Cidadania

Quando o adversário deixa de ser humano

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
Quando o adversário deixa de ser humano

Não há muito tempo, os torcedores do Bahia e do Vitória iam juntos à antiga Fonte Nova, dividiam a mesma carona, sentavam-se na mesma arquibancada e voltavam juntos para casa. Um ganhava, outro perdia. Havia brincadeiras, provocações e gozação, mas a amizade continuava. A camisa dividia a torcida, não destruía os vínculos.

Em algum momento, perdemos esse limite. A rivalidade virou fanatismo. Surgiram confrontos, emboscadas e mortes. A pessoa deixou de enxergar o ser humano e passou a enxergar apenas a camisa adversária.

E essa anomalia ultrapassou os estádios. Chegou à política, às universidades, às redes sociais e até às famílias. Hoje, não basta discordar de uma ideia; é preciso desqualificar, humilhar e silenciar quem pensa diferente. Primeiro, o outro é rotulado. Depois, ridicularizado. Por fim, sua agressão passa a ser tolerada ou até comemorada.

Democracia não é ausência de conflitos. Democracia é a capacidade de discordar sem eliminar o adversário, reconhecendo que ele continua sendo cidadão, humano, e merece a mesma dignidade que você.

E o que ainda vamos esperar? É urgente unir famílias, escolas, universidades, empresas, entidades e lideranças para desenvolvermos nossa inteligência cidadã. Quem tem voz precisa falar. Quem tem capacidade precisa agir. Quem pode transformar precisa se unir.

A transformação não virá daqueles que lucram com o conflito. Virá da sociedade, da consciência, da participação e da convergência dos cidadãos.

Nenhum país evolui além da inteligência dos seus cidadãos.

O futuro do Brasil é da nossa conta, e ele precisa começar agora. Não podemos esquecer disso jamais.

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Paulo Cavalcanti

Paulo Cavalcanti

Empresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia

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