Quarto réu por morte de Mãe Bernadete vai a júri popular em Salvador
Um dos acusados pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete será julgado nesta quarta-feira (21)
Por Bruna Castelo Branco.
Um dos acusados de envolvimento no assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será julgado nesta quarta-feira (21), às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, em Salvador. Sérgio Ferreira de Jesus será o quarto réu a ir a júri popular pelo crime, ocorrido em agosto de 2023.
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, onde morava, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Ao todo, cinco pessoas são acusadas de envolvimento no homicídio.

Três acusados já foram condenados
Em abril de 2026, Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram condenados pelo Tribunal do Júri de Salvador. Arielson recebeu pena de 40 anos, cinco meses e 22 dias de reclusão, enquanto Marílio foi sentenciado a 29 anos e nove meses de prisão, ambos em regime inicial fechado. Marílio morreu dois dias após o julgamento.
Mais recentemente, em 13 de outubro, Josevan Dionísio dos Santos foi condenado a 28 anos de reclusão, também em regime inicial fechado. Ele foi acusado de efetuar os disparos que mataram Mãe Bernadete.
O processo contra Ydney Carlos Santos de Jesus, apontado como o quinto acusado, ainda aguarda uma decisão definitiva da Justiça. Até o momento, não há data marcada para o julgamento dele.

Relembre o caso
Mãe Bernadete foi vítima de homicídio em 17 de agosto de 2023, na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. No momento do crime, três netos da vítima — de 12, 13 e 18 anos — estavam no imóvel.
Na época, Mãe Bernadete estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), havia pelo menos dois anos, em razão de ameaças recorrentes. Segundo a defesa da família, os riscos enfrentados pela liderança eram de conhecimento das autoridades.
O assassinato da líder quilombola e ialorixá foi ordenado por Marílio dos Santos, apontado pelo MP-BA como liderança do tráfico de drogas na região. Já Arielson da Conceição Santos foi identificado como um dos executores.
Conforme a denúncia, o crime teria sido praticado por motivo torpe, com uso de meio cruel, mediante recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima e com emprego de arma de fogo de uso restrito. Além disso, Arielson também foi denunciado por roubo.
Os acusados de matar a ialorixá, Bernadete Pacífico, foram condenados a quase 70 anos de prisão (somando as duas penas). A decisão foi determinada pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, durante júri popular finalizado nesta noite no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
Os sete jurados participantes do julgamento decidiram pela condenação de Maurílio dos Santos, acusado de ser o mandante do crime, e Arielson da Conceição Santos, identificado como executor. O primeiro foi condenado a 29 anos e 9 meses de prisão, enquanto o segundo recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, além de multa.

Como funciona o Tribunal do Júri?
O Tribunal do Júri é responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida, como homicídio intencional. A sessão é conduzida por um juiz, mas a decisão sobre a culpa ou a inocência do acusado cabe aos jurados.
O procedimento prevê a convocação de 25 cidadãos, dos quais sete são sorteados para formar o Conselho de Sentença. Ao final do julgamento, os jurados respondem aos quesitos apresentados pela Justiça. Em caso de condenação, cabe ao juiz fixar a pena conforme a legislação.
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