Quarto acusado da morte de Mãe Bernadete é condenado
Sérgio Ferreira de Jesus foi julgado nesta quarta-feira (21), no Fórum Ruy Barbosa; outros três acusados já foram condenados pelo assassinato da líder quilombola, ocorrido em 2023.
Por Victor Hernandes.
O quarto acusado pela morte da líder quilombola Mãe Bernadete foi condenado, nesta quarta-feira (21). Sérgio Ferreira de Jesus, apontado como um dos envolvidos no crime, passou por júri popular no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, em Salvador.

Ele foi condenado a 23 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. A sessão desta quarta foi presidida pela Juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, titular do 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador.
Na sessão de hoje, além do réu, foram ouvidas duas testemunhas de acusação e quatro de defesa. No julgamento, esteve em análise o crime de homicídio com quatro qualificadoras: motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso proibido de arma de fogo.
O Conselho de Sentença acolheu a tese sustentada pelo Ministério Público e reconheceu a prática do crime de homicídio qualificado.
Três acusados já foram condenados
Em abril de 2026, Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram condenados pelo Tribunal do Júri de Salvador. Arielson recebeu pena de 40 anos, cinco meses e 22 dias de reclusão, enquanto Marílio foi sentenciado a 29 anos e nove meses de prisão, ambos em regime inicial fechado. Marílio morreu dois dias após o julgamento.
Mais recentemente, em 13 de outubro, Josevan Dionísio dos Santos foi condenado a 28 anos de reclusão, também em regime inicial fechado. Ele foi acusado de efetuar os disparos que mataram Mãe Bernadete.
O processo contra Ydney Carlos Santos de Jesus, apontado como o quinto acusado, ainda aguarda uma decisão definitiva da Justiça. Até o momento, não há data marcada para o julgamento dele.
Relembre o assassinato de mãe Bernadete
Mãe Bernadete foi vítima de homicídio em 17 de agosto de 2023, na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. No momento do crime, três netos da vítima — de 12, 13 e 18 anos — estavam no imóvel.
Na época, Mãe Bernadete estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), havia pelo menos dois anos, em razão de ameaças recorrentes. Segundo a defesa da família, os riscos enfrentados pela liderança eram de conhecimento das autoridades.
O assassinato da líder quilombola e ialorixá foi ordenado por Marílio dos Santos, apontado pelo MP-BA como liderança do tráfico de drogas na região. Já Arielson da Conceição Santos foi identificado como um dos executores.
Conforme a denúncia, o crime teria sido praticado por motivo torpe, com uso de meio cruel, mediante recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima e com emprego de arma de fogo de uso restrito. Além disso, Arielson também foi denunciado por roubo.
Os acusados de matar a ialorixá, Bernadete Pacífico, foram condenados a quase 70 anos de prisão (somando as duas penas). A decisão foi determinada pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, durante júri popular finalizado nesta noite no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
Os sete jurados participantes do julgamento decidiram pela condenação de Maurílio dos Santos, acusado de ser o mandante do crime, e Arielson da Conceição Santos, identificado como executor. O primeiro foi condenado a 29 anos e 9 meses de prisão, enquanto o segundo recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, além de multa.

LEIA MAIS: Van desgovernada atinge muro e deixa dezenas de feridos após suspeita de pane mecânica na Bahia
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
