AO VIVO Últimas Notícias
07/02/2017 09h00 | Atualizado em 26/03/2023 16h45

REFORMA DE ABADÁ: Apesar de crise, procura por costureiras cresce em 70% às vésperas da festa

REFORMA DE ABADÁ: Apesar de crise, procura por costureiras cresce em 70% às vésperas da festa

Da Redação

Além de oferecer muita alegria para baianos e turistas, a maior festa de rua do planeta movimenta a economia do estado e possibilita que trabalhadores e empresários, em diversas áreas, tirem uma renda extra antes, durante e depois da folia.

Prova disso é que nessa época do ano a procura por alguns desses serviços relacionados à festa crescem em até 70%. Em Salvador, um dos serviços impactados com o Carnaval é o de costura. É comum a necessidade de fazer looks exclusivos para não fazer feio na avenida. Além também da velha e boa customização dos abadás — uma tentativa de corrigir os mesmos que sempre vem com tamanhos e formas desproporcionais.

LEIA MAIS:  QUEM DIRIGE A FESTA: A vida dos motoristas de trios e o que rola nos bastidores do Carnaval

O desing de moda, Mário Farias, de 48 anos, tem um ateliê  no bairro da  Barra, em Salvador. Ele trabalha com costura de customização desde 2009 e conta que no período de festa as demandas aumentam, e por isso precisa contar  com o apoio de pessoas extras trabalhando com ele.

“No Carnaval, a procura é muito grande, mas trabalho com uma equipe. Tenho um aumento de 70% por cento com o público feminino e 30% com o masculino, com idades que vão de 15 a 50 anos, gostos e preferências diferentes”, revela.

camisas 1ok

Modelo de blusa feminina feita por Mário

Farias explica que a depender do serviço e modelo, o reparo pode ser feito em pouco tempo. Mas se o cliente preferir, pode agendar e ter atendimento e fazer  o processo com hora marcada, o que agiliza ainda a entrega.

“O tempo de  entrega é de 10 a 15 minutos, e mesmo nesse curto espaço de tempo, eu tento oferecer um serviço de qualidade com informações de moda. Existe uma tabela  de preço que vai de R$  10 a R$ 20”, conta.

camisas 2ok

Blusa feminina com mais detalhes, desenhada no ateliê de Mário

Com a crise econômica que atinge todos os setores de mercado, é preciso inovar e fazer a diferença entre os empresários. Por isso,  este ano, Farias vai oferecer uma promoção que pretende aumentar ainda mais o fluxo de clientes na sua loja.”Vou lançar uma promoção que vai dar direito as clientes ganharem a maquiagem completa, além de arranjo de flores para  cabelo.

Conhecida como “arroz de festa” ou “regueira” entre  os amigos, a designer gráfica, Poliana Sales, de 25 anos, é fãs da banda Timbalada e sempre faz uma mudança aqui e outra ali na  camisa dos blocos. Para ela, é importante tentar conciliar  diversão e moda.

Veja vídeo:

“Eu sempre vou para festa de camisa, e os gastos ultrapassam o valor do  ingresso justamente pela customização. No Carnaval, as reformas acontecem até mesmo na rua quando não é algo planejado. Mas apesar dos contratempos, eu não abro mão de deixar o look com a minha cara”, contou.

Poli 1

Poliana com abadá reformado para curtir do camarote Brahma 2016

Poliana faz questão de gastar pouco com a reforma das roupas, e para isso sempre agenda antes com sua costureira. “Eu gasto de R$ 200 a R$ 600 reais com bloco e reforma. Sempre levo antes na costureira, mas já aconteceu de eu ter que fazer mudanças na roupa em cima de hora”, disse ela.

Dentro da lista de serviços oferecidos por alguns camarotes está a reforma e customização de abadás dentro do próprio circuito da folia. O único problema de quem já precisou  fazer isso de última hora é a demora no atendimento.

“No camarote tem esse e muitos outros benefícios, mas a fila que você pega não vale a pena. É um camarote com cinco pessoas pra customizar camisas de 500 pessoas. Eu, inclusive,  fiz amizades com pessoas de outros estado em uma dessas andanças por filas de camarote, cheguei a ensinar pontos turísticos da cidade para uma paulista”, contou ela.

poli 2

Poliana com fantasia para mais uma dia Carnaval 2016

LEIA MAIS:  ?Não existe música do Carnaval. Existe música que o empresário tem mais dinheiro?, diz Kannario

LEIA MAIS:  SOLTANDO A VOZ: Após polêmico vídeo, morena do Tchan diz que quer virar cantora

O economista Edval Landulfo explica que mesmo com a diminuição dos blocos “fechados” para a folia carnavalesca em 2017, ainda é possível ter uma renda extra nesse período. “Tem costureira cobrando valores entre R$ 10,00 a R$ 25,00 por camisa (abadá). O interessante é oferecer mais opções aos clientes mostrando imagens de modelitos confortáveis e mais ornamentados”, disse ele.

Apesar da crise, que mudou a forma de gastar dinheiro de muitos brasileiros, o setor de entretenimento ainda consegue movimentar a economia, e apesar do valor das reformas de abadás ainda ser basicamente o mesmo de dois ou três anos atrás, é bastante provável que costureiras consigam fazer uma grana extra.

“Tem que haver um planejamento prévio para não ter prejuízos pois os custos também aumentarão. As empresas especializadas fazem o mesmo processo, e como estão muitas vezes em locais estratégicos com custos mais altos, oferecem um serviço mais diferenciado, e é natural que esses valores sejam mais custosos para o cliente”, comentou o economista.

Ele explica, ainda, que a relação de preços pode variar de acordo com o  que é ofertado, analisando se o preço é justo ou não. No Carnaval, a grande procura é por serviços rápidos, baratos e de qualidade, mas é preciso ter cuidado na hora de montar o estoque para não ficar com mercadoria desnecessária.

“Quem determina é o mercado, se há uma grande procura por customizações de abadás, as costureiras contratarão mais auxiliares para não perder nenhuma encomenda. As redes sociais irão contribuir muito para divulgação do seu negócio, e claro, o tradicional boca boca ainda funciona muito bem. A costureira ou empresário com mais tempo de atuação nesse período  já tem noção de custo, faturamento e crescimento ano a ano do seu negócio, pois já tem clientes fiéis ao seu trabalho e com certeza trarão novos esse ano. Já as profissionais novatas deverão observar a procura por seus serviços e comprar uma quantidade de materiais que mesmo com o fim da festa poderão utilizarem posteriormente e sem aquela dificuldade de saída, evitando assim um estoque desnecessário de acessórios”, concluiu.

Acompanhe nossas transmissões ao vivo e conteúdos exclusivos na página facebook.com/aratuonline e também pelo youtube.com/portalaratuonline.

Fonte: Diogo Henrique