Dia do Leitor: projetos incentivam leitura e escrita em Salvador

Neste Dia do Leitor, conheça iniciativas que promovem a literatura infantil e a escrita criativa

Por, Rosana Bomfim e Júlia Naomi.

A prática da leitura possibilita o contato com as mais diversas realidades, culturas e formas de conhecimento, além de estimular a imaginação e a capacidade criativa. Nesta quarta-feira (7), em que celebra-se o Dia do Leitor, conheça iniciativas que incentivam a leitura e escrita em Salvador.

Dia do Leitor é celebrado no dia 7 de janeiro. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

No Dia do Leitor, conheça iniciativas de incentivo à leitura em Salvador

Coletivo Farol da Leitura

Criar redes de leitura, promover encontros literários e valorizar a produção de autoras baianas. Estes são alguns dos objetivos do Coletivo Farol da Leitura, coordenado por cinco mulheres, que a cada mês, realizam eventos voltados para a literatura infantil e infantojuvenil.

Dentre os projetos do coletivo está o Florescer Histórias, que tem como objetivo "valorizar o trabalho da escrita e a beleza da contação de histórias para pais, crianças e todos que amam livros", segundo conta Terezinha Passos, autora de livros infantis e uma das coordenadoras do projeto.

A iniciativa, que também realiza oficinas lúdicas para todas as idades, mas com enfoque no público juvenil, foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), e 2025. Trata-se de uma ação do Ministério da Cultura que apoia fazedores, coletivos e espaços culturais de diferentes áreas, em parceria com estados e municípios.

Terezinha conta o coletivo nasceu da percepção de um contexto favorável para a receber projetos de literatura infantil na capital baiana. "Participando de alguns movimentos literários em Salvador, percebi que há muitas autoras que escrevem para as infâncias e que existia uma demanda muito grande de escolas interessadas em realizar feiras literárias", lembra.

Assim, ela convidou as escritoras de seu convívio para unir forças e levar suas produções para feiras literárias, escolas e praças. Dentre elas, estão professoras de escolas públicas e particulares, a exemplo de Regina Luz, que contribuía com sua experiência no ensino da literatura.

Projeto Florescer das Histórias é uma iniciativa do Coletivo Farol Da Leitura. Foto: Acervo Pessoal / Terezinha Passos

"Cada autora possuía uma forma diferente de abordar os temas por meio do conto narrativo, despertando o gosto pela leitura nas crianças". Terezinha também cita nomes como Nadja Nunes, " já havia publicado livros e era uma das pioneiras na escrita para crianças", Noélia Bartilotti, que "tinha um público cativo que sempre a acompanhava nos eventos", Suzana Turíbio,  "que se destaca com seu enorme potencial artístico ao apresentar o conto narrativo" e Marcela Rosa, autora mirim, que 'renovava o ambiente com sua graça'.

Atualmente, o grupo é coordenado por Terezinha Passos, Nadja Nunes, Noélia Bartilotti, Thais Vivas e Carla Chastinet.

Conheça obras de Terezinha

  • Um amor de lagartixa;
  • Meu Vovô Encantado;
  • Heroínas da Bahia - Mulheres...;
  • A Contadora de Estrelas.

Cordel 2.0 

Unindo periferia, literatura e educação digital, o projeto Cordel 2.0 desenvolve oficinas de escrita criativa alinhada ao uso de ferramentas de inteligência artificial para democratizar o acesso à cultura, "dentro de um método pedagógico que visa reafirmar a autoria humana". 

Primeira edição do Cordel 2.0 no Espaço Cultural Alagados, no bairro do Uruguai, em Salvador. Foto: Reprodução via Cordel 2.0

É o que explica Carlos Vidal Guerrero, mestrando em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia UNEB e um dos idealizadores da iniciativa, ao lado de Celeste Maria Farias, filósofa e pedagoga com especialização em psicopedagogia institucional.

"O cordel, com sinceridade e transparência, resgata as histórias da periferia. Ela deixa visível aquilo que está invisível e ela coloca [a IA em] um lugar pedagogicamente não substitutivo, e sim, de alinhamento da tecnologia com o ser humano", detalha Carlos, no mini documentário disponível no YouTube, sobre a primeira edição do projeto no Espaço Cultural Alagados, em 2025.

Ele explica que para que isso seja possível, as oficinas exercitam a contação de histórias e a oralidade, competências necessárias para a construção do cordel. A inteligência artificial atua após a criação, para auxiliar no ajuste da métrica. "Porque é a história das pessoas que vale, a história é o tesouro, realmente".

A primeira edição do curso resultou na publicação de uma primeira Antologia, com 29 autores, além da realização de saraus e evento de lançamento do livro gratuito à comunidade, com o financiamento da Lei 8.313/1991, pelo Programa Rouanet nas Favelas. 

"Atualmente estamos trabalhando no desenvolvimento de novos recursos, aplicativos de software aberto, que possam fortalecer nosso método com recursos digitais e interativos, tudo para fomentar a autoria humana e a compreensão da IA Generativa", detalha.

Em 2026, as oficinas da segunda edição do Cordel 2.0 no Espaço Cultural Alagados terão início após o carnaval. "Focaremos na curadoria da escrita e oficinas nas escolas do bairro, com o objetivo de produzir um ebook de poesia popular com nosso método", adiantou Carlos Guerrero, ao Aratu On.

Além disso, a iniciativa aguarda a liberação de recursos para um projeto já aprovados pela Lei Rouanet Nordeste, que irá ministrar oficinas em 10 municípios da Região Metropolitana de Salvador.

A leitura que nasce nos bairros

Por meio da chamada REDE FPC, a Fundação Pedro Calmon, instituição vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), identifica quem são e onde estão os agentes que mantêm viva a cultura do livro em Salvador e em outras cidades da Bahia: gente que atua diretamente nos territórios, muitas vezes de forma voluntária ou com poucos recursos.

Rodas de leitura em praças, clubes do livro em bairros periféricos e ações voltadas para crianças e jovens mostram que o hábito da leitura não depende apenas da sala de aula. Em Salvador, fazem parte dessa articulação escolas públicas, bibliotecas comunitárias, educadores, bibliotecários e coletivos literários que compartilham experiências e desafios do dia a dia.

Foto: Reprodução / Pexels

Para muitos leitores em formação, o primeiro contato com os livros acontece nesses espaços informais, onde a leitura surge como afeto, curiosidade e pertencimento.  Ao mapear essas experiências, a REDE FPC contribui para entender quem frequenta esses espaços e como eles podem se tornar mais acessíveis e relevantes.

A FPC também coordena projetos como Bahia Literária, Conectar Arquivos e Nossas Memórias, com a proposta de aproximar leitura, patrimônio cultural e preservação da memória coletiva. Escritores, pesquisadores e lideranças comunitárias encontram nesses espaços oportunidades de visibilidade e colaboração.

Dia do Livro e inclusão: Leitoras PCD falam sobre leitura e estigmas

O Dia do Livro é celebrado no dia 23 de abril,  em homenagem às datas de morte dos escritores Miguel de Cervantes e Willian Shakespeare. Nesta data, o Aratu On conversou com leitoras PCD que contaram suas experiências com a literatura, os estigmas enfrentados e a importância da inclusão na cultura.

'A Menina que Virou Santa': livro infantil sobre Santa Dulce é lançado em Salvador

O lançamento do livro infantil “A menina que virou santa”, que apresenta de forma lúdica a história de Santa Dulce dos Pobres, ocorreu em Salvador no dia 16 de dezembro de 2025. O evento acontece no Shopping Barra, no Coworking L3 Oeste.

Escrito por Deíse Xavier Nobre e Lilian Nobre Britto Fischmann, o livro conta com prefácio de Maria Rita Pontes, sobrinha da santa e superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). A obra busca apresentar às novas gerações a trajetória do Anjo Bom do Brasil por meio de uma linguagem acessível e sensível.

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