municipal, ele trabalhou como gerente de transporte na Copa América de 2024. Ao defender o auxiliar, Bruno Reis citou ainda a experiência de Souza em eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
O prefeito afirmou que o secretário não tem filiação partidária e defendeu sua qualificação técnica para exercer a função.
Por que Pablo Souza foi alvo de ordem de prisão?
A determinação do TRE-BA ocorreu após um pedido da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que apontou problemas na circulação dos ônibus durante o segundo turno. A representação relatou a retenção de veículos que estavam com adesivos de propaganda eleitoral, o que teria prejudicado o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
A estimativa apresentada no contexto da denúncia era de que cerca de metade da frota tivesse permanecido nos pátios das empresas. Diante dos problemas, a Prefeitura determinou a liberação dos coletivos, mesmo daqueles que ainda estavam adesivados.
Em nota, a administração municipal afirmou que a operação estava sendo normalizada por meio do diálogo entre equipes da Semob e representantes sindicais.
A determinação judicial está relacionada à suspeita de crime eleitoral envolvendo a redução da frota no dia da votação.
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Polícia Civil fiscaliza garagens de ônibus
A Polícia Civil da Bahia realizou, neste domingo (25), fiscalizações em garagens de transporte coletivo de Salvador para verificar o cumprimento da decisão judicial do TRE-BA que determinou o restabelecimento da circulação integral da frota de ônibus da capital.
As diligências ocorreram em garagens localizadas nos bairros de Pirajá, Campinas de Pirajá, Caminho de Areia, Praia Grande, Granjas Rurais, Barros Reis, Santa Mônica e San Martin. A operação contou com o uso de drones e com o acompanhamento da Coordenação de Inteligência Cibernética do Departamento de Inteligência Policial (DIP).
Após ser acionada, a cúpula da segurança pública da Bahia reuniu dirigentes de departamentos operacionais para organizar e iniciar as ações. Participaram das articulações o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, o delegado-geral André Viana, a delegada-geral adjunta Márcia Pereira, o delegado-geral adjunto de Operações, Jorge Figueiredo, e o chefe de Gabinete, delegado Ivo Tourinho.
Equipes do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), do Departamento de Polícia Técnica (DPT) e de outras unidades operacionais também participaram das diligências.
Segundo a Polícia Civil, o material coletado e eventuais depoimentos serão encaminhados à Polícia Federal, responsável por dar seguimento ao inquérito policial. A corporação informou ainda que a cúpula da instituição acompanha ações de inteligência e monitoramento cibernético de movimentações suspeitas relacionadas a possíveis crimes eleitorais.

O que diz Bruno Reis
Durante uma coletiva de imprensa no Palácio Thomé de Souza, neste domingo, Bruno Reis atribuiu os atrasos na saída dos ônibus das garagens à retirada manual de adesivos de propaganda eleitoral. Segundo o prefeito, quando a administração percebeu que o procedimento poderia comprometer o transporte dos eleitores, determinou a liberação dos veículos mesmo com o material.
“A retirada desses adesivos levou ao atraso da operação. Quando a Prefeitura percebeu que isso iria comprometer todo o processo, de imediato determinou que os ônibus pudessem sair mesmo com adesivos de propagandas eleitorais”, explicou.
O prefeito negou que a gestão municipal tenha orientado a retenção dos coletivos por motivação política. Também afirmou que a oferta de transporte gratuito nos dias de votação já havia ocorrido em eleições anteriores durante sua administração, sem problemas semelhantes.
“Esta não é a primeira vez que a Prefeitura oferece o transporte gratuito. Ocorreu em todas as eleições durante o meu período como prefeito e nunca tivemos qualquer problema”, declarou.

Questionado sobre o número de ônibus que deveriam estar em circulação e a quantidade efetivamente disponível naquele momento, Bruno Reis disse não ter os dados exatos. Ele afirmou que, caso a determinação de oferta da frota não tenha sido cumprida, a responsabilidade poderia ser das empresas operadoras, mas ressaltou que não tinha informações para confirmar essa hipótese. “Se foi descumprido, foi por parte das empresas, mas a gente não pode afirmar que foi”, disse.
Bruno Reis também declarou que Salvador conta com cerca de 1.700 ônibus e que a frota em circulação naquele domingo era superior à utilizada em eleições anteriores, inclusive no primeiro turno de 2026. O prefeito citou ainda a incorporação de mais de 330 veículos novos e a existência de uma frota reserva.
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